Santa Terrinha
domingo, julho 31, 2005
  Regata de Moliceiros

Tal como o João Cruz - outro ilustre bloguista presente, de máquina em punho, na Praia do Monte Branco - também eu nunca tinha assistido à partida de uma Regata de Moliceiros.

A azáfama é grande, enquanto se fazem os últimos preparativos, se posicionam os barcos e se repetem os gestos sábios de quem conhece os Moliceiros como ninguém.

Depois é a partida. E eis que os Moliceiros voltam a povoar a imensidão da laguna.

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sábado, julho 30, 2005
  Palma

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Um concerto do Jorge Palma é, invariavelmente, como um encontro de velhos amigos. Partilham-se cumplicidades, perdoa-se uma ou outra nota ao lado, cantam-se as músicas que também são nossas.

Foi assim, ontem à noite, em Sever do Vouga. Como sempre.

 
sexta-feira, julho 29, 2005
  Regata de Moliceiros

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Fotografia de Nelson da Silva

Com o fim progressivo da safra do moliço foi desaparecendo também a bela imagem dos Barcos Moliceiros sulcando as águas da Ria, de velas ao vento, com os moliceiros manejando a vara, impulsionando, com o seu esforço, a marcha aquática da majestosa embarcação.

Hoje, matam-se as saudades de outros tempos com as famosas Regatas de Moliceiros, que emprestam, ainda que esporadicamente, uma desusada animação à Ria de Aveiro, como a foto do meu amigo Nelson da Silva, que serve de ilustração a este Post, bem atesta.

Amanhã, sábado, a Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro, conjuntamente com a Câmara Municipal de Aveiro, organiza mais uma Corrida de Moliceiros, entre a Torreira e a Cidade de Aveiro.

A partida será dada às 14h, junto à Praia do Monte Branco, na Torreira, e a chegada a Aveiro está prevista para as 16 horas.
A não perder.

 
quinta-feira, julho 28, 2005
  Leituras de Verão, III

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Uma verdadeira pérola literária, esta "História do Senhor Sommer", do aclamado Patrick Suskind ("O perfume", "A Pomba", "O Contrabaixo"), um pequeno livro que facilmente se devora numa única sessão de leitura.

"A História do Senhor Sommer" fala desse tempo difuso que é a infância e das personagens que o povoaram, das pequenas conquistas, das desilusões e dos medos, num registo deliciosamente autobiográfico.

"A História do Senhor Sommer" - Patrick Suskind
Colecção ASA de Bolso - Edições ASA

 
quarta-feira, julho 27, 2005
  Batman - o Início

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A "rentrée" ainda vem longe e, como tal, as escolhas de Verão revelam-se fraquinhas para qualquer cinéfilo que se preze. Pipocas por pipocas, resolvi ver o 5º Filme da saga "Batman", não por ser propriamente um fã das aventuras do Homem-Morcego, mas antes pela película ter a assinatura de Christopher Nolan, realizador dos excelentes "Memento" (2000) e "Insomnia" (2002).

Como o nome deixa adivinhar, "Batman - O Início" trata de nos desvendar as origens do Justiceiro Alado. Aí a porca torce ligeiramente o rabo: descobrimos que Bruce Wayne viu, na sua infância, os pais serem assassinados por um criminoso de Gotham City, uma espécie de motivação "à la Van Damme" para o que vem a seguir. Pelo meio o jovem Wayne tem uma experiência Oriental - mais uma ideia um pouco rebuscada - onde aprende a arte dos Ninjas.

Ao fim ao cabo, metade do filme é passado a contar a história da lenda de Batman, sendo que o dito, já verdadeiramente equipado, só em visto com plenos poderes na segunda hora da película. A partir daí sucedem-se as cenas habituais no cinema do género: frenéticas, espectaculares, mas sem grande novidade.

 
terça-feira, julho 26, 2005
  Santa Promoção

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Eu não sabia, mas parece que há alguns dias atrás aqui a "Santa Terrinha" foi destacada na coluna "Blogue do Dia", do Diário de Notícias. É certo que o texto mais não faz que reproduzir a apresentação do cabeçalho do blogue, à mistura com alguns considerandos que fiz no meu primeiro post. Mas pronto, ficamos sempre satisfeitos quando falam bem da gente.

O meu obrigado ao Zé do "Travessa Larga" por ter guardado o recorte do DN e por, gentilmente, mo ter enviado.

 
segunda-feira, julho 25, 2005
  Os Incêndios e as Notícias

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Nos tempos actuais, não é fácil discernir onde acaba o dever (e o direito) de informar e começa mero “show off” mediático, principalmente quando estamos perante situações de tragédias e catástrofes. Um exemplo claro desta ténue fronteira é a cobertura televisiva do drama dos incêndios em Portugal.

Parece-me perfeitamente lícito que se noticiem as ocorrências de fogos, que se fale da sua extensão e dos prejuízos por estes provocados. Mas será mesmo necessário efectuar directos das aldeias, com o fogo por trás, enquanto os habitantes tentam aflitivamente salvar os seus haveres?

Não será uma intrusão perguntar se “as coisas estão complicadas” a quem vê, com desespero, a destruição eminente das suas casas? Hoje pensava no que poderia responder a um jornalista de microfone na mão se me visse em situação semelhante.

Não é a piedade ou a compreensão que move o jornalista que cobre uma situação de incêndio e que faz perguntas inúteis e de circunstância. É a ânsia de apanhar aquela imagem, aquele rosto atónito, aquele gesto inglório perante a força destruidora da natureza. Será isto jornalismo?

Cada vez que nos noticiários aparecem os famosos directos, mudo imediatamente de canal. Não para fugir à triste realidade das notícias, mas antes por pudor.
É a minha forma de respeitar o sofrimento alheio.

 
domingo, julho 24, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XX

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"Só" - Jorge Palma (1991)

Como aconteceu a muito boa gente que conheço, foi precisamente após a audição de "Só" que comecei a dar a atenção merecida ao Jorge Palma. Decorriam os meus tempos de universidade, com todas as mudanças e descobertas inerentes, e o álbum chegou-me às mãos por empréstimo da minha amiga Rosana, naquilo a que poderemos chamar uma conjuntura tempo-espaço perfeita. 

Penso que a chave do poder de atracção do disco está precisamente na sua concepção minimalista - voz e piano, apenas -, despojando as músicas de todos os arranjos mais ou menos datados, e com isso revelando apenas o essencial: a beleza enorme das melodias e dos poemas de Palma.

Quanto ao alinhamento, é maioritariamente composto por reinterpretações de músicas que hoje são clássicos absolutos: "Bairro do Amor", "Estrela do Mar", "Canção de Lisboa" ou a minha predilecta "A Gente Vai Continuar", um hino ao eterno recomeçar.
Indubitavelmente, um dos mais belos discos da música portuguesa.

 
sábado, julho 23, 2005
  "Reflexos" na Torreira

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A Ria de Aveiro representa um manancial infinito de inspiração para qualquer fotógrafo. A água, a luz, as cores, a natureza e a presença humana que se cruzam nessa relação ancestral e elementar.

Não espanta, por isso, que um dos mais belos "Reflexos" que o Nelson da Silva nos revela na sua Exposição seja precisamente a figura do pescador, invertida pelo espelho natural da laguna.

A Mostra "Reflexos" pode ser visitada no Espaço Colónia Balnear, na Praça da Varina, na Torreira, até ao próximo dia 25 de Julho.
A não perder.

 
sexta-feira, julho 22, 2005
  Dois Anos de "Um Murtoseiro"

Nestas coisas dos blogues os lapsos temporais são muito relativos. Todos os dias nascem dezenas de novos blogues e desaparecem outros tantos. São muitos os factores que determinam a longevidade de um blogue, sendo que, de todos, os mais importantes são a pertinácia do autor e o interesse dos seus escritos.

O certo é que dois anos a escrever Posts representa um lapso temporal digno de registo e um exemplo claro de que os blogues não são, como alguns advogam, uma moda passageira e inconsequente.

Aqui fica, como tal, a devida vénia ao "Um Murtoseiro", o precursor da Blogos Marinhoa, e ao seu criador, o Manuel Arcêncio.

 
  Teatro na Murtosa

O Teatro Amador foi, em tempos não muito longínquos, um dos grandes pólos aglutinadores da juventude murtoseira, onde despontaram talentos e se cultivou a bela arte da representação.

Foi, por isso, com grande satisfação que tomei conhecimento que o Grupo de Teatro do Coro de Santa Maria da Murtosa, uma das mais jovens associações murtoseiras, levará à cena a Peça "O Cravo Espanhol", uma comédia em 3 actos de Raúl Correia, com encenação de Diogo Barros.

O Elenco é constituido, como não podia deixar de ser, pela Prata da Casa e a representação acontecerá amanhã, sábado, pelas 21:15, na Sala de Espectáculos da Junta da Freguesia da Murtosa, vulgo "Casa dos Escuteiros".

Infelizmente, os meus "timings" profissionais não me permitirão assistir ao espectáculo. Mas deixo aqui esta nota para os leitores, juntamente com um bem-haja ao Grupo de Teatro, pela vontade empreendedora que demonstra.

 
quinta-feira, julho 21, 2005
  Leituras de Verão, II

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Há tempos recebi um e-mail - dos muitos que me chegam diariamente à caixa de correio - com uma história bastante curiosa, que me chamou a atenção  pela simplicidade e enorme verdade que encerrava.

A acção passava-se num cemitério e era mais ou menos assim: um indivíduo colocava um ramo de flores na campa de um familiar quando reparou que, na campa ao lado, estava um chinês deixando uma taça com arroz. O primeiro virou-se para o oriental e perguntou-lhe, em tom jocoso, se ele achava mesmo que o defunto viria comer o arroz. Sem desarmar, o chinês retorquiu: "claro, quando o seu vier cheirar as flores".

O e-mail terminava com uma pequena reflexão sobre a virtude que é o respeito pelas opções, ideias e convicções distintas da nossa.

Sem dúvida que muita da intolerância, seja ela social, étnica ou religiosa, deriva, quase sempre, da ignorância crónica em relação às características dos outros. É da natureza humana recear aquilo que não conhece. A clivagem Ocidente/Mundo Árabe na dimensão religiosa é disso exemplo evidente.

O livro que adquiri recentemente, "História das Religiões", de Maurílio Adriani, ajuda-nos a perceber a génese e os fundamentos das principais religiões. Não é um tratado sobre o assunto mas oferece uma visão esclarecedora e sucinta do fenómeno religioso ao longo da história. Mais: mostra-nos que afinal, no fundamental, no que às religiões diz respeito, são mais as semelhanças do que as diferenças. Uma leitura fundamental.


"História da Religiões", Maurilio Adriani.
Colecção "Perspectivas do Homem", Edições 70.

 
quarta-feira, julho 20, 2005
  Steppin' Out

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Now
The mist across the window hides the lines
But nothing hides the colour
Of the lights that shine
Electricity so fine
Look and dry your eyes

We
So tired of all the darkness in our lives
With no more angry words to say
Can come alive
Get into a car and drive
To the other side

Me babe - steppin out
Into the night
Into the light
You babe - steppin out
Into the night
Into the light

We
Are young but getting old before our time
We'll leave the t.v. and the radio behind
Don't you wonder what we'll find
Steppin out tonight

You
Can dress in pink and blue
Just like a child
And in a yellow taxi turn to me and smile
We'll be there in just a while
If you follow me

Me babe - steppin out
Into the night
Into the light
You babe - steppin out
Into the night
Into the light

Joe Jackson

 
terça-feira, julho 19, 2005
  As Energias Renováveis

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A redução da dependência do petróleo – que, como nos ensinam desde os bancos da escola, algum dia acabará – e a consequente aposta nas energias renováveis parece ser uma das bandeiras do governo. Como principio, é louvável. Se, obviamente, existir uma transposição prática das ideias políticas.

Falou-se nos últimos dias da energia eólica. A propósito, vi uma entrevista na televisão a uma responsável de uma empresa que opera com apenas 4 turbinas eólicas, na zona de Loures, e que, ainda assim, tem um volume de facturação muito apetecível.

É sabido que Portugal possui invejáveis condições para a instalação de unidades de aproveitamento do vento para produção de energia eléctrica. Mas não só.

Não nos podemos esquecer da nossa localização privilegiada no que à aposta na energia solar diz respeito, com um elevado número de horas de sol por ano; ou a nossa extensíssima linha de costa, com o potencial aproveitamento da energia das marés; e as grandes explorações agrícolas que produzem grandes quantidades de biomassa; e que dizer do energia geotérmica nos Açores, por exemplo?

O maior entrave ao investimento nas energias renováveis reside no modo como estas são olhadas pelos agentes económicos, ou seja, como meras curiosidades académicas e não como alternativas viáveis aos combustíveis fósseis.

Há 2 ou 3 anos atrás, numa visita de trabalho, no terraço de umas instalações da EDP, em Setúbal, observei um sistema de painéis solares, de extensão considerável, que pura e simplesmente não funcionava. «Gastaram um dinheirão “nisso”, puseram-no aí, e aí ficou», desabafou na altura um funcionário, perante a minha curiosidade acerca da utilidade do equipamento.

Importa, por isso, mudar mentalidades e demonstrar a viabilidade económica e ecológica dos sistemas de aproveitamento de energias renováveis.  A aposta resulta num dois em um: por um lado reduz-se, efectivamente, a dependência energética do estrangeiro, e, por outro lado, criam-se mais postos de trabalho em território nacional, tanto nas unidades de produção de energia, como na indústria de fornecimento de equipamentos.

 
segunda-feira, julho 18, 2005
  "Urbanidades" - Les Éléphants Terribles

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Que belíssima surpresa, este "Urbanidades", dos portugas "Les Éléphants Terribles", que chegou ao meu conhecimento através do meu amigo Pedro, que, por sua vez, o descobriu, ao que consta, graças a uma afinidade familiar com um dos elementos da banda.

O disco, o primeiro e até agora o único do grupo, data de 2002 - embora os "Éléphants" já por cá andem desde 1995 - e bem pode ser a banda sonora perfeita para as quentes noites de Verão, com a sua mistura feliz de jazz, soul, funk e pop.

Oiça-se o funk de "ser ou parecer", com os sopros em destaque, a deliciosa linha de baixo de "quotidianos" ou as guitarras "wah wah" planantes de "os urbanos", depois do intro jazzy de "que fique bem claro". À riqueza instrumental junte-se a bela voz de Carla Pinto, num registo insinuantemente "cool" e ficamos com a fórmula perfeita.

Façam favor de os descobrir. Do melhor do género feito em Portugal, garanto eu.

 
domingo, julho 17, 2005
  Babilónia

Há coisas só possíveis numa grande metrópole como Lisboa: ir no metro e estar rodeado por uma espanhola a ler Allende, um casal de holandeses a esmiuçar o mapa da cidade, duas brasileiras a conversar alegremente, um paquistanês silencioso e uma ruidosa família de chineses.

 
  Divagações de Fim-de-Semana, IV

Nem no Metropolitano o comum dos cidadãos pode estar sossegado. Desde que alguém resolveu instalar plasmas e retroprojectores nas Estações de Metro, somos bombardeados com Publicidade a tudo e mais alguma coisa, numa emissão contínua, intervalada aqui e ali por uma notícia da actualidade.

Graças ao um videoclip que passa insistentemente, enquanto espero pelo comboio seguinte, vejo-me confontado com a chocante realidade:  os "D'ZRT", a banda maravilha do momento, afinal são uma mega-fraude. Os moços cantam, dançam, pulam, mostram as carinhas larocas...mas tocar, népias! Nem uma nota!

Aquilo que é embrulhado com uma jovem banda rock, não passa afinal de uma Boys Band com banda de suporte, para "Pita" histérica ver.
Voltem "New Kids on The Block", estão perdoados!

Logo depois desta dismistificação do logro juvenil apanho com a promoção da colectânea "Broken Dreams", que junta, no mesmo pote, os Linkin' Park, Green Day, 3 Doors down, entre outros do género.

E pronto, lá aparecem as tais músicas  negro-urbano-depressivas,  tipo "ò-pra-mim-que-aqui-tou-tão-desgraçado-nesta-sociedade-que-não-me compreende-mas-a-ganhar-uns-ricos-cobres-à-custa-dos-putos-que-ouvem-esta-treta", entoadas por vozes desesperadas que parecem ecoar de uma latrina em dia de forte obstipação.

Chiça! Ainda bem que o Metro já aí vem...

 
sábado, julho 16, 2005
  Filarmonia das Beiras

Depois de um período de grande instabilidade que culminou com a extinção da Filarmonia das Beiras em Outubro do ano passado, parece que finalmente foi encontrada a solução para viabilizar a Orquestra.
Boas notícias, portanto.

Quem, como eu, se habituou a assistir aos concertos da Filarmonia e, através deles, tomou contacto directo com grandes obras e compositores, alguns contemporâneos, percebe bem a importância da manutenção de uma Instituição como a Orquestra das Beiras.

Podem ler aqui a notícia do Diário de Aveiro.

 
sexta-feira, julho 15, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XIX

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"Mais do Mesmo" - Legião Urbana (1998)

O nome Legião Urbana não dirá muito à esmagadora maioria dos portugueses, como os Xutos e Pontapés ou o Jorge Palma pouco dirão aos brasileiros, por exemplo. Apesar disso, cada um no seu lado do atlântico, todos têm em comum o facto de serem considerados uma espécie de voz de uma geração, com músicas que fazem parte do imaginário colectivo.

Descobri os Legião Urbana há poucos anos atrás, quando o meu amigo Carlos Gomes - um fã da melhor música do Brasil - me mostrou a música "Faroeste Caboclo", um épico de 9 minutos sobre a vida de "João do Santo Cristo", um fora-da-lei, retrato fiel e extraordinário do imaginário de um certo Brasil.

Este "Mais do Mesmo" é, por assim dizer, o testamento musical dos Legião Urbana, editado dois anos depois da morte de Renato Russo, e serve como uma excelente aproximação ao universo do Grupo.

Tratando-se de uma colectânea em que as músicas seguem uma sequência cronológica, é possível distinguir as várias fases da produção musical da Legião, do intervencionismo e da raiva dos primeiros tempos ("Geração Coca-Cola", "Que Pais é Esse?" ) até à introspecção e à doçura das músicas últimos discos ("Vento no Litoral", "Antes das Seis").

Talvez a receita do sucesso resida apenas e só na simplicidade da música, que surge sem artifícios, aberta e verdadeira - crua por vezes -, interpelante e provocadora. Tudo cabe na música da Legião Urbana: a política, a religião, a ecologia, a sociedade e a complexidade das relações humanas. Façam favor de os descobrir.

 
quinta-feira, julho 14, 2005
  A Memória da Murtosa

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Que papel tem a memória do passado num Concelho que se deseja de olhos postos no Futuro? A pergunta assaltou-me ao folhear um exemplar do livro "Murtosa FotoMemória, que simpaticamente me foi oferecido pela coordenadora da edição, a jornalista Alexandra Farela Ramos.

A verdade é que a Memória tem uma importância capital na construção e no cimentar da nossa identidade. Nada do que somos hoje, física e socialmente, surgiu do nada. Há toda uma sucessão de acontecimentos, de decisões e de decisores, de bons e de menos bons direccionamentos, que, ano após ano, década após década, nos trouxeram até ao momento presente.

O livro "Murtosa FotoMemória tem o mérito de nos abrir uma janela para o passado, compilando uma série de fotografias que nos mostram vários aspectos do Concelho até à década de 60 do século XX, com alguns apontamentos que enquadram cada uma das imagens. Penso que aí a edição poderia ter sido mais ambiciosa, aproveitando a componente visual como fio condutor para traçar um perfil histórico do Concelho.

Este livro, como álbum de fotografias que é, tem esse condão mágico de despertar a curiosidade de quem o folheia: os mais novos pela oportunidade de espreitarem, com os olhos de outrora, os lugares que hoje conhecem; os mais velhos pela recordação dos rostos e dos sitios que fizeram a sua própria história.

 
quarta-feira, julho 13, 2005
  O Sr. Zé Maria

Há mais de 20 anos, seguramente, que mantenho um hábito que nem a minha ida para Lisboa foi capaz de interromper: cortar o cabelo na Barbearia do sr. Zé Maria, ali para as bandas do Chão do Monte, no Bunheiro. Após tantos anos de frequência, a pergunta, "então, como vai ser desta vez?", com que sou brindado quando me sento na majestosa cadeira de barbeiro, não passa de mera retórica. Há muito que o Sr. José sabe exactamente como quero o meu corte de cabelo.

Ao longo dos tempos, o espaço da Barbearia pouco ou nada mudou: um anexo à sua residência, a velha cadeira de barbeiro em frente ao enorme espelho, a parafernália de tesouras, pentes, perfumes, as revistas da "Boa Nova", o jornal da Casa do Gaiato, os diários desportivos, folheados nas esperas pela vez, e o rádio sintonizado na "Renascença" em regime de permanência.

Fui ganhando uma estima enorme pelo Sr. José Maria, fruto dos muitos anos de convivência, das horas e horas de conversa animada entre duas tesouradas. Aliás, esse é um ponto importante: na Barbearia do sr. José a pressa é palavra sem significado.

O tempo escorre ao ritmo da pente e da tesoura, mas também do interesse da conversa. Se o tema é suficientemente estimulante, os instrumentos fazem pausas cíclicas, como se a importância daquele pormenor, ou de um determinado ponto de vista, não se compadecesse de ruidos de fundo. O certo é que um corte de cabelo na Barbearia do Sr. José acaba por durar nunca menos de uma hora.

Das conversas, longas e animadas, o sr. José retém sempre algo. Fale-se da labuta do mais simples dos lavradores ou dos mais recentes avanços tecnológicos, a todos o Sr. José escuta com o entusiasmo. E porque as conversas são como as cerejas, os argumentos de uns e de outros servirão, pela certa, de mote para tertúlias futuras, quando novos protagonistas ocuparem a cadeira de barbeiro.

 
terça-feira, julho 12, 2005
  Biclas

Hoje, ao regressar da bica na Torreira, deparei-me com um grupo numeroso de crianças - escuteiros, a julgar pela indumentária - que se passeavam de bicicleta, em plena Nacional 327, seguindo ordenadamente no curto espaço entre a linha que limita a faixa de rodagem e o limite físico da estrada, lado a lado com o intenso movimento de automóveis que rumavam à Torreira.

É, de facto, mais do que urgente a construção de uma pista ciclável - separada fisicamente das faixas de rodagem - que permita a circulação em segurança daqueles que pretendam disfrutar, sem pressas, da bela paisagem da Beira-Ria.

 
segunda-feira, julho 11, 2005
  A Guerra dos Mundos

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Consta que o Sr. Spielberg "despachou" a filmagem desta "Guerra dos Mundos" em apenas 72 dias, um dado surpreendente quando olhamos para a dimensão visual do filme. A verdade é que de Extra-Terrestres percebe o realizador americano, se bem que os da obra de H.G. Wells nada tenham a ver com o amistoso "ET".

Apesar de "encher o olho", "A Guerra dos Mundos não se limita ao mero espectáculo visual. No meio do frenético desenrolar do filme - com algum anti-climax no final, é certo - existem subtilezas q.b. Desde logo a mudança do personagem principal (Tom Cruise), transformado em "working class hero", o tipo divorciado e egoista, que vive para si próprio, e que de repente se vê com a responsabilidade de zelar pelos seus filhos, perante a ameaça alienígena. Ou a imagem do êxodo da população, uma alegoria clara à realidade dos refugiados. Ou ainda a figura ambígua do personagem interpretado por Tim Robbins.

Não sendo nada de extraordinário, "A Guerra dos Mundos" é, sem dúvida, um filme a ver. Já agora também pela curiosidade das tão propaladas cenas gravadas no Ironbound, em plena Ferry "Portugal Avenue" Street. Os olhares mais atentos encontrarão a montra da "Leslie Furniture" ou o reclamo da "Ouriversaria Portuguesa".

 
domingo, julho 10, 2005
  Divagações de Fim-de-Semana, parte III

São no mínimo curiosos os fluxos urbanos na capital aos fins-de-semana. Enquanto quem cá vive trata de se pôr a milhas - a menos que esteja a trabalhar, como é o caso deste vosso escriba -, a cidade é invadida pelas famílias suburbanas, que a elegem para o seu passeio domingueiro.

Nada mais natural, poderemos pensar, até porque afinal Lisboa tem imenso para ver e visitar: A Baixa, as ruelas de Alfama, o Castelo de S. Jorge, o Jardim Zoológico, os Museus, Belém, as Docas, e por aí fora.

Mas não. Não são esses os destinos dos visitantes. O belo do domingo quente e solarengo de Verão, a convidar para a praia ou para o piquenique, é passado, imagine-se, nos Centros Comerciais.

Os Colombos, Vascos da Gama e quejandos, ficam literalmente a abarrotar de famílias inteiras, que se passeiam aos magotes nos corredores a ver as montras, como quem se passeia à beira-rio e disfruta de bela paisagem.

Amanhã o dia será igual a todos os dias. Casa-trabalho, trabalho-casa. Hoje, ao menos, sonha-se com o fato "Boss" ou com o plasma enorme da Worten. E assim se passa um domingo de sol: uns gastando os poucos trocos que têm, os outros destilando a frustração de os não terem, todos ansiando secretamente pelo dia em que lhes sairá o Euromilhões.

 
  Baladas do Asfalto e outros Blues - Zeca Baleiro

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É inevitável que este "Baladas do Asfalto e outros blues" surpreenda aqueles fans que, como eu, tenham acompanhado a produção de Zeca Baleiro desde "Por onde andará Stephen Fry". Ao habitual "pout pourry" musical, com referências ao samba, ao funk, até ao forró, misto de tradição e modernidade, Baleiro contrapõe aquele que é, porventura, o seu disco mais linear até ao momento.

"Baladas do Asfalto..." faz jus ao nome: um desfile de músicas deliciosamente pop-rock, autêntica "music for the road". A minha experiência radiofónica diz-me que as esmagadora maioria destas músicas têm um potencial de "airplay" notável, estejam as Rádios atentas. Mas nada de equívocos: se a base instrumental surge simples e sem artifícios, já as letras carregam a sofisticação, a dupla intencionalidade e a ironia de sempre.

Destaque para "Balada do Asfalto", "Cigarro" ou "O Silêncio". A edição portuguesa do disco traz, em jeito de homenagem à música portuguesa, da qual Baleiro se diz fã, a curiosidade adicional de ouvirmos o clássico "Frágil", de Jorge Palma, com o sotaque do outro lado atlântico.

 
sábado, julho 09, 2005
  Sebastião Salgado

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Um mutilado, vítima da guerra, anda com muletas no meio das ruinas da avenida Jade Maiwan.
Sebastião Salgado, Cabul, Afeganistão, 1996.

Como entusiasta da fotografia, e do fotojornalismo em particular, há muito que admiro a obra do Mestre Sebastião Salgado, o fotógrafo brasileiro que tem percorrido os quatro cantos do Mundo, registando a pobreza, a guerra, o sofrimento, em fotos impressionantes pelo seu realismo e acutilância.

Ontem tive a oportunidade de ver um documentário sobre a obra de Sebastião Salgado, onde o próprio fala sobre a sua experiência em cenários terríveis, revelando, para além do grande profissionalismo, a profunda humanidade por detrás do fotógrafo.

Retive estas palavras de Salgado, para quem a fotografia é, acima de tudo, uma Missão: "As pessoas aproximam-se da tua objectiva como se aproximariam de um microfone ou de uma câmara de televisão. Querem contar a sua história e tu tens a responsabilidade enorme de a dar a conhecer ao Mundo".

 
quinta-feira, julho 07, 2005
 

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Os atentados de Londres mostram bem o grau de vulnerabilidade dos Países Ocidentais perante a ameaça invisível do Terrorismo.

As consequências do bárbaro e cobarde acto, e de todos os que o precederam, vão muito para além dos danos materiais e, infelizmente, humanos. Há todo um edifício civilizacional, baseado em valores sociais, políticos e económicos, que é posto em causa.

 
  Saber Fazer ou Saber Aprender

À semelhança do João Cruz, também eu fiquei estupefacto com a notícia que dava conta do caso da empresa de Sever de Vouga que, tendo aberto 20 vagas para soldadores, serralheiros, caldeireiros e montadores, não teve um único interessado, mesmo tendo em conta a elevada taxa de desemprego existente em Portugal.

Falta quem queira trabalhar? Não. Pelos vistos falta que esteja habilitado a exercer as funções pretendidas. A escassez dos chamados quadros médios parece derivar da política de ensino adoptada nos últimos anos, que acabou com os Cursos Técnico-Profissionais, ou seja, com a formação escolar virada para o saber-fazer.

Esse é precisamente o cerne da questão. Para onde devemos direccionar o Ensino Secundário?  A discussão não cabe, como é óbvio, em meia dúzia de linhas de um Post, mas mesmo assim gostaria de deixar algumas ideias sobre o assunto.

A especialização numa determinada área, e apenas nessa área, logo no Ensino Secundário – como era apanágio dos Técnico-Profissionais – tem uma vantagem óbvia: o aluno sai da Escola preparado para enfrentar imediatamente o meio laboral.

No entanto, tendo em conta as características actuais do mercado de trabalho – principalmente ao nível da flexibilidade de funções -, o afunilamento dos conhecimentos num determinado sentido restrito poderá ter resultados desastrosos para o trabalhador, se, por exemplo, num determinado contexto, a sua função deixar de fazer sentido.

O Ensino mais generalista, em contraponto à visão anterior, não produz especialistas. Há que perceber, no entanto, a bondade do Modelo, mesmo que, infelizmente, às vezes não passe do plano teórico. A abrangência dos conhecimentos ministrados tem como objectivo primordial, não ensinar a fazer, mas antes ensinar a aprender.

Este direccionamento é particularmente importante no caso da formação nas Novas Tecnologias, por exemplo, onde a evolução é de tal maneira vertiginosa que, se o indivíduo não desenvolver mecanismos de apreensão rápida, facilmente é ultrapassado pela tecnologia. Mesmo que, num determinado momento, tenha conhecimentos sólidos de uma determinada matéria.

Este Modelo, aparentemente o ideal nos tempos actuais, segundo o qual o aluno, à saída da Escola, deve estar capacitado para se adaptar a qualquer função, esbarra em dois grandes obstáculos:

Primeiro, seja pela metodologia usada, seja pela fraca apetência dos alunos, a maior parte das vezes esses mecanismos de aprendizagem não são, de facto, incutidos nos estudantes, fazendo com que muitos se sintam literalmente perdidos na primeira experiência laboral.

Segundo, o sucesso do Modelo pressupõe uma coisa muito importante: a formação no meio empresarial. Sabemos quanto as Empresas – salvo raras excepções, naturalmente – são avessas ao investimento na formação. Formar custa tempo e custa dinheiro, pelo que as Empresas preferem à partida quem já saiba fazer, em detrimento daqueles que demonstrem vontade e capacidade para aprender.

 
quarta-feira, julho 06, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XVIII

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"Amused to Death" - Roger Waters (1992)

Por alturas do Liceu, aí em 92 ou 93, tinha uma fixação fortíssima pelos Pink Floyd. Conhecia de cor o alinhamento de todos os álbuns - que, um a um, fui adquirindo -, dissecava cada uma das letras, sabia tim-tim por tim-tim a história da banda e dos seus elementos. Lembro-me até da disputa que mantinha com os meus colegas de então, o Mário e o Paulo, sobre qual seria a melhor banda do Mundo: os Queen ou os Pink Floyd...

O certo é que, alguns anos depois, a febre dos Floyd passou, embora continue a admirar a banda, pela relevância que esta teve na música popular dos últimos 40 anos. Por isso, foi com natural satisfação que assisti à reunião, para o Live 8, daquela que é a formação clássica do Pink Floyd: Gilmour, Wright, Mason e o desavindo Waters.

Diga-se, em abono da verdade, que a alminha criativa dos Floyd era precisamente Waters. Se dúvidas existirem, compare-se a discografia floydiana antes e depois da saída do Mestre. Que representa um "Division Bell" (1994) ao lado de "The Wall" (1979) ou de  "Wish You Were Here" (1975)?

Imbuído deste espírito retro, fui desencantar, para a minha viagem de ontem até à Capital, um disco a solo de Waters, "Amused to Death", o terceiro (e até agora último) do ex (?) -baixista da banda britânica, um álbum extraordinário, que na altura foi recebido com frieza por alguma crítica, que o acusava de soar "excessivamente a Pink Floyd"!

"Amused to Death" é um álbum conceptual que gira à volta da influência dos Média - e da Televisão em particular - na sociedade ocidental. Um Waters militante mostra o seu olhar cáustico sobre a manipulação das massas, a política obscura e a religião, de forma criativa e extremamente irónica. "What God Wants", "The Bravery of Being Out of Range" ou "Amused to Death", não perderam, 13 anos depois, a sua actualidade e intencionalidade.

 
terça-feira, julho 05, 2005
  Notas da Blogosfera

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É oficial. "O Barnabé", uma das referências da Blogos Lusa, fechou a Loja. Ao que parece, foram as dissensões entre os membros da equipa de escribas do blogue a ditar o seu fim. Quanto maior é a Nau...

Aqui pelas bandas marinhoas, apraz-me receber o novíssimo "Traulitadas", do Luis Aresta, a mais recente adição à já extensa lista de web logs murtoseiros. Outra boa notícia é que o "Murtosismos e Afins", do Luis Barbosa, afinal estava só em hibernação. E eu que até já o tinha adicionado à coluna "r.i.p."...

Por falar em Blogosfera Murtoseira, vale a pena espreitar o trabalho do jornalista Júlio Almeida, publicado no semanário "O Aveiro" e reproduzido igualmente no portal "Notícias de Aveiro", acerca desse "case study" que é o fenómeno dos blogues aqui neste pedaço de terra à beira-ria plantado.

 
segunda-feira, julho 04, 2005
  Arte Contemporânea na Torreira

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Iniciando o Ciclo de Exposições que animará o Espaço Colónia Balnear, na Praça da Varina, na Torreira, durante o Verão, encontra-se patente ao público um conjunto de trabalhos de Pintura e Escultura do artista murtoseiro, e meu amigo, José Pedro Tavares.

Da Exposição, para além da pintura, sobressaem as instalações que combinam o ferro - um material novo na criação do artista - com espelhos estrategicamente colocados, criando um interessante e criativo jogo visual de reflexos, sombras e luz.

A não perder, até ao dia 7 de Julho.

 
  snapshot #7

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domingo, julho 03, 2005
  Murtosa Radical

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"Somos poucos mas brutalmente bons!" A "boca" do carismático e exuberante vocalista dos murto-aveirenses "Ate Run Him", o meu amigo Afonso Martins - perdão, Afonsini Martini - resume bem a noite de concertos no Estádio Municipal da Murtosa. O campo da bola foi um cenário demasiadamente grande para um evento como o de ontem, com os espectadores a juntarem-se em grupos em redor do palco, criando a sensação de pouca afluência.

Neste Cartaz do " I Fim de Semana Radical" não haviam nomes sonantes. Mas as performances dos "Slot Machine", da Torreira, dos "4 Degrees", da Murtosa, e dos já citados "Ate Run Him" - quando cheguei, os aveirenses "Bodhisattva" já tinham actuado - foram verdadeiramente surpreendentes, pela consistência, pela qualidade dos músicos e, sobretudo, pela originalidade do material apresentado. Arrisco vaticinar que vamos ouvir falar de algumas destas Bandas no futuro.

Como em tudo, haverão alguns aspectos a melhorar em organizações futuras. Desde logo a divulgação, que foi pouca e muito tardia. Valeu essencialmente o passa-palavra. Um evento desta natureza deve começar a ser divulgado com pelo menos 3 semanas de antecedência. 

Dada coincidência temporal com as férias de Verão talvez não tivesse sido má ideia realizar os Concertos na Torreira, no parque de Estacionamento junto à Escola Integrada, por exemplo. Teria chamado muito mais público, e não só da Murtosa.

De qualquer modo, o saldo é claramente positivo. Estão de parabéns as Bandas, o Público e a Organização.


Post Scriptum 1: Vejam aqui algumas fotos dos Concertos, tiradas com a "Fish-Eye" do Mike.

 
sábado, julho 02, 2005
  Leituras de Verão, I

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(...) Aquele homem que sabe que o pólen viaja preso à arbitrária vontade do vento, mas confiante e a sonhar com a fértil  terra que o espera, aquele homem é meu irmão.
E o meu irmão sabe muitas coisas. Sabe, por exemplo, que um grama de pólen é como um grama de si mesmo, docemente predestinado ao lodo germinal, ao mistério daquilo que se erguerá vivo de ramos, de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações, do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade. (...)

Luis Sepúlveda, As Rosas de Atacama.

 
sexta-feira, julho 01, 2005
  A Murtosa Georreferenciada

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No âmbito do Projecto SIGRIA, é já possível consultar, no site da Câmara Municipal, a informação virtual georreferenciada de todo o Concelho da Murtosa.

Para além da óbvia curiosidade de poder observar a Murtosa "vista do céu" através das Ortofotos, a plataforma SIG (Sistema de Informação Geográfica) inclui toda a informação de toponímia, pontos notáveis e edifícios, permitindo a navegação com recurso a zooms sucessivos.

Este é sem dúvida um recurso de grande utilidade, ao nível de Ordenamento do Território, Planeamento Urbano ou simples Cadastro, e pode ser consultado em: http://www.cm-murtosa.pt/Sigria/viewer.htm

 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

Este blog é publicado, em simultâneo e com permissão de comentários, no Sapo:
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