Santa Terrinha
sábado, abril 30, 2005
  Perigo de Explosão

É melhor
fechares
os olhos,meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.

Os ventos todos
fechados dentro
da minha mão.
quantos ciclones
queres ?

Procurava
nos outros a
ternura,mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina

Aquele
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.

Éramos
rebeldes por
sistema,a sonhar uma
revoluçao por dia.à
tardinha,na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.

O terrorista
apaixonado
carregava,às
escondidas,
uma bomba-
relógio.era
no peito.era o
coração

José Mário Silva


Este poema extraordinário aparece no álbum "Canções Subterrâneas" do projecto nacional "A Naifa".  Uma forma da "Santa Terrinha" rivalizar, blogo-poeticamente falando, com o "Vox Populi".
Bom Fim de Semana!

 
sexta-feira, abril 29, 2005
  As Marcas do Imaginário Murtoseiro

O exercício surgiu de uma amena cavaqueira na Tasca do Manel Virgulas: descobrir produtos e serviços murtoseiros, ainda disponíveis actualmente, cuja imagem permanecesse inalterada há várias dezenas de anos.

Ficam 3 exemplos bem curiosos:
As deliciosas "Enguias de Escabeche" da Comur, os famosos pasteis "Monte Branco" do Guedes e o carismático Bilhete de Autocarro da Auto Viação da Murtosa.
Lembram-se de mais algum?

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PastMonteb.jpg

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quinta-feira, abril 28, 2005
  Jazz Português no Aveirense

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Aveiro junta-se a outras cinco cidades e recebe a primeira edição do "In Jazz - Jazz em Português", a partir de hoje à noite e até ao próximo sábado. Os concertos na Cidade dos Canais vão acontecer no Teatro Aveirense, sempre pelas 21:30h.

Uma excelente (e rara) oportunidade para tomar contacto com alguns dos melhores projectos nacionais na área do Jazz. Saibam mais aqui.

 
quarta-feira, abril 27, 2005
  A Loja do Ti Chico Bicho

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Achei particularmente curioso este post do Joaquim, que mostra, ao fim ao cabo, como a cada esquina e recanto da nossa terra tropeçamos nos trilhos da memória colectiva e nas estórias que também são as nossas.

Muitos foram os personagens que povoaram a minha infância, nesse tempo em que o tempo parecia fluir com vagar, entre as escapadelas, campos fora, pelos labirintos das ervas altas, os jogos da bola até ao lusco-fusco na "Quinta" imensa e os baloiços e o "escorregão" do "Parque".

E era precisamente a meio caminho entre a minha casa de então - centenária, tipicamente beirã, daquelas com um alpendre generoso que albergava as dezenas de vasos de avenca da minha mãe - e o Parque Infantil à beira da Junta, que as minhas correrias de petiz se cruzavam com a Loja do Ti Chico Bicho, paragem obrigatória para abastecer os bolsos de "chupas", "bolas de neve" e "chiclas" Gorila.

A Loja do Ti Chico Bicho era um daqueles lugares verdadeiramente mágicos, um muitos-em-um, misto de Mercearia, Taberna e Salão de Jogos com "Matrecos", relativamente comum há algumas dezenas de anos atrás. Entrávamos e lá estava o T'Chico atrás do enorme balcão corrido, um velhote simpático, atarracado pelo peso do anos, olhos vivos e atentos.

Não raras vezes, ao entrar de rompante na Loja, ávido por trocar as moedas por guloseimas, encontrava o T'Chico a dormitar, embalado pela modorra dos dias. Não o incomodava. Saía, pé ante pé, esperançado que, na próxima vez que por ali passasse, o Ti Chico já tivesse despertado, quiçá pela chegada de clientela menos parcimoniosa com o seu descanso de idoso.

Lembro-me do dia em que o Ti Chico Bicho nos anunciou que a sua Loja iria fechar. Coisas do progresso, da máquina registadora em vez das contas feitas à mão no papel pardo, dessa coisa do IVA, enfim... burocracias demasiadamente confusas para quem desde sempre apreciou as coisas simples. Não havia alternativa. E assim foi.

Mais ou menos por essa altura, a Escola Primária deu lugar ao "Ciclo". Os baloiços ficaram cada mais pequenos. Os trilhos e os caminhos levaram-me cada vez mais longe. Numa dessas coincidências temporais de que só mais tarde nos damos conta, estou convencido que o meu ciclo de infância se fechou ao mesmo tempo que as portas da Loja do Ti Chico Bicho.

 
terça-feira, abril 26, 2005
  The Walkabouts

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"The news are good news", pelo menos para aqueles que, como eu, são fans dos "The Walkabouts". É que está para breve a edição do sucessor de "Ended Up a Stranger", de 2001, o disco cuja promoção trouxe a banda canadiana até ao Paradise Garage, em Lisboa, nesse mesmo ano.

Para já, podem fazer o download de "Devil in the Details" (right click; save target as), uma amostra do próximo disco, que mostra uma viragem sonora para o rock, a fazer lembrar os primeiros álbuns da banda.

 
segunda-feira, abril 25, 2005
  Abril, sempre!

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domingo, abril 24, 2005
  Riscos e Rabiscos

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O assunto foi já abordado por outros Bloggers, mas, por me encontrar normalmente ausente da Murtosa, só agora pude observar "in loco" a profusão de marcações e traços, pintados recentemente no pavimento das principais ruas do centro da Murtosa.

Devo dizer que a intervenção é, na globalidade, bastante positiva e necessária. Permite uma melhor organização do trânsito e uma definição clara das vias com prioridade, algo que, em alguns locais, era algo difuso. Por outro lado, esteticamente falando, dá um certo ar de urbanidade ao centro da Vila.

Apenas um senão, em concordância aliás com o já defendido pelos outros bloggers: penso ser exagerada - e quiçá despropositada - a extensão das marcações a arruamentos secundários.

De facto, traçar linhas no eixo de vias cuja largura, em muitos locais, não permite o cruzamento de duas viaturas, pode gerar situações visualmente caricatas, como é o caso, já mostrado pelo João Cruz, da Rua Álvares Cabral, no Monte, junto ao Sr. Joaquim "Meiguices".

 
sábado, abril 23, 2005
  O Oita

Ora aí está uma notícia que, a confirmar-se, me deixa particularmente triste.
Segundo o meu amigo Zé Pedro, o Cinema Oita, no Centro Comercial com o mesmo nome, em pleno centro de Aveiro, encontra-se de portas fechadas. Pelos vistos, sem qualquer comunicado ou justificação.

De facto, verifiquei que no site do Grupo Millenium, entidade que gere actualmente a carismática sala aveirense, já não aparece a referência ao cinema Oita. Já o Cinecartaz do jornal "Público" apresenta o "Oita" sem qualquer sessão de cinema programada.

Curiosamente, após uma pesquisa, não encontrei nenhuma referência na Comunicação Social que confirmasse ou desmentisse o encerramento da Sala, o que poderá indiciar uma de duas coisas: ou a medida é temporária ou então o cinema fechou mesmo definitivamente as portas e ninguém deu por isso.
Algo para os amigos Cagaréus investigarem.

 
sexta-feira, abril 22, 2005
  Jornais Gratuitos vs Jornais Pagos

Os chamados jornais de distribuição gratuita não são propriamente uma novidade. Eles já existiam, embora a sua abrangência fosse muito localizada, como eram os casos do “Jornal da Região”, publicado nos concelhos limítrofes de Lisboa – que a minha amiga e blogger Eunice tão bem conhece –, do "Destak" ou o do “Aveiro 034”, este último distribuido na região aveirense.

Este segmento da emprensa escrita ganhou uma nova dimensão mediática com a chegada da edição portuguesa do diário “Metro”- distribuido gratuitamente nas Estações do Metropolitano – que tem como público alvo as milhares de pessoas que, diariamente, usam aquele meio de transporte. Na prática basta passar por um dos expositores colocados à entrada nas Estações e levantar graciosamente um exemplar.

Há dias, num dos jornais de referência, um colunista apresentava a emprensa de cariz gratuito, nomeadamente o “Metro”, como uma séria “ameaça” a ter em conta no futuro pelos jornais ditos tradicionais – pagos, portanto.

Sinceramente, não concordo. Já tive oportunidade de ler o “Metro” – sempre que ando de metropolitano levo o meu exemplar – e devo dizer que, como consumidor de jornais pagos, dificilmente o primeiro me levaria a deixar de comprar os segundos.

Embora assumindo uma característica “digest”, com as notícias a serem tratadas sem grande profundidade, a verdade é que o “Metro” tem bastante qualidade. Faltam-lhe, no entanto, dois dos maiores atractivos dos jornais pagos: os dossiers profundos sobre os assuntos que marcam a actualidade e os bons artigos de opinião. Daí que a haver ameaçados pelos diários gratuitos, esses serão os chamados “tablóides” e nunca os de referência.

Apesar de tudo, vejo os Jornais à borla como um fenómeno muito positivo no que diz respeito ao acesso à informação e à leitura. É inegável que muitos – a maior parte, seguramente - dos leitores do “Metro” não compra normalmente qualquer jornal ou revista. Assim sendo, existência de uma fonte de informação, “à mão de semear” e sem custos, pode muito bem servir para melhorar os fraquíssimos hábitos de leitura da maior parte dos portugueses.

 
quinta-feira, abril 21, 2005
  A Intérprete

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Sydney Pollack, um veterano de Hollywood, sabe-a toda, ou não tivesse no Curriculum obras como "Tootsie", "Africa Minha", "A Firma" ou "Havana". Não espanta, por isso, que "A Intérprete" seja um bom exercício de estilo, com todos os condimentos que um thriller policial, com laivos de intriga internacional, deve ter.

