Santa Terrinha
segunda-feira, janeiro 31, 2005
  Automóveis e Peões

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Li, há dias, no Jornal "Correio da Murtosa", o reafirmar da intenção da Câmara da Murtosa em não permitir o trânsito automóvel, durante todo o ano, na Praça da Varina, na Torreira, ao contrário das reivindicações dos comerciantes locais, que pediam a circulação e o estacionamento de automóveis naquele espaço, fora da época balnear.

Devo dizer que concordo inteiramente com a medida. Acho-a até bastante corajosa, tendo em conta a impopularidade que é capaz de gerar junto dos donos dos Estabelecimentos Comerciais e, provavelmente, daqueles para quem estacionar a 50 ou a 100m do destino representa um atentado ao seu comodismo.

A Pedonalização da Praça da Varina e da área envolvente permitiu devolver o Espaço Público às pessoas, libertando-o do embaraço - e, porque não dizê-lo, do perigo - do tráfego automóvel. Esse é o caminho que deve ser seguido, até para outras áreas do Concelho. Os (bons) hábitos criam-se e devem ser fomentados.

O argumento de que a permissão da circulação automóvel iria atrair mais clientes é, quanto a mim, descabido. Quem tem a intenção de tomar um café, jantar ou comprar na Torreira, fa-lo-á, independentemente de poder entrar praça adentro, até porque Parques de Estacionamento não faltam, um pouco por toda a Vila, alguns deles a escassas dezenas de metros da Praça - o Parque junto ao "Concha", o Parque a sul do Bar "Pedras", ou o Estacionamento do Bar "Nó d'Água", só para dar alguns exemplos.

Por toda as razões que invoquei atrás, tenho de discordar da possibilidade, avançada pelo mesmo jornal, de a Câmara prolongar a Marginal do Mar, desde o Restaurante Moliceiro, onde actualmente termina, até à Rotunda Sul, uma área que estando no enfiamento da Praça da Varina, se encontra actualmente interdita ao Trânsito.

Uma medida desta natureza representaria um passo atrás no esforço de pedonalização do local, para além de ser inútil nos propósitos de, mais uma vez, atrair mais clientes aos estabelecimentos contíguos. A possibilidade de circulação, sem permissão para estacionar, atrairia, quando muito, os chamados "mirones motorizados", que nem para apreciar o mar e o areal dispensam o automóvel.

A notícia apresenta o projecto como sendo apenas "uma possibilidade", que, espero, não se concretize.

 
domingo, janeiro 30, 2005
  Starlux - I've been there

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O meu grande amigo Nuno Martins, que me costuma honrar com umas visitas frequentes à Santa Terrinha e, ao que aparece, aproveita algumas das dicas musicais que vou deixando por aqui,  inverteu os papeis e resolveu dar-me a conhecer os Starlux, uma nova banda nacional.

Gostei imenso do som e descobri que o Starlux são a mais recente aposta da editora independente nortenha "Bor Land", uma label que nos tem trazido projectos estimulantes q.b., como os "Alla Polacca" ou "Old Jerusalem".

Os Starlux editaram recentemente um EP - um formato pouco explorado em Portugal, infelizmente - chamado "I've Been There", que inclui este "Low Radiation", que podem escutar como amostra.

 
sábado, janeiro 29, 2005
  Buracos e quejandos

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Se existem obras que, pela sua dimensão e volume de investimento, são compreensivelmente de difícil execução, outras há que, apesar da aparente simplicidade e baixo custo, surpreendentemente tardam, perante a perplexidade do cidadão comum.

Quem sai da Arribação, no Monte, para a Intermunicipal, ou vice versa, tem de enfrentar um desafiador troço "todo-o-terreno", cheio de buracos, um problema que se arrasta - e se agrava - há meses, desde que foram realizadas as obras de instalação de condutas na berma daquela via.

Porque a abertura de valas na via pública segue a lógica da adivinha do ovo - todos as sabem abrir, ninguém as sabe fechar - o entroncamento da entrada da Arribação ficou em terra batida, a qual, com o passar do tempo e dos automóveis, passou a oferecer o panorama documentado na foto.

Aparentemente, a coisa resolve-se - digo eu, um leigo em obras públicas - com a colocação de um pouco de alcatrão na junção das vias, material que, como é sabido, até sobeja dos empreendimentos de pavimentação que se têm realizado noutros cantos da Murtosa.

Quanto a este problema concreto, das duas, uma: ou falta a vontade ou o conhecimento do problema. Se, no primeiro caso, pouco ou nada posso fazer, porque, vontade, ou se tem ou se não tem, já quanto à falta de conhecimento, resolvi dar uma mãozinha com a publicação este Post.


 
sexta-feira, janeiro 28, 2005
  Poesia

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Para quem gosta, como eu, de Poesia, deixo a sugestão destes "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade", seleccionados por José Jorge Letria e José Fanha, numa edição da Terramar.

O livro reune sonetos de António Nobre, Cesário Verde, Florbela Espanca, Ruy Belo, Pedro Tamen ou José Luis Peixoto, entre dezenas de outros autores.

A vontade de possuir este livro surgiu depois de ter assistido à declamação de alguns destes poemas, no Museu Marítimo de Ílhavo - um dos pólos culturais mais sólidos da região aveirense - pelos próprios autores da compilação, no ano passado, numa belíssima e deliciosa sessão de poesia.

 
quinta-feira, janeiro 27, 2005
  Desaparecidos em Combate, II

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Custou mas foi.
Finalmente consegui achar um exemplar do extraordinário "Pale Sun, Crescent Moon", o primeiro disco que ouvi dos Cowboy Junkies, há muito em falta na minha discoteca.

O primeiro exemplar do álbum, que adquiri há uns anos atrás, andará hoje em bolandas, algures em parte incerta.

"Pale Sun Crescent Moon", editado em 1993, é um dos mais belos discos da Banda Canadiana.
A dualidade, que o título deixa adivinhar, está bem patente no alinhamento do álbum, onde à sequência inicial, tipicamente Folk/Country, se segue um conjunto de canções com uma matriz claramente mais Blues.

Deste disco faz parte aquela que é, porventura, a minha música favorita dos Junkies: "Crescent Moon":

(..) Won't you come with me she said
there's plenty of room in my iron bed
you're looking cold and tired and more than a little human.
I know I'm not part of the life you had planned
but I think once your body feels my hand
you're mind will change and your heart will lose its pain (..)

 
quarta-feira, janeiro 26, 2005
  Team America - Polícia Mundial

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Este é um daqueles Filmes que só mesmo visto...

Politicamente incorrecto, com humor negro e linguagem obscena q.b., "Team America" é um crítica divertidíssima ao "Status Quo" Político Internacional e aos supostos "heróis" Americanos - a cena inicial, em Paris, é deliciosa - trazida por Trey Parker e Matt Stone, os criadores de "South Park".

Nada e ninguém escapa a esta sátira animada, inclusivé o próprio conceito de cinema americano, com os seus clichés e tiradas moralistas.

Imperdível!

 
terça-feira, janeiro 25, 2005
  Os Jovens e o Associativismo

Um estudo do Observatório Português da Juventude, sobre as preocupações e motivações dos Jovens Portugueses, revela um dado que, sendo preocupante, não é de todo surpreendente: esmagadora maioria dos inquiridos, cerca de 86%, não tem qualquer participação em grupos cívicos, sociais ou políticos.

Esta questão é particularmente pertinente e vem de encontro a uma das conclusões da Tertúlia sobre o Associativismo na Murtosa, que recentemente reuniu no Bunheiro representantes das Colectividades Marinhoas: é cada vez mais difícil captar "sangue novo" para as associações.

A idade "jovem" é, por assim dizer, um laboratório de experiências, de aprendizagem e de "construção" de identidade. Estes factores serão determinantes na relação futura do individuo com o ambiente social que o rodeia.

A pertença a um Grupo - há dias, a Celine tecia uma série de considerações muito interessantes sobre o assunto - assume portanto uma importância capital no desenvolvimento pessoal, ao nível da sensibilidade, da capacidade de argumentação e de interacção com os outros, do sentimento de utilidade e de auto-confiança.

Recorrendo novamente aos resultados do estudo, deparamo-nos com dado curioso, que por certo ajudará a entender este divórcio entre os Jovens e o Associativismo. Dos 13,5% que garantem pertencer a alguma associação, cerca de um terço estão ligados aos Partidos Políticos e, por ordem decrescente, surgem organizações culturais, desportivas, recreativas, grupos humanitários e religiosos.

Ou seja, a maioria, dos poucos que pertencem a uma organização, escolhe aquela da qual pode tirar mais dividendos, e que lhe permite aceder às esferas do poder: um partido político.

A solidariedade, o "bem comum", a promoção do desenvolvimento comunitário,  têm cada vez menos adeptos. A pergunta não é "o que posso fazer pela minha associação", mas antes "o que é que a minha associação pode fazer por mim".

O idealismo, um dos valores mais marcantes da Juventude, é  substituido pelos tiques egoistas e materialistas, normalmente associados à idade adulta.
Sinais dos Tempos.

 
segunda-feira, janeiro 24, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, III

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O álbum "Mar de Outubro", o segundo da Sétima Legião, editado em 1988, é, na minha opinião, o melhor disco da banda de Rodrigo Leão, Ricardo Camacho e companhia.

Raras vezes a fusão da Universalidade da linguagem pop com a Portugalidade dos sons tradicionais - o acordeão, as flautas e a gaita de foles - foi tão estimulante.

Estão lá alguns dos maiores êxitos da Sétima Legião, como "Noutro Lugar", "Além-Tejo" ou o clássico "Sete Mares". E algumas pequenas preciosidades instrumentais: o belíssimo "Noites Brancas" ou o atmosférico "Este amor que nos separa".

Foi a minha companhia sonora na viagem de ontem até à Capital.
 
domingo, janeiro 23, 2005
  Concerto dos "A par d'ilhós"

À semelhança da Celine, também gostaria de deixar algumas impressões acerca do óptimo concerto, proporcionado ontem pelo grupo de música tradicional portuguesa "a par d'ilhós", no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Da apresentação em si, devo dizer que gostei imenso.
Sou um apreciador da música de raiz popular e, como tal, reconheço que o trabalho dos "a par d'ilhós" não fica nada atrás do realizado por outras formações similares e mais mediáticas.

O "casamento" entre os instrumentos populares, como o cavaquinho, o acordeão ou o adufe, e os instrumentos ligados a linguagens mais eruditas - violino, violoncelo e fagote - foi particularmente feliz, elevando consideravelmente a fasquia das prestações.

Destaco, entre outros, os arranjos do temas "Vareira" e "Milho Verde", belíssimos e nada óbvios, dotados de uma riqueza extraordinária, tanto na parte instrumental como vocal.

Como a Celine apontou no seu Post, foi pena que não estivesse mais gente presente no Concerto, até porque não são assim tantas as oportunidades para assistir, na Murtosa, a um evento desta natureza.

Convenhamos que não é fácil concorrer com a transmissão televisiva de um jogo de futebol, ainda por cima entre a equipa aveirense e um dos grandes. A Organização deu mostras de alguma coragem ao fazer coincidir o concerto com o desafio da Superliga.
Quem optou pelo Sarau Musical ficou, indubitavelmente, a ganhar.

Fico triste com a fraca adesão das pessoas da Murtosa aos eventos de qualidade.
Brada-se sistematicamente aos céus pela ausência de actividades culturais e, quando elas acontecem, são desaproveitadas.

Quem prima pela ausência, para além de desincentivar a promoção futura de novas realizações - se as pessoas não aderem, para quê oferecer? - perde toda e qualquer legitimidade para criticar a escassez de ofertas culturais.
Valia a pena pensarmos nisto.

Uma última palavra de parabéns para a Coordenação Cultural da Câmara Municipal da Murtosa, pela organização certeira do concerto.
Venham mais.

 
sábado, janeiro 22, 2005
  Aniversários

A melhor parte dos aniversários é o facto dos nossos amigos se encarregarem de os fazer especiais, mesmo quando nós próprios não lhes atribuimos uma importância por aí além.

Ao fim ao cabo, não é a passagem imparável dos dias e dos anos que celebramos. Os "dias de anos" são o pretexto para enaltecer algo maior: a importância dos Afectos.

Como dizia o poeta, "por pretextos talvez fúteis, a alegria é o que nos torna os Dias Úteis".
Obrigado, por isso, a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, tornam os meus dias úteis, incluindo o do aniversário.

 
quinta-feira, janeiro 20, 2005
  Fundo do Baú, parte I

Red House Painters - Red House Painters (1993)

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O álbum homónimo dos Red House Painters - uma das muitas pérolas que a 4AD nos ofereceu - foi o primeiro disco da banda que chegou à minha estante, muito por culpa do clássico "Mistress", uma das mais belas músicas que conheço e que, nos meus tempos de rádio, passei insistentemente.

Neste disco, editado um ano após o primeiro "Down colorful Hill", Mark Kozelek impõe-se definitivamente como um escritor de canções de excepção, criando inspiradíssimas melodias carregadas de melancolia, como "Katy Song", "Grace Cathedral Park" ou a já citada "Mistress".

Indispensável.

 
quarta-feira, janeiro 19, 2005
  Capela de Santa Luzia

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Como Catrazana, não podia deixar de fazer uma referência às obras de pintura do exterior da Capela de Santa Luzia, no Monte, recentemente levadas a cabo pela Junta da Freguesia, numa altura em que o cuidado arranjo interior contrastava fortemente com o aspecto de degradação da parte exterior do Templo.

A importância da velhinha e histórica Capela de Santa Luzia - que até aos primórdios da década de 30 do século XX, altura em que foi construida a Igreja Paroquial do Monte, tinha como Orago Santo António - ultrapassa a mera dimensão religