Santa Terrinha
terça-feira, maio 31, 2005
  Homens Estátua na Torreira

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No próximo domingo, dia 5 de Junho, a Praça da Varina, na Vila da Torreira, irá acolher o IV Encontro de Homens Estátua da Murtosa, um evento bem curioso que começa já a ter alguma "tradição" por estas bandas.

As movimentações - ou a ausência delas - começam por volta das 15h e a organização, como é habitual, é da Coordenação Cultural da Câmara Municipal da Murtosa.
Para aguçar o apetite, podem
ver aqui algumas fotos da edição do ano passado.

 
segunda-feira, maio 30, 2005
  Murtosa no seu melhor

Segundo o site da Rádio Voz da Ria, o atleta murtoseiro Pedro Cirne foi um dos cinco convocados pela Federação Portuguesa de Atletismo para defender as cores nacionais "naqueles que são considerados como os Jogos Olimpicos para jovens", em Banguecoque, na Tailandia."

Na prova internacional tailandesa, que se irá disputar entre 31 de Junho e 10 de Julho, o jovem atleta da Associação Cultural Bunheirense irá competir nas especialidades de 1500 e 3000 metros. A convocatória de Pedro Cirne representa assim o reconhecimento, por parte da F.P.A., das suas excelentes prestações desportivas .

Deixo os meus votos de muito sucesso para esta importante prova e para todas as outras que, por certo, se seguirão na carreira do Pedro. A Murtosa precisa de gente que a coloque nas "bocas do mundo" pelas melhores razões e, por isso, estaremos todos a torcer pelo "nosso" atleta.

 
domingo, maio 29, 2005
  Good News

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Vá lá, vá lá, que nem só de tristezas se fez este meu domingo. Segundo a Newsletter que recebi via e-mail, está para breve a edição do novo disco da minha musa inspiradora Rosie Thomas, um dos mais inspirados ( e inspiradores) nomes do songwriting contemporâneo.

A escuta de "Two Dollar Shoes", (right click ->save target as) do primeiro disco de Rosie Thomas, permitirá aos menos familiarizados com a música da menina perceber o porquê da devoção que lhe é dispensada por este vosso escriba.

 
  Balanço

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Por norma, por uma questão de princípio e de interesse despertado (sob o ponto de vista do autor, naturalmente), o futebol não alimenta grandes escritos aqui pela Santa. No entanto, agora que está encontrado o (justo) vencedor da Taça de Portugal - o Vitória de Setúbal - vêm a propósito duas ou três notas sobre a época que agora termina.

Em jeito de balanço, no que às minhas preferências clubísticas diz respeito, posso dizer que a coisa se cifra num misto de alegria e de alguma tristeza. Se, por um lado, o Benfica se sagrou Campeão Nacional após 11 anos de espera - motivo mais do que suficiente para celebrar - por outro, deixou fugir a almejada "dobradinha", quando tudo parecia indiciar o contrário.

Por fim - e porque, apesar de simpatizante do Benfica, como diz o emblema, "Aveiro está sempre em primeiro" -, não posso deixar de confessar o meu desalento pela despromoção do meu Beira-Mar, uma equipa que pertence claramente ao universo primodivisionário, ao qual espero que regresse rapidamente.

 
sábado, maio 28, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XIV

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"The Blue Moods of Spain" - Spain  (1995)

Nem sempre é fácil gerir uma carreira em nome próprio quando se é filho de gente famosa. Maria Rita Mariano que o diga: a comparação com a diva Elis Regina é tema recorrente em qualquer entrevista. Bem mais discretos, apesar da ascendência de peso, são Jakob Dylan, dos Wallflowers e Josh Haden, fundador dos Spain.

Foi precisamente o excelente "The Blue Moods of Spain", disco de estreia do colectivo em tempos liderado pelo filho do contrabaixista Charlie Haden, que me fez companhia na viagem de hoje até à Capital.

A beleza subtil e a lassidão dos ritmos lentos,  inspirados no cool-jazz, no blues e em alguma soul dos anos 60, transformam a música dos Spain numa verdadeira terapia anti-stresse, para ouvir sem pressas. Como alguém disse, "o equilibrio perfeito entre o estilo e a substância".

 
sexta-feira, maio 27, 2005
  Portugal, Devoradores de Mar

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Há sempre algo de fascinante num olhar forasteiro sobre uma realidade que conhecemos. "Portugal, Devoradores de Mar", mostra precisamente o olhar atento e apaixonado da fotógrafa espanhola Candy Lopesino sobre as gentes do litoral português.

O título parece abrangente, mas o curioso neste álbum é que a maior parte das fotografias foram registadas precisamente na Praia da Torreira. A composição gráfica é excelente e as fotos aparecem acompanhadas de excertos de "Os Pescadores" de Raul Brandão.

Esta obra belíssima chegou ao meu conhecimento através do meu amigo Zé Pedro, que, por sua vez, a conheceu através de um amigo que é amigo da Fotógrafa.
Desconheço se a obra está editada em Portugal. A edição espanhola é da Demipage.

 
quinta-feira, maio 26, 2005
  Sossego

As chamadas Moto 4 são uma praga que concentra num só veículo o pior de dois mundos: enfiam-se facilmente por locais onde as suas primas de 2 rodas nem sonham circular e, adicionalmente, conseguem produzir tanto ruído como estas.

Hoje, num passeio que se desejava tranquilo, a pé, pelos caminhos da Ribeira até ao Bico, cruzei-me com vários exemplares desses brinquedos, conduzidos com alarido por candidatos a pilotos todo-o-terreno.

No Bico constatei um quadro bem demonstrativo de uma certa maneira de estar de muito boa gente: quem, aproveitando o dia feriado, procurou as potencialidades da Praia Fluvial, teve de partilhar o areal com as tropelias exibicionistas - e perigosas - dos Motoqueiros.

Porque ter um veículo todo-o-terreno não significa que se pode circular por tudo o que é sítio, a bem da segurança e do sossego, é bom que se intensifique a fiscalização por quem de direito.

 
  Questionário Musical

O desafio irrecusável veio da Rosário - ou terá sido do seu Alter-Ego?-, portanto aqui ficam as minhas respostas ao questionário:


1) Tamanho total dos arquivos no meu computador?
No computador tenho cerca de 15 GB de mp3. Tenho muitos mais espalhados por dezenas de CD-Rs. Normalmente uso o download de músicas para conhecer coisas novas. Se gostar, compro os discos.


2) Último disco que comprei:
Uma larga percentagem do meu orçamento é gasta em discos.
Não sei se foi o último, mas pelos menos foi dos últimos que comprei: O álbum
"Mercy Now", de Mary Gauthier.


3) Canção que estou a escutar agora:
"Babylon", do Zeca Baleiro. Uma música deliciosa e com uma letra fantástica.
Tem muito a ver com os tempos actuais.


4) Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim:
(Quem me conhece sabe que é difícil escolher apenas 5. A selecção que se segue é mais ou menos espontânea e eclética q.b.)


- Sou um fascinado pelo 2º Andamento (Andante) da "Sinfonia nº40 de Mozart, em sol menor k.550". Tenho 6 gravações distintas da obra.
Mozart foi um génio. O maior, talvez.

 


- "Wave" - "vou-te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender..." - na voz do grande João Gilberto.
("Amoroso", 1977)

 


- "Summertime" de Gershwin, pelo mestre Miles Davis.
( "Porgy and Bess", 1958 ou "The Essential", 2001)

 


- "One more day", do segundo álbum da Rosie Thomas.
Como dizia certa vez o "Blitz": tão belo, tão belo que até doi.

("Only with laughter can you win", 2003)


- Cohen a cantar Garcia Lorca, no extraordinário "Take This Waltz".
("I'm your Man", 1988)


 

- Ainda hoje me emociono cada vez que oiço "A Canção dos Verdes Anos" de Carlos Paredes. Mais ninguém conseguiu cristalizar numa só música essa coisa inexplicável que é o "sentir português".
( "Guitarra - o melhor de Carlos Paredes", 1998)

(Epá, o melhor é ficar por aqui porque já escolhi 6....)


5) Lanço o testemunho a outros cinco (seis) bloggers, Murtoseiros e com costela:
Carolina
Eunice
Joaquim
Celine
Manuel Arcêncio
João Cruz


6) Razões para a escolha:
Tudo gente com bom gosto musical, capaz de dar excelentes sugestões.

 
quarta-feira, maio 25, 2005
  Precisamos de mais Universidades?

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Os números ontem divulgados só vêm dar razão à decisão do Governo de travar a criação de Universidades "à la carte". Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, se  a nota mínima de 9,5 valores tivesse sido exigida no último ano lectivo, cerca de 10% dos alunos colocados no ensino superior teria ficado de fora.

Se a este factor adicionarmos o constatável decréscimo no número de alunos que se candidatam anualmente a um lugar na Universidade, facilmente se conclui quão despropositadas são as pressões para criar mais Universidades em Portugal, nomeadamente a tão reivindicada Universidade de Viseu.

Os presidentes de Câmara e as "forças vivas" devem perceber que uma Universidade não é uma rotunda, uma piscina ou um pavilhão.  Os caprichos do tipo "o meu vizinho tem, eu também quero", correm o risco de parecer injustificáveis quando o momento nacional exige estratégia e ponderação.

 
terça-feira, maio 24, 2005
  Ani Difranco

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Há nomes que nos perseguem. Nos jornais, no expositor da loja de discos, nas palavras entusiasmadas do amigos. E nós, sem razão aparente, vamos passando ao lado deles, inconscientemente adiando o encontro inevitável.

Foi assim com Ani Difranco. Uma distracção absolutamente imperdoável. Basta ouvir este "Studyind Stones" para perceber porquê. Podem fazer o download neste link.

 
segunda-feira, maio 23, 2005
  Povo que Canta

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Ora aí está um verdadeiro exemplo de serviço público: a série "Povo que Canta", que recupera o nome do programa e a senda de Michel Giacometti, trinta anos depois.

A equipa de produção percorreu, durante dois anos, o País de uma ponta à outra - Madeira e Açores incluídos - em busca dos sons tradicionais e dos seus executantes.

Um documento verdadeiramente notável e esclarecedor para quem se interessa pela Música e Cultura populares. Passa aos domingos de manhã, na RTP 1.

 
domingo, maio 22, 2005
  Somos Campeões!

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  A Ponte da Varela é segura?

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A pergunta é pertinente, e este Post do Daniel Fonseca levanta legítimas dúvidas.

 
  Hold on

They hung a sign up in out town
’if you live it up, you won’t
Live it down’
So, she left monte rio, son
Just like a bullet leaves a gun
With charcoal eyes and monroe hips
She went and took that california trip
Well, the moon was gold, her
Hair like wind
She said don’t look back just
Come on jim
(chorus)
Oh you got to
Hold on, hold on
You got to hold on
Take my hand, I’m standing right here
You gotta hold on

Well, he gave her a dimestore watch
And a ring made from a spoon
Everyone is looking for someone to blame
But you share my bed, you share my name
Well, go ahead and call the cops
You don’t meet nice girls in coffee shops
She said baby, I still love you
Sometimes there’s nothin left to do

Oh you got to
Hold on, hold on
You got to hold on
Take my hand, I’m standing right here, you got to
Just hold on.

Well, God bless your crooked little heart st. louis got the best of me
I miss your broken-china voice
How I wish you were still here with me

Well, you build it up, you wreck it down
You burn your mansion to the ground
When there’s nothing left to keep you here, when
You’re falling behind in this
Big blue world

Oh you go to
Hold on, hold on
You got to hold on
Take my hand, I’m standing right here
You got to hold on

Down by the riverside motel,
It’s 10 below and falling
By a 99 cent store she closed her eyes
And started swaying
But it’s so hard to dance that way
When it’s cold and there’s no music
Well your old hometown is so far away
But, inside your head there’s a record
That’s playing, a song called

Hold on, hold on
You really got to hold on
Take my hand, I’m standing right here
And just hold on.


Tom Waits [Mule Variations, 1999]


Podem fazer aqui o download (right click->save target as)

 
sábado, maio 21, 2005
  Perspectivas

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A pergunta é incontornável cada vez que volto à Murtosa e me reúno com o meu núcleo duro de amigos, na Taska do Manel ou no Café da Terra: “Então, o que há de novo por estas bandas?” A questão, um misto de retórica de ocasião com interesse de recém-chegado, tem, quase sempre, a mesma resposta: “Nada”.

Mais dois ou três dedos de conversa e descubro que, afinal, até há uma ou outra novidade, considerada pouco significativa para ser vista como tal, na perspectiva dos residentes, mas digna de registo para quem não vive lá todos os dias. Palavra puxa palavra e eis-nos a discorrer sobre mais questões que tinham escapado ao crivo inicial.

Serve este exemplo para demonstrar que, quando confrontadas com uma mesma realidade, a visão de quem vem “de fora” é sempre algo distinta da dos residentes.
Não é melhor, nem é pior: é diferente.

Quando falamos de questões importantes para a Terra, a distância - e a consequente perspectiva “do todo” - conduz normalmente a considerações mais sintéticas e pragmáticas, em contraponto à visão “apaixonada” – e por vezes algo parcial  - de quem convive de perto com as coisas.

Os Murtoseiros na diáspora – ou nas diásporas - representam por isso um capital humano importantíssimo para a Terra Marinhoa. Juntar, ao esforço e às ideias dos locais, as experiências acumuladas no contacto com outras realidades, pode ser um factor decisivo no apontar de novos caminhos e soluções.

Para que isto seja uma realidade, duas condições têm de ser satisfeitas: os “de cá” devem acolher com interesse e abertura as boas ideias dos “de lá”. Os “de lá” devem mostrar um interesse efectivo pelos problemas e desafios dos “de cá”.

 
sexta-feira, maio 20, 2005
  Bom Fim-de-Semana!

Se há fins-de-semana em que vale a pena estar pela Terra Marinhoa e arredores, o próximo é, sem sombra de dúvida, um desses. É que a oferta cultural disponível é diversificada e de grande qualidade. Apesar dos afazeres profissionais me prenderem pela Capital do Império, gostaria de deixar algumas sugestões para todos aqueles que têm o previlégio de andar por essas bandas.

Assim sendo, e no que à Murtosa diz respeito, hoje à noite, pelas 21:30h, acontece mais uma Tertúlia "Há Hora Marcada". A Casa-Museu Custódio Prato, no Bunheiro, foi o cenário escolhido para uma conversa - que se quer animada, informal e esclarecedora - sobre a temática das tradições murtoseiras.

No dia seguinte, o Grupo Musical Bunheirense realiza o seu "Concerto de Primavera", com uma convidada especial: A Tuna Templária, do Instituto Politécnico de Tomar. O Espectáculo acontece pelas 22h, no Salão da Junta da Freguesia do Bunheiro.

Já na Cidade dos Canais, este sábado abre mais uma Edição da Feira do Livro de Aveiro. A Praça Marquês do Pombal, em frente ao Governo Civil e ao Tribunal,  acolhe o Evento, que se prolongará até 5 de Junho.

Para terminar, uma sugestão de Teatro: "Confissões das Mulheres de 30", uma comédia com Fernanda Serrano, Ana Brito e Cunha e Maria Henrique. Sábado, pelas 21:30h, no Aveirense.

 
quinta-feira, maio 19, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XIII

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"Austin" - Austin (2001)

Alguém que me diga o que é feito dos Austin, uma das bandas revelação do ano 2001 em Portugal, cujo álbum homónimo de estreia me fez companhia na viagem de hoje até Lisboa. É que desde 2003, mais coisa, menos coisa, que não oiço falar deles.

Descobri o som da banda de Miguel Jerónimo quando esta foi responsável pela primeira parte do concerto de Yann Tiersen, na Aula Magna, em Agosto de 2002. As texturas elaboradas de "Arcades" e "As our Days Allow" ficaram-me nos ouvidos, de tal forma que, no dia seguinte, fui à procura do disco.

A músicas dos Austin - e atenção que as comparações são sempre relativas - ficam algures entre os "Pulp" e uns "Rialto" menos electrónicos. Bons arranjos, riqueza instrumental, autênticas pérolas de sofisticação pop.