Mas convenhamos que lhe falta chama, novidade, enfim características que fazem de um filme um objecto visual memorável. "A Intérprete" não foge, por isso, a uma certa mediania que desilude o espectador mais exigente. Até os protagonistas, Nicole Kidman e Sean Penn, se limitam a ter uma interpretação competente.
Mesmo assim, a ver.

 
quarta-feira, abril 20, 2005
  O famoso Questionário

Estava a ver quanto tempo resistia até receber o mais famoso questionário que circula pela net. O Batatas teve a amabilidade de me desafiar.
Confesso que me sentiria bem mais confortável se o questionário fosse sobre discos...mas aqui vai disto:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Pois...Tive que ir descobrir o que é que era afinal a gaita do Fahrenheit 451. É o que faz não ser fã de Ficção Científica...
Acho que gostava de ser "A insustentável leveza do ser" do Kundera.
Marcou-me q.b. Li-o há alguns anos atrás, numas férias de Verão, com o som do mar ao fundo...

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
Confesso que ficava apanhadíssimo pelos personagens dos "Cinco" da Enid Blyton.
Para mim era extraordinário que 5 miúdos como eu - tinha na altura 11 ou 12 anos - andassem assim "à solta" pelos sitios mais estranhos e resolvessem os mistérios todos. Ah!...e achava particularmente curiosa a preocupação com a comida: para onde quer que fossem, arranjavam sempre uma Quinta para se abastecerem de ovos e leite. Lembram-se?

Qual foi o último livro que compraste?
 Comprados recentemente:
- "O Perfume" e "A Pomba", do Patrick Suskind.
- "Terra Assombrada, de Erin Hart.

- "A Morte do Decano", de Gonzalo Torrente Ballester
- Os 4 primeiros volumes do "Asterix" (vou comprá-los todos, aos poucos).

Qual o último livro que leste?
"O Evangelho segundo Jesus Cristo", do Saramago

Que livros estás a ler?
- "O Nome da Rosa", do Humberto Eco (sim, "shame on me", nunca tinha lido o dito...)

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Epá, só cinco? É pouco e, como tal, escolho só Portugueses (ecletismo q.b.).

- "A Terceira Rosa", de Manuel Alegre
- "A Morte de Carlos Gardel", de António Lobo Antunes
- "As Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira
- "Nos teus braços morreriamos", de Pedro Paixão
- "Memorial do Convento", de José Saramago

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
São quatro, os companheiros bloggers - cujos espaços escritos aprecio particularmente - a quem lanço o desafio: O Zé Carlos, o Joaquim, que, ao que sei, gosta de ler as obras na língua original, e ainda duas meninas ligadas às letras, ainda que em áreas distintas, a Celine e a Carolina.
Espero que aceitem o desafio e estou curioso para ver as respostas.

 
terça-feira, abril 19, 2005
  Já "Habemus Papam"

Dúvida de Católico Praticante: que esperar da Igreja dos próximos anos, liderada por um homem da "linha dura" como é Ratzinger?
O tempo o dirá.

 
  O Conclave

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Apesar da escolha do novo Papa ser um assunto que diz respeito essencialmente aos Católicos, é inegável o interesse despertado pelo Conclave em todo o Mundo, não só pela eleição propriamente dita, mas também pelo aura de secretismo e ritualidade associada ao acontecimento.

Quem, como eu, tem menos de 30 anos e, como tal, não guarda qualquer memória do Conclave de 1978, não pode deixar de sentir que, de facto, está a assistir a um momento histórico e raro.

Sinal dos Tempos, este Conclave está a ser, sem sombra de dúvida, o mais mediático de todos já realizados. Mas, como em tudo, o excesso também conduz à saturação.

Ainda hoje, por exemplo, a TVI passou largos minutos da sua emissão com planos mais ou menos fixos da chaminé mais famosa do Vaticano. Enquanto se esperava pelo fumegar da dita, os jornalistas e comentadores tentavam, a custo, "encher chouriços", repetindo pela enésima vez todos os detalhes do Conclave.

Nada feito. Do fumo, em tempo útil, nem sinal. Assim sendo, e porque a hora da novela se aproximava a passos largos, a solução foi incluir uma pequena janela na emissão, com as imagens em directo de Roma, ao mesmo tempo que passava mais um episódio dos "Morangos com Açúcar".

Por fim, lá surgiu o esclarecedor fumo negro por cima da Capela Sistina.
Amanhã há mais, portanto.

 
segunda-feira, abril 18, 2005
  Mary Gauthier

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Quando escutamos as canções de Mary Gauthier - leia-se "go-shay" - é como se, de repente, ela nos abrisse o seu diário de confidências, e nós, num misto de curiosidade e constrangimento, nos tornássemos cúmplices das suas histórias.

Gauthier despertou tardiamente para a música, aos 35 anos, depois de uma juventude particularmente turbulenta. Algures antre o "alternative country" e o "folk", Mary Gauthier assume-se como uma exímia contadora de histórias, das quais, a maior parte das vezes, é a principal protagonista.

Como amostra, podem escutar um pouco deste "Our Lady of the Shooting Stars", do álbum "Drag Queens in Limousines", de 1999.

 
domingo, abril 17, 2005
  As Cegonhas e os Blogues

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Tenho acompanhado com muito interesse todos os desenvolvimentos que se seguiram à retirada - por quem? - dos ninhos das cegonhas do cimo da Igreja de Pardelhas. Estando eu - infelizmente - ausente da Murtosa, tenho recorrido aos Posts da Blogosfera Local, e respectivos comentários, para me manter informado acerca do assunto.

Constato que as opiniões, à semelhança da minha própria, são, na sua esmagadora maioria, de vincado repúdio pela acção de remoção dos ninhos, feita, ao que julgo saber, sem qualquer acompanhamento técnico ou justificação clara.  

Aconselho vivamente a leitura do Post que o Manuel Arcêncio colocou no seu "Um Murtoseiro" que, para além da informação relativa aos hábitos e características das Cegonhas, aflora o enquadramento legal da protecção da espécie. Segundo li no Blogue do Joaquim, o caso da remoção ilícita dos ninhos está já a ser analisado pelas autoridades competentes. Ainda bem.

Sobre este aparente movimento, que invadiu saudavelmente a cada vez mais actuante Blogosfera Murtoseira, gostaria de deixar algumas impressões que, sendo pessoais, estou certo irem de encontro ao sentimento geral.

Os bloggers não são nenhuns guardiões da moral e dos bons custumes, sejam eles de cariz social, político ou, neste caso, ambiental. São, isso sim, gente atenta e informada e, como tal, pronta a levantar as questões que considera importantes, usando os seus espaços escritos, sempre com uma leitura pessoal dos factos.

A grande maioria fá-lo de cara orgulhosamente destapada, personalizando as opiniões e assumindo-as, numa postura bem diferente da daqueles para quem opinar é, perdoem-me a expressão, mandar dois ou três "bitaites" para o ar, às vezes insultuosos, a coberto de pseudónimos pouco criativos.

Como tive oportunidade de comentar com a Celine, este pequeno exemplo de mobilização blogosférica pode não ter qualquer resultado prático, mas é um sinal claro de que muita gente, particularmente os bloggers, está atenta ao melhor e ao pior da sua terra.

Em relação a este caso concreto, como em outros similares, as pessoas têm de se convencer, de uma vez por todas, que não podem tomar atitudes ou acções a seu belo prazer, quando as mesmas afectam toda a comunidade. As Leis e as Regras existem, e toda gente, incluindo as "autoridades" civis e eclesiásticas, está sujeita ao seu cumprimento.

 
sábado, abril 16, 2005
  Pessoa 1934

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Bem sei que estou endoidecendo.
Bem sei que falha em mim quem sou.
Sim, mas enquanto não me rendo,
Quero saber por onde vou.

Inda que vá para render-me
Ao que o Destino me faz ser,
Quero, um momento, aqui deter-me
E descansar a conhecer.

Há grandes lapsos de memória
Grandes paralelas perdidas,
E muita lenda e muita história
E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso, agora me perco
De mim e vou a transviar,
Quero chamar a mim, e cerco
Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero
Ser louco com moral e siso.
Vou targer lira como Nero.
Mas o incêndio não é preciso.


Fernando Pessoa


Hoje resolvi ir em busca deste poema de extraordinário de Pessoa. A culpa é da música dos alemães Rainbirds, "Pessoa 1934" - que recupera precisamente este poema, com excepção da última estrofe - que me anda a provocar comichão mental de há alguns dias a esta parte, desde que, quase por acaso, "saquei" o mp3 da Net.

Incluída no álbum "In a diferent light" de 1993, a música tem a particularidade de ser cantada em Português (perfeito), num disco de uma banda alemã que canta em Inglês. A escolha justifica-se pelo facto de um dos elementos dos "Rainbirds", Katharina Franck, ter vivido em Portugal durante alguns anos.

Lembro-me da música passar massivamente na RFM no Verão de 1993, quando aquela estação era uma espécie de Antena3 da década de 90. Outros tempos.

 
sexta-feira, abril 15, 2005
  A Cidade e o Exercício

Quem percorre as ruas da Murtosa, principalmente ao fim do dia, por certo já se apercebeu do número crescente de pessoas que, sozinhas ou em grupos às vezes numerosos, praticam a caminhada como exercício físico.

Trata-se de uma maneira económica e eficiente de manter os corpos e a mente em forma, ainda mais numa terra propícia a esse tipo de actividade: plana, com pouco movimento, oferecendo a possibilidade de quilómetros de exercício sem quaisquer interrupções.