É nestas alturas que penso nesse "click" - ou cunha, ou outra coisa qualquer - que transforma uma banda desconhecida num fenómeno internacional. Estou-me a lembrar dos "Keane", por exemplo. O que seriam hoje os Austin se alguém lhes tivesse aberto as portas do Mercado Internacional.

 
quarta-feira, maio 18, 2005
  Cidade

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Avenida abaixo, da Estação até aos Arcos, a cidade fervilha de vida. Montras, Lojas, Gente. Depois da Rua Direita, da Praça da República até à Rua da Arrochela, por detrás do Liceu, é a cidade dos recantos, dos becos. O trilho por entre as árvores do Jardim da Baixa de Santo António, a ponte de madeira que treme à nossa passagem, o Drinks, por fim. A Artur Ravara, junto ao Parque. A Rotunda do Hospital e a Universidade já ali.

O caminho tantas vezes calcorreado. Centenas, milhares talvez.
Já tinha saudades.

 
  Dia Internacional dos Museus

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Celebra-se hoje o Dia Internacional dos Museus e, como tal, deixo duas sugestões de visita a espaços que prepararam programação especial para este dia e cuja informação me chegou às mãos.

A Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, dedicada à memória do Prémio Nobel Português, abrirá hoje as suas portas gratuitamente. Os visitantes receberão ainda uma brochura sobre a vida e obra do ilustre avanquense.

Já o Museu Marítimo de Ílhavo, para além de ter entrada livre e horário alargado - das 9h-23h -, promoverá o lançamento da reedição do livro "A Campanha do Argus", de Alan Villiers, uma forma de homenagear os homens que ao longo de décadas participaram na Faina do Bacalhau.

Casa Museu Egas Moniz
Lugar da Congosta, Rua Doutor Egas Moniz, 3860-078 Avanca

Museu Marítimo de Ílhavo
Av. Dr. Rocha Madahil, 3830-193 Ílhavo

 
terça-feira, maio 17, 2005
  Fundo do Baú, VI

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 "Misplaced Childhood" - Marillion (1985)

Quando se fala de álbuns conceptuais, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o Rock Progressivo dos Anos 70, com bandas como Genesis, Camel ou Pink Floyd. Pois a verdade é que um dos melhores álbuns conceptuais jamais editados apareceu precisamente a meio da década de 80: "Misplaced Childhood", claramente o pico criativo da "Era Fish" dos Marillion.

Apesar de muitos o catalogarem como Rock Progressivo, a verdade é que "Misplaced Childhood" não encaixa propriamente nesse conceito, até porque é um disco mais pop que rock. As músicas formam um todo coerente - factor acentuado pela ligação, sem silêncios, entre as faixas - e reportam ao universo pessoal de Fish, que assinou todas as letras.

Para além do Hit "Kayleigh" e do belíssimo "Lavender" - que fizeram a banda sonora de muita gente no Verão de 1985 - o disco "esconde" outras pérolas, plenas de melodia e de arranjos atmosféricos, como "Heart of Lothian" ou "Childhoods End".
Podem
fazer aqui o download de "Childhoods End".

 
segunda-feira, maio 16, 2005
  A simpatia

Hoje, na minha viagem de Pendular entre Lisboa e Aveiro, deparei-me com um Revisor da CP que, para além de verificar o bilhete, simpaticamente trocava duas palavras com cada um dos passageiros, buscando, a cada abordagem, um pretexto personalizado para o diálogo: o destino da viagem, o brinquedo de uma criança, a notícia na página aberta do Jornal.

Confirmado o Título de Transporte, despedia-se com um sorriso aberto e com um "Boa Viagem". Repetiu este procedimento com todos os passageiros sem excepção, ao longo de toda a Carruagem e, com certeza, ao longo de todo o Comboio. Chegada a vez de mostrar o meu bilhete, também a mim me foi dispensado igual tratamento.

Perante tão desusada manifestação de simpatia, não resisti a transmitir ao senhor a minha satisfação pela sua educação, dizendo-lhe que a sua atitude fazia mais pela boa imagem da sua empresa do que todas as campanhas publicitárias.

"É um procedimento normal, não faço mais que a minha obrigação", respondeu-me sorrindo. "Também eu sou cliente e, nessa qualidade, fico satisfeito quando sou bem tratado". Dito isto, agradeceu-me a deferência e desejou-me uma óptima viagem.

Quem conhece as mais diversas actividades que envolvem atendimento e contacto interpessoal, sabe que não é normal, e muito menos comum, tal simpatia. Só a modéstia e a simplicidade do Revisor justificará a natureza da resposta.

Há pessoas que, pela sua atitude positiva, educada e assertiva, algo que lhes é intrinsecamente natural, têm essa rara capacidade de induzir boa disposição - as chamadas "good vibes" - em quem tem felicidade de se cruzar com elas.
Bem Hajam por isso.

 
domingo, maio 15, 2005
  Sobre Sectarismos Locais e Quejandos

Como preâmbulo ao que a seguir se escreve, e para que não hajam interpretações desviadas do seu conteúdo, devo começar por dizer que, como Murtoseiro, há muito que acompanho com entusiasmo e  indisfarçável orgulho o percurso de sucesso do "Grupo Musical Bunheirense", um dos principais pólos aglutinadores das energias e do talento da Juventude daquelas bandas.

A referência ao GMB é, por isso, apenas o ponto de partida para uma pequena reflexão que gostaria de partilhar com os visitantes da "Santa Terrinha", particularmente com os Murtoseiros.

Nas visitas regulares que faço ao Site do Grupo, tenho notado um pormenor recorrente - paradigma de uma certa forma de bairrismo -, nomeadamente no Livro de Visitas, que me deixa sempre um tudo nada perplexo e, confesso, até um pouco aborrecido: raras são as vezes em que a Murtosa é destacada, apontando-se sempre o Bunheiro como referência, como se o GMB fosse uma exclusividade dos Bunheirenses, promovido apenas por e para estes.

Perdoem-me a transcrição, mas expressões como "É mesmo bom ver que o Bunheiro se renova e ganha novos valores!",  "(...)merecem (...) o respeito e o carinho de todos os Bunheirenses, Portugueses e não só..." ou "Lá estaremos todos...os bunheirenses de nascimento e os de "coração"... ", parecem-me particularmente sectárias, principalmente quando estamos a falar de uma Colectividade cujo interesse extravasa claramente os limites do Concelho, quanto mais os limites de uma simples Freguesia.

Talvez por ter nascido no Monte, a  Freguesia mais pequena do - já de si pequeno - concelho da Murtosa, cujas fronteiras facilmente se transpõem, desde criança que me habituei a calcorrear as freguesias vizinhas, a conhecer os cantos "alheios" e a fazer amigos um pouco por toda a parte.

Por essa razão, sempre cultivei uma visão integradora e abrangente da Murtosa, segundo a qual nunca o "Catrazana", apesar de orgulhosamente ostentado, se sobrepôs ao Murtoseiro. Esta perspectiva de Murtoseirismo, acima de uns quaisquer "catrazanismos", "torreirismos" ou "bunheirismos", acentuou-se particularmente quando passei a viver longe da Terra Marinhoa.

Como o Joaquim Guilherme costuma dizer, existem razões históricas, sociais e culturais que explicam a persistência de algumas perspectivas herméticas em relação a alguns núcleos populacionais da Murtosa. Este defeito ancestral, que nos impede, nos momentos chave, de remar todos na mesma direcção é, com certeza, um dos factores que explicam o nível de desenvolvimento que a Murtosa hoje ostenta.

Num Concelho composto por apenas 4 freguesias, ocupando uma área de 74Km2, é quase anedótico conceber estes sectarismos bairristas. Mas, assumidos ou não, a verdade é que eles existem e, a bem do desenvolvimento que se espera e deseja, é bom que sejam combatidos. Vale a pena pensar nisto.

 
sábado, maio 14, 2005
  Ciclovia na Intermunicipal

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Boas notícias para os amantes das bicicletas: segundo o site da "Rádio Voz da Ria", o futuro Projecto de Beneficiação da EN 109-5, cujo concurso público foi recentemente aberto pela EP - Estradas de Portugal, terá de contemplar a construção de uma pista para bicicletas.

As obras incidirão num total de 9,3Km, entre Estarreja e a Varela, divididos pelos concelhos da Murtosa e de Estareja.

Ainda segundo a "Voz da Ria", a inclusão no Projecto de uma ciclovia resulta de "uma alteração proposta pela Autarquia Estarrejense, defensora da integração de uma pista própria para ciclistas que incentive a utilização da bicicleta."

 
  Live at Earls Court - Morrissey

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Anda por aí muita gente distraída. Só assim se justifica que um dos melhores discos de 2004, "You are the Quarry", do mestre Morrissey, tenha passado mais ou menos despercebido no circuito comercial.

O recentemente lançado "Live at Earls Court" regista precisamente uma das performances da digressão de "You are the Quarry" e serve para demonstrar o quase estado de graça que o cantor britânico atravessa, num pico de criatividade e capacidade interpretativa.

"The past is a strange place", desabafa Morrisey depois de revisitar "Bigmouth Strikes Again", da era Smiths, e antes de se atirar ao excelente "I Like You", do último disco. Uma forma de afirmar que herança dos Smiths não é - nem pode ser - esquecida, mas o presente, em qualidade, não lhe fica atrás.

Indispensável.

 
sexta-feira, maio 13, 2005
  Uma Canção de Amor

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Que belo filme, este "Uma Canção de Amor" ("A Love Song for Bobby Long", no original), a primeira longa metragem de Shainee Gabel. Quando o cinema é depurado do supérfluo fica-nos apenas o essencial: as coisas simples, as emoções, os olhares e o gestos que dizem mais que quaisquer palavras.

Há uma personagem omnipresente em toda a narrativa, a qual nunca vemos fisicamente - o filme começa precisamente com o seu funeral -, nem sequer em fotos. Vê-mo-la projectada nas outras personagens, nas suas memórias, na casa onde habitam, nos livros e na música, como um elo que a todos une.

Destaques óbvios para a excelente Scarlett Johansson - nomeada para um Globo de Ouro - e para o veterano John Travolta. A não perder.

 
quinta-feira, maio 12, 2005
  Us Lózíadas

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Está aqui um notável exemplo da jovem criatividade murtoseira.
Os meus parabéns, Miguel. Continua!

 
quarta-feira, maio 11, 2005
  Os Blogues da Murtosa

Considero que os Blogues, nomeadamente os locais e mais concretamente os murtoseiros, devem essencialmente focalizar as suas energias na intervenção que vise o desenvolvimento da terra onde se inserem, abstendo-se, sempre que possível, de falar de si próprios.

No entanto, de quando em vez, principalmente quando estamos perante um período de alguma acalmia temática, não é má ideia reflectir sobre o estado de coisas da Blogosfera Murtoseira, sobre os seus objectivos, defeitos e virtudes.

Uma das grandes conquistas da Blogosfera Murtoseira - e isso é reconhecido quase unanimemente - foi ter construido uma espécie de consciência crítica virtual que, embora num plano ainda relativamente reduzido - nem toda a gente tem acesso à Net e ao conteúdo dos Blogues -, representa uma clara oposição à estagnação dos fóruns de discussão mais tradicionais.
Isto é extremamente positivo, obviamente.

Curiosamente, um dos aspectos da intervenção nos Blogues, quer ao nível dos autores dos Posts, quer ao nível dos comentadores, que mais discussões - algumas bem acesas, por sinal - tem suscitado é a questão do conhecimento da identidade do opinador.

Afinal, é ou não importante que os Bloggers e os Comentadores opinem em nome próprio, sem recurso ao anonimato ou a pseudónimos?

Por uma questão de princípio - e este é, obviamente, um princípio pessoal - não consigo conceber a opinião séria, acerca de assuntos sérios, que se pretenda respeitada e valorizada, exercida de forma anónima. A opinião responsabiliza o seu autor e, como tal, vejo o recurso ao anonimato como um subterfúgio leviano para fugir a essa responsabilidade.

É claro que nem sempre é importante que o autor de um Blogue revele o seu nome. Depende tão somente das características dos seus escritos. Como eu costumo dizer, uma coisa é afirmar, de forma irónica e divertida, que as Mulheres da Murtosa são conhecidas pelo seu "Buço"; outra coisa bem diferente é personalizar essa característica, afirmando categoricamente que a Maria Joaquina tem "Buço".

Tenho assistido, nos últimos tempos, ao aparecimento de comentários manifestamente deselegantes e até caluniosos, displicentemente produzidos ao abrigo da cobardia do anonimato, visando alguns Bloggers e até terceiros, trazendo para o plano virtual as mais execráveis características de alguns círculos mais reais: a maledicência, a crítica destrutiva e, porque não dizê-lo, a secular "dor de cotovelo".

Creio que os administradores dos blogues têm aqui uma responsabilidade soberana, no que diz respeito à permissão, ou não, de comentários anónimos de teor ofensivo. No caso da "Santa Terrinha" - já o afirmei muitas vezes - qualquer comentário impróprio é imediatamente eliminado.

Esta posição nada tem a ver com um qualquer autoritarismo ou restrição liminar da liberdade de opinião. As opiniões distintas das do autor não só são respeitadas como fortemente incentivadas. Se assim não fosse, bastar-me-ia não permitir qualquer comentário e gozaria do supremo egocentrismo da prevalência das minhas posições.

No entanto, considero que o exercício da liberdade de expressão, de forma séria e coerente, por parte do autor, não se compadece com abordagens rasteiras e mal intencionadas em comentários produzidos por anónimos.
Esta é a minha posição pessoal. Outros pensarão distintamente, como é óbvio.

A Blogosfera Murtoseira, embora ainda bastante jovem, tem sido uma incontestável "pedrada no charco", demonstrando capacidade para se tornar num motor de mudança de atitudes e de mentalidades.

Não é, nem nunca será, um campo de virtuosos nem de virtudes. Mas pode e deve ser posta ao serviço da Terra Marinhoa, afinal a principal motivação para a maior parte dos Posts, deixando de lado guerrinhas e ódios de estimação, capazes de minar aquilo que os Blogues têm de melhor.

 
terça-feira, maio 10, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, XII

"Dummy" - Portishead (1994)

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Parece que foi ontem, mas já passaram mais de 10 anos sobre o lançamento de "Dummy", dos britânicos Portishead, um dos três grandes momentos do chamado movimento "trip-hop" - antes, em 1991, os Massive Attack tinham dado ao mundo o precursor "Blue Lines" e depois, em 1996, os Morcheeba editariam "Who Can You Trust?".

Quem conhece minimamente a evolução da música popular - popular em oposição à erudita, naturalmente - sabe que todas as tendências e "modas" musicais radicam algures em experiências anteriores. No entanto, devo confessar que raras vezes terei sentido estar perante algo de tão marcantemente novo, musicalmente falando, como aquando da primeira audição de "Dummy".

A voz única de Gibbons, a atmosfera densa e escurecida de músicas como "Sour Times", "Glory Box" ou o belíssimo "Roads" fizeram do primeiro disco dos Portishead um objecto verdadeiramente marcante da década de 90.

 
segunda-feira, maio 09, 2005
  A Estrada do Bico

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Já que se fala no Cais do Bico, gostaria de deixar uma nota de satisfação pelo melhoramento - finalmente! - da estrada de acesso àquele local, novidade que não deve ter passado despercebida aos muitos visitantes do "Mercado à Moda Antiga".

Sempre me questionei porque razão os acessos aos melhores "hotspots" da Murtosa - ao Bico, à Bestida, aos Amarinhos, à Ribeira, à Cambeia dos Cardosos... - eram precisamente aqueles que estavam em pior estado de conservação, com estradas de antiquado paralelo, estreitas e algo perigosas, capazes de esfriar o impeto descobridor de um qualquer turista que por cá passasse.

Estou em crer que a  colocação de tapete betuminoso e o alargamento considerável da Estrada do Bico representará o ponto de partida para outros melhoramentos semelhantes nos locais que já referi. A existência de bons acessos é factor primordial para a valorização e conhecimento dos chamados "locais de interesse turístico".

Já agora, aproveite-se a salutar maré construtora e coloque-se sinalética de informação que permita a orientação dos muitos forasteiros que temos a satisfação de receber, os quais, não raras vezes, têm sérias dificuldades em achar o destino, no emaranhado de estradas e caminhos murtoseiros.

 
domingo, maio 08, 2005
  Mercado à Moda Antiga

O Cais do Bico recebeu mais uma edição do "Mercado à Moda Antiga".
Ficam alguns registos fotográficos do evento.

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sábado, maio 07, 2005
  snapshot #5

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Já teve água e até cágados, imagine-se. Hoje, o enorme "lago" em frente aos Paços do Concelho presta-se a uma imagem de desolada "piscina" vazia, em nada dignificando o Edifício contíguo.

Vale a criatividade da petizada daquelas bandas, capaz de transformar o inútil adorno num animado ringue de futebol.

 
  Palavras Sábias

"Sou muito crítico em relação aos blogues cujos autores não se identificam. Nenhuma coisa que lá se diz me merece credibilidade."

Pacheco Pereira, autor do blogue "Abrupto", citado na edição de ontem do Público.

 
sexta-feira, maio 06, 2005
  Tertúlia "Há Hora Marcada"

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As Tertúlias - excelentes, diga-se - promovidas pelo Projecto Leme da Santa Casa da Misericórdia da Murtosa têm continuidade, no próximo dia 20 de Maio, na Casa Museu Custódio Prato, no Bunheiro.  Desta feita, discute-se a Tradição na Murtosa, daí a escolha bastante inteligente do local do Evento.

Não é a primeira vez que enalteço aqui o papel importantíssimo que estas Tertúlias têm no conhecimento e na discussão da Identidade Murtoseira. O formato destas Conversas - informal, franco e aberto - representa  uma verdadeira "pedrada no charco", numa terra pouco habituada a falar "cara-a-cara" das "suas coisas", as boas e a menos boas.

A não perder, no próximo dia 20.

 
  Clássicos no Colombo

A ideia pode parecer insólita, mas, bem vistas as coisas, a verdade é que a Música Clássica cabe em toda a parte. Mesmo que seja bem no meio de um frequentadíssimo e barulhento Centro Comercial Colombo, em plena hora de ponta, ao fim da tarde.

Hoje tive oportunidade de assistir à execução da obra "Piano Trio em Mi menor, Op.90 "Dumky"" de Antonin Dvorak, na Praça Central do Colombo, uma composição para Piano e Cordas.

A intenção - bem interessante e inovadora, por sinal - é divulgar a Música Clássica junto de públicos pouco familiarizados com essa linguagem, trazendo-a para um espaço pouco convencional.

O concerto foi o primeiro de uma série que o Centro Comercial irá promover, todas as semanas, sempre às quintas, por volta das 18h.

 
quinta-feira, maio 05, 2005
  O Fumo e a Atitude Social

Já aqui dissertei, noutra ocasião, acerca da minha opinião em relação ao fumo em locais públicos, particularmente no Metro. A Empresa do Metropolitano de Lisboa parece apostada - e bem! - em erradicar o tabaco das Estações, tendo para isso iniciado uma campanha que, ao introduzir uma "nuance" inovadora, merece o meu aplauso.

Já se percebeu que a simples sinalética de "Proibido Fumar" não tem resultados práticos, até porque os famosos cartazes normalmente desaparecem pouco tempo depois de serem colocados. A inscrição de frases feitas, tipo "Fumar Mata", nos maços de tabaco, também não impressiona grandemente os fumadores, nem introduz qualquer novidade, porque todos têm consciência que o hábito de fumar os prejudica fortemente.

Provada a ineficácia das campanhas tradicionais, por onde dirigir então o esforço de sensibilização para o "não fumar"?
Os slogans que passam nos Teleindicadores do Metro, paralelamente a anúncios sonoros com teor semelhante, dão uma resposta: "Respeite os outros. Não fume no Metro".

A mensagem, aparentemente simples e inócua, é muito mais profunda e incisiva do que parece à partida. Coloca - finalmente - o acto de fumar em determinados locais no domínio da atitude social do fumador. Ou seja, mais do que um malefício - para o próprio e para os outros - o fumo representa uma falta de respeito pelas outras pessoas.

O direccionamento das campanhas anti-tabágicas deve ser exactamente nesse sentido: na consciencialização geral para a atitude anti-social que representa o fumar em locais públicos.  Apresentar o acto de fumar - em locais específicos, repito - como algo socialmente censurável, de uma forma pedagógica e não restritiva, parece-me ser o caminho mais eficaz. Os resultados futuros o dirão.

Já agora, para terminar, não se pense que a referida campanha tem como base a tão falada nova legislação anti-tabaco. O Cartaz exposto nas carruagens, que exorta para a mudança de atitude perante o tabaco, é claro: Dec-Lei 226/83 de 27 de Maio com a redacção do Dec-Lei 283/98 de 17 de Setembro.

 
quarta-feira, maio 04, 2005
  A Queda - Hitler e o Fim do Terceiro Reich

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Um retrato de Hitler humano, doente e alienado, nos seus últimos 12 dias. É esta a abordagem proposta pelo filme "A Queda" - o apêndice "Hitler e o Fim do Terceiro Reich" é perfeitamente dispensável - do realizador alemão Olivier Hirchbiegel.

Alguns críticos do filme afirmam que a focalização temporal nos últimos dias da vida do "Fuhrer", refugiado no Bunker de Berlim, perante o Fim anunciado do III Reich, debilitado e senil, pode fazer esquecer a outra parte, a figura monstruosa, obreira de um dos mais hediodondos crimes que a humanidade já conheceu.

Inteligentemente, o início do filme e principalmente o final, com o depoimento real de Trudl Jungle, a secretária de Adolf Hitler, testemunha dos últimos dias no Bunker e em cujo relato escrito "A Queda" em parte se baseia, servem exactamente para lembrar ao espectador essa dimensão tenebrosa.

Destaque para o desempenho de Bruno Ganz no papel de Hitler, curioso paradoxo para quem dele guardava a imagem do anjo Damiel de "Asas do Desejo" de Wenders. As cenas do Bunker, claustrofóbicas e às vezes surreais, com a câmara literalmente "em cima" dos personagens, são particularmente bem conseguidas.

Passados 60 anos sobre o fim da II Guerra Mundial, o visionamento de "A Queda", tendo em conta a sua fiabilidade histórica, é um exercício altamente recomendável.
A não perder.

 
terça-feira, maio 03, 2005
  Crónicas da Cidade Grande, volume VIII

Os 30 Antecipados

Em trânsito entre a minha casa, junto à estação de caminho de ferro, e a bica matinal na Praça Francisco Sá Carneiro, fui abordado por uma miúda roliça e extrovertida, com os seus 15 ou 16 anos, para responder a um desses famosos inquéritos de rua.

Relutantemente, lá acedi, não sem antes ter recebido a garantia que o inquérito era apenas isso, um inquérito, e não um preliminar para me impingirem o cartão “Midas” ou algo do género.

Depois de questões tipo “onde custuma passar as suas férias”, “acha que o Euro trouxe vantagens para a actividade turística”, e por aí fora, chegou a sacramental “qual é a sua idade”. Perante os meus “29” de resposta, a Jovem olhou-me, desconfiada, de alto a baixo, qual operador de polígrafo pouco convencido com as respostas do examinado.

“Pois... é que o Inquérito é só para pessoas com mais de 30 anos...”, disse ela com o tom resignado de quem acabara de fazer uma entrevista inútil. "Paciência...", respondi eu, interiormente satisfeito por ainda me contar no grupo dos vintes.

Quase de imediato, como se de repente uma luzinha se tivesse acendido na sua cabeça, a inquiridora franziu o sobronho adornado com um “piercing” e lançou-me um entusiasmado “e falta muito para fazer os 30 anos?”. “Alguns meses. Muitos.”, retorqui-lhe.“Então é quase a mesma coisa!". "É que a gente ganha uma comissão por cada inquérito que fazemos, e assim o seu entra na contagem!”, concluiu triunfante.

Perante tal tirada, exemplo da genial desenvoltura de adolescente, fiz um sorriso largo e deixei, só por aquela vez, que me antecipassem os 30.


P.S. A leitura desta crónica pode muito bem ser complementada com uma espreitadela a este Post do Zé Carlos. :)

 
segunda-feira, maio 02, 2005
  "Mercado à Moda Antiga" no Cais do Bico

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No próximo domingo, dia 8 de Maio, acontece mais um "Mercado à Moda Antiga", no Cais do Bico, na Murtosa. O evento, que, de edição para edição, tem vindo a atrair um número crescente de visitantes - Murtoseiros e não só - pretende recriar o ambiente pitoresco das feiras que se realizavam na Terra Marinhoa há algumas décadas atrás.

Para além dos Vendedores e das famosas Tasquinhas Populares, este ano o "Mercado à Moda Antiga" contará com a presença musical do "Grupo de Canto e Dança do Centro de Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Oeiras".

A organização é da Câmara Municipal da Murtosa.

 
domingo, maio 01, 2005
  O Oita II

Ao que parece, a notícia confirma-se. Segundo a edição de quinta-feira do "Jornal de Notícias", o cinema "Oita", em Aveiro, fechou mesmo as portas. Desaparece assim a única sala aveirense que exibia filmes do chamado circuito alternativo.

Depois do carismático "2002" - com as suas cadeiras brancas dispostas em anfiteatro - ter encerrado há alguns anos atrás, foi agora a vez do resistente "Oita". A justificação é a do custume: inviabilidade económica por falta de público.

A aparente fartura de salas de cinema em Aveiro - 14, ao todo - é enganadora. As ditas distribuem-se equitativamente pelos Centro Comerciais "Glicínias" e "Forum Aveiro". A maior parte das vezes, a programação é perfeitamente redundante, com os mesmos filmes a serem exibidos em ambos os locais.

Quanto à qualidade dos filmes em Cartaz, a coisa resume-se normalmente a a cinema americano-pipoqueiro e pouco mais. A título de exemplo, "A Queda - Hitler e o Fim do Terceiro Reich", uma das películas que não quero perder, não se encontra em exibição em Aveiro.

 
  Banda Sonora para Viajantes, XI

"Entre Nós e as Palavras" - Os Poetas (1997)

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Esta onda poética foi um bom pretexto para revisitar um disco especial, datado de 1997, chamado "Entre Nós e as Palavras", creditado ao Projecto "Os Poetas", provavelmente o mais bela junção de música e poesia alguma vez idealizada em Portugal.

Rodrigo Leão e Gabriel Gomes (Madredeus, Sétima Legião) construiram um belíssimo tapete sonoro para obras de Al Berto, Mário Cesariny, António Franco Alexandre, Herberto Helder e Luiza Neto Jorge, com a particularidade deliciosa dos poemas serem ditos pelos próprios autores.

Ouvir Cesarini dizer "O Navio de Espelhos" ou Al Berto declamar "Há-de Flutuar Uma Cidade no Crepúsculo da Vida" é algo que dificilmente se esquece. Este disco prova que, de facto, a poesia, para ser apreciada na sua profundidade e musicalidade, deve ser ouvida e não apenas lida.

Não é a primeira vez que publico o poema seguinte aqui na Santa Terrinha. Chama-se "No Sorriso Louco das Mães" e foi precisamente no disco dos "Poetas" que o ouvi pela primeira vez. Vem a propósito, neste dia especial.


 


II


No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
a através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Helder

 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

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