Para mim - também um entusiasta adepto da caminhada - a principal dificuldade é a transposição do conceito para o meio citadino, aqui em Lisboa. São nessas pequenas coisas que a qualidade de vida de um meio rural suplanta largamente o bulício urbano.

Caminhar pelas ruas da Capital pode revelar-se um exercício complicado. O nosso passo é bem mais acelerado do que o do vulgar transeunte, os semáforos quebram-nos constantemente o ritmo e, pior de tudo, sujeitamo-nos a respirar elevadas quantidades de monóxido de carbono. A solução é procurar espaços verdes que permitam pelo menos uma hora de exercício contínuo, sem interrupções, coisa que em Lisboa não abunda.

Ultimamente, por uma questão de proximidade, tenho escolhido o Jardim do Campo Grande. O local é aprazível, mais ou menos longo, mas tem um grande senão: é cortado a meio pela Avenida do Brasil, junto à Cidade Universitária.

Atravessar para a parte mais a Norte do Jardim transforma-se numa verdadeira aventura, muito por culpa da temporização dos semáforos que, como é sabido, no meio urbano privilegiam sempre o tráfego automóvel em detrimento dos peões. Espanta-me que não exista uma passagem superior (ou inferior) naquele local.

Amanhã vou mudar de poiso. Vou experimentar o Parque das Nações.

 
quinta-feira, abril 14, 2005
  As Cegonhas

Segundo informações recentes, nomeadamente um comentário no post anterior e este post do Joaquim no Jornal da Rua, parece que alguém se encarregou de retirar os ninhos das cegonhas do cimo da Igreja de Pardelhas.

No passado domingo, antes de regressar à capital, pude constar que os ditos ainda lá estavam. Embora não conheça os contornos da "operação" de retirada dos ninhos, devo manifestar aqui o meu profundo desagrado.

Como escrevi há algum tempo atrás, durante anos não se viu uma única cegonha nos céus da Murtosa. A situação inverteu-se recentemente, para satisfação daqueles que amam a natureza. Pelos vistos, nem todos comungam do mesmo entusiasmo.

Utilizando uma expressão muito curiosa que se usa na terra marinhoa, não há dúvida que o povo murtoseiro é realmente "coceguento". Ou seja, parece que tudo o incomoda: ou são as cegonhas, ou são as árvores nos passeios públicos, ou é a música nas Festas da Torreira,...

A distância que me separa da Murtosa não me permite, como é óbvio, estar a par da operação "anti-cegonha-na-igreja".  Devo, no entanto, tecer dois ou três comentários que me parecem importantes.

Desconheço se as cegonhas são uma espécie protegida. Se são, a operação é uma clara violação da lei; Mesmo não sendo uma espécie protegida, manda o bom senso que qualquer operação de transferência de ninhos seja acompanhada por técnicos do ICN. Se estes não estiveram presentes, tratou-se de uma operação "à la gardère", o que é grave.

Convém lembrar que não é difícil solicitar a presença do ICN, até porque a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto fica bem perto. Paralelamente existem outras organizações com delegações em Aveiro, como a Quercus, por exemplo.

Por último, importa saber quem foram os responsáveis pela decisão e com que autoridade o fizeram. Terá sido a Câmara Municipal, o Pároco da Igreja de Pardelhas, o zeloso Sacristão?

 
quarta-feira, abril 13, 2005
  O Assassínio de Richard Nixon

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Ultimamente a safra cinematográfica não tem sido propriamente famosa: pouco mais que comédias-pipoqueiras ou terror/suspense "chapa 25".
Também por isso, "O Assassínio de Richard Nixon" destaca-se ainda mais por ser um dos poucos filmes interessantes em cartaz.

"O Assassínio de Richard Nixon" é Sean Penn, essencialmente.
Conhecido por emprestar uma fortíssima carga dramática aos seus personagens - "I Am Sam" ou "Mystic River" são disso exemplo - Sean Penn tem uma prestação verdadeiramente marcante, por certo uma das melhores da sua carreira, no papel de Samuel Bicke, um homem que vê a sua vida pessoal e profissional desagregar-se progressivamente até à insanidade.

Baseado em factos reais, o filme mostra o desencanto do "American Dream" que se esboroa ante a corrupção política, o escândalo Watergate e a Guerra do Vietname.
Uma reflexão amarga sobre a sociedade que subjuga e desvirtua a individualidade.
A não perder.
 
segunda-feira, abril 11, 2005
  A Arte Xávega em Fotos

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Na sequência do Post anterior, enquanto procurava alguns recursos web sobre a Arte Xávega, descobri um Fotolog fantástico, intitulado precisamente "Torreira: Arte Xávega".

As fotografias contidas neste Fotolog permitem aos menos familiarizados com a Xávega uma percepção das características que tornam única esta arte de pesca. Infelizmente, o pitoresco quadro dos "bois que vão lavrar o próprio oceano" é cada vez mais uma mera recordação.

O "Torreira: Arte Xávega" reune uma belíssima e vasta colecção de registos fotográficos da autoria de A.H. Cravo, que fixam com mestria os momentos, os gestos e os rostos da Faina. A extraordinária fotografia que acompanha este Post foi "emprestada", com a devida vénia, da colecção.

 
domingo, abril 10, 2005
  Baptismo de um Barco Xávega

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O Torrão do Lameiro, aqui bem perto mas já no concelho de Ovar, assistiu ontem a um momento significativo, cada vez mais raro, e por isso merecedor da devida referência: o baptismo de um Barco Xávega novinho em folha, construido em Pardilhó.

"Pedro o Pescador" é o nome da bela embarcação em meia-lua, utilizada na ancestral arte de pesca de mar, cada vez mais ameaçada.
Ficam alguns registos fotográficos para a posteridade:

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Vindo do Estaleiro de Pardilhó, o Barco Xávega repousa por momentos nas margens calmas da Ria de Aveiro. No futuro esperam-no outras águas, essas bem mais revoltas.

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Puxada por tractores - depois do baptismo com direito a champanhe - a embarcação prepara-se para vencer, por terra, a distância que separa a Ria de Aveiro do Mar.

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A imagem curiosa do Barco Xávega "navegando" no meio do trânsito da Estrada Nacional 327, que liga o Furadouro à Torreira. Já falta pouco para chegar ao destino final, na Praia de Mar do Torrão do Lameiro.
 
sábado, abril 09, 2005
  "Bavarian Fruit Bread" - Hope Sandoval

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Há dias, um amigo e leitor assíduo da Santa dizia-me em tom de brincadeira que eu tinha a mania de escrever sobre bandas e artistas que (quase) ninguém conhecia. Respondi-lhe que sobre os outros, os mais conhecidos, já havia muita gente a escrever, daí a opção.

Ser "alternativo" ou "pouco conhecido" não é sinónimo imediato de som elitista, só acessível a ouvidos treinados para gostos menos "mainstream".  A maior parte das vezes até acontece exactamente o contrário. Quantas vezes nos interrogamos porque é que o artista A é conhecido e idolatrado e o B permanece uma espécie de segredo bem guardado.

O discurso anterior bem se pode aplicar a este "Bavarian Fruit Bread", o primeiro - e até agora único - disco a solo de Hope Sandoval, vocalista dos "Mazzy Star, dona de uma das vozes mais inebriantes e atmosféricas do universo pop.

Tal como no universo "Mazzy Star", "Bavarian Fruit Bread" transporta uma aura de beleza subtil, quase letárgica, mas profundamente arrebatadora. Ideal para matar saudades da banda de "Fade into you", que depois de "Among My Swan", de 1996, não mais deu sinais de vida.

 
sexta-feira, abril 08, 2005
  As Árvores da Avenida

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Gostaria de registar o meu agrado pelo regresso das árvores à Avenida Santo António do Monte, depois da autêntica razia destruidora que precedeu o início das obras de remodelação daquela artéria, uma das mais nobres da Murtosa.

Apesar da minha satisfação pela plantação de novas árvores na Avenida - hoje jovens e frágeis, amanhã frondosas, espero - gostaria de deixar algumas notas sobre o assunto que me parecem pertinentes.

Não me parece correcto abater árvores saudáveis só porque se pretende modernizar o espaço onde elas se inserem, mesmo que a intenção seja plantar novos exemplares. Já o escrevi antes: uma árvore não é um banco de jardim, uma papeleira ou um "muppie", que se podem substituir ao sabor de modas ou de tendências estéticas.

Como me dizia hoje o meu amigo Zé Pedro - possuidor de profundos conhecimentos técnicos na área da floresta - só um parecer técnico de especialistas, advogando o abate de árvores por estas se encontrarem doentes, por exemplo, pode servir de justificação para a destruição de árvores com décadas de vida.

O que para muita gente é sinal de qualidade de vida, para outros é sinónimo de sombra a mais, de raízes proeminentes ou de folhas a "sujar" as suas entradas. Por isso, as árvores não são amadas por toda a gente que tem o privilégio de viver junto delas.

Esse ódio de estimação a qualquer exemplar arbustivo, faz com que alguns sobreponham os seus "silvi-traumas" pessoais ao interesse e o património comum, levando-os a manipular a seu belo prazer o curso da mãe natureza.

Já no tempo das antigas árvores, que majestosamente, em intervalos regulares, se estendiam pela Avenida fora, existiam sistematicamente clareiras onde nenhuma árvore alguma vez conseguiu sobreviver. Tão depressa eram plantadas como depressa misteriosamente definhavam, num evidente contraste com as suas pujantes vizinhas.
Esperemos que tal não aconteça com os exemplares recém-plantados.

 
quinta-feira, abril 07, 2005
  Vox Populi

Como é facilmente constatável pelos comentários a este post, não é fácil a uma "bloguista" com qualidade da Celine livrar-se assim "do pé para a mão" da blogosfera murtoseira. A Murtosa, na sua vertente blogueira, não pode de maneira nenhuma dispensar as vozes jovens e atentas à sua terra.

A nossa caríssima Blogger Celine resolveu - e bem! - reconsiderar o fim do "Vox Populi" e apresenta-o agora numa casa novinha em folha, com direito a restyling e tudo.
O resultado pode ser visto
aqui.

Parabéns!

 
  Moliceiros

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Os famosos Paineis dos Moliceiros, como já aqui referi certa vez, são particularmente ecléticos no que à temática diz respeito. Não raras vezes, um painel de proa de raiz etnográfica - ou até religiosa - convive alegremente com um de teor satírico ou brejeiro, pintado na ré, capaz de fazer corar o observador menos familarizado com esta forma de Arte.

Como a foto acima prova, as potencialidades "brejeiras" das novas tecnologias também não passam despercebidas ao olhar aguçado dos pintores dos Moliceiros....

 
quarta-feira, abril 06, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, X

"As Mãos" - António Pinho Vargas (1998)

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António Pinho Vargas é, provavelmente, o melhor compositor português contemporâneo. Infelizmente - parece ser uma espécie de "fado nacional" - a sua extraordinária obra permanece uma espécie de segredo bem guardado, conhecida e reconhecida apenas por uma minoria.

Para a minha viagem de ontem escolhi "As Mãos", um disco de 1998 que reune, em jeito de "Best of", algumas das suas melhores composições, editadas entre 1983 e 1996.

Cada vez que escuto este disco não resisto a primir a tecla "repeat" do leitor de CDs. É que à qualidade das músicas acresce o facto do disco ser pequeno em duração - apenas 48 minutos -, deixando no ouvinte um travo "a pouco" no final da audição.

Estão aqui os belíssimos "Tom Waits", "As mãos" ou "June", este último com a participação de Maria João, retirado de "A Luz e a Escuridão", de 1996. E que dizer daquela que é, na minha opinião, a melhor composição de Vargas: "Vilas Morenas", escrito em homenagem ao grande José Afonso.

Indispensável em qualquer discoteca pessoal que se queira de bom gosto.

 
  A Naifa

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Ontem à noite houve "Naifa" na Reitoria da Universidade de Aveiro, e quem por lá passou percebeu a razão da unanimidade em volta do projecto de João Aguardela, Luis Varatojo, Vasco Vaz e Maria Antónia Mendes (vulgo Mitó).
É que o concerto foi mesmo muito bom.

Pela entrega e pela notável qualidade da prestação, "A Naifa" merecia mais público em Aveiro. Poucos mas entusiastas, como provam os três "encores" com que a banda brindou a assistência, verdadeiramente rendida à reinvenção dos caminhos do Fado protagonizado pelo projecto.

Para além das músicas do aclamado "Canções Subterrâneas", a releitura de material alheio - o notável "Sentidos Pêsames" da era "Os homens não se querem bonitos", dos GNR, ou simbólica e festiva "Tourada", de Fernando Tordo - revelou-se irrepreensível e verdadeiramente surpreendente.

"A Naifa" é, sem sombra de dúvida, dos melhores projectos do panorama musical português actual. A adição da electrónica à linguagem secular do fado, transporta-o para uma dimensão nova. A alma - e a espaços, a quase solenidade - mantém-se intocável. Para quem ainda não conhece, a descobrir urgentemente.

 
terça-feira, abril 05, 2005
  Cais do Bico

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É absolutamente desolador o panorama que se apresenta aos olhos dos visitantes do Cais do Bico, indiscutivelmente um dos "hot spots" da Murtosa. Apesar da importância e da beleza privilegiada do local - debruçado sobre o Canal da Murtosa, com a cidade de Aveiro do outro lado - a verdade é que o aspecto de abandono e de desleixo não deixa indiferente quem por lá passa.

Da Pérgula - de gosto discutível, diga-se - em tempos lá edificada, resta apenas a estrutura em betão, uma vez que a madeira, porventura a parte mais interessante do conjunto, há muito que desapareceu. O vandalismo e a erosão natural fizeram o resto. Até o belo monumento ao Barco Moliceiro, colocado a oeste da Pérgula, se apresenta tristemente só, num enquadramento que não o dignifica.

É certo que o dinheiro não chega para tudo e as obras não se podem fazer todas de uma vez, mas o requalificação paisagística dos ditos locais turísticos deve ser uma prioridade, ou não fosse o potencial - sempre o potencial - turístico murtoseiro um tema recorrente em qualquer discurso oficial por estas bandas.

Agora que se anunciam as obras do novo Porto de Abrigo do Bico, estou certo que a Câmara Municipal da Murtosa não deixará de aproveitar a oportunidade para intervir de forma abrangente naquele local.

 
segunda-feira, abril 04, 2005
  Caminhos Ribeirinhos

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Por muito boa que seja a intenção do fotógrafo, jamais uma mera fotografia captará a exacta medida da beleza imensa da paisagem da Beira-Ria. A natureza é avara em se deixar registar e, por isso, só os olhos do visitante a podem abarcar na sua plenitude.

Já há algum tempo que não tinha a satisfação de percorrer, montado na minha bicicleta, os caminhos ribeirinhos da Murtosa. Um domingo à tarde solarengo, depois de uma manhã de chuva intensa, foi o pretexto ideal para um circuito cicloturístico, permitindo, adicionalmente, a avaliação das condições de resistência dos caminhos rurais que torneiam as margens da Ria de Aveiro.

O caminho Ribeira de Pardelhas-Cais do Bico, recentemente intervencionado pela Câmara Municipal da Murtosa, apresenta-se num estado que podemos considerar bastante bom, permitindo a circulação confortável e sem sobressaltos em toda a sua extensão.

O mesmo já não se pode dizer dos troços Cais do Bico- Cais do Chegado e Cais do Chegado-Cambeia dos Cardosos, onde a erosão evidente do piso - a natural e a provocada pela passagem dos tractores agrícolas - torna a circulação quase impossível. Será ideal para os amantes do todo-o-terreno, mas dificilmente atrairá quem pretenda um relaxante passeio à Beira-Ria.

Os caminhos de terra batida, pelas suas características, requerem intervenções mais ou menos cíclicas, sob pena de se tornarem esburacados e intransitáveis. Estou certo que a Câmara Municipal da Murtosa, que vem mostrando bastante empenhamento na construção de pistas cicláveis, estará atenta às condições dos caminhos rurais ribeirinhos.

Estas pistas naturais, correctamente intervencionadas, tornar-se-ão com certeza numa mais valia para a oferta turística e de lazer da Murtosa. A ideia de apresentar a Murtosa como um potencial destino cicloturístico parece-me perfeitamente exequível.

E convenhamos que o investimento necessário para dotar a terra marinhoa dessa valência é perfeitamente irrisório quando comparado com o custo associado a outros projectos, porventura até mais elitistas.
Fica a sugestão.

 
domingo, abril 03, 2005
  Nick Drake

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Way to Blue


Don't you have a word to show what may be done
Have you never heard a way to find the sun
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Won't you come and say
If you know the way to blue?



Have you seen the land living by the breeze
Can you understand a light among the trees
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Tell us all today
If you know the way to blue?

 


Look through time and find your rhyme
Tell us what you find
We will wait at your gate
Hoping like the blind.

 


Can you now recall all that you have known?
Will you never fall
When the light has flown?
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Won't you come and say
If you know the way to blue?



[Nick Drake, "Five Leaves Left"]


 


A descoberta de Nick Drake trouxe ao meu conhecimento algumas das mais belas músicas que ouvi até hoje. Saibam mais aqui.

 
sábado, abril 02, 2005
  João Paulo II

Acho que nunca aflorei as minhas convicções religiosas neste blogue.
Não por as recear assumir, obviamente, mas antes por as conceber como intrínseca e intimamente pessoais.

A busca do transcendente - ou a sua negação - é portanto um caminho livre e próprio, o que faz com que toda a discussão sobre as "verdades" - religiosas ou agnósticas - seja desmotivantemente estéril e inútil.

Para mim, crente que sou, verdadeiramente decisivo é o modo como as convicções no trascendente se traduzem ou não no tangível da relação com o mundo complexo que nos rodeia.

O sofrimento e a abnegação até ao fim de Karol Wojtyla são o testemunho mais eloquente desse desafio que é materialização da fé na nossa dimensão humana.

 
sexta-feira, abril 01, 2005
  Blogues de Bandas Nacionais

Os blogues têm provado ser um meio simples, eficaz e abrangente de contacto entre os internautas. Como se viu por alturas das últimas eleições, até os Políticos perceberam o poder de comunicação associado à blogosfera.

Diga-se, em abono da verdade, que bem mais interessantes que os Blogues Políticos são certamente os Blogues Musicais, criados e escritos pelos próprios membros das bandas, como forma de manter os fãs - e não só - a par das novidades, dos concertos e dos discos.

Deixo dois exemplos de projectos musicais nacionais - ambos de grande qualidade e pelos quais tenho bastante apreço - que possuem já Blogues em nome próprio.

O Artur Fernandes - um dos quatro elementos que compõem as "Danças Ocultas" - teve a amabilidade de me anunciar a criação do Blogue do Quarteto de Concertinas, que pode ser consultado aqui. Para ele, e para os restantes músicos, um grande abraço.

"A Naifa", de Aguardela, Varatojo e Companhia - que, relembro, vão estar na Reitoria da Universidade de Aveiro, no próximo dia 5 de Abril - também se rendeu à blogosfera e o resultado foi este.

 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

Este blog é publicado, em simultâneo e com permissão de comentários, no Sapo:
santaterrinha.blogs.sapo.pt

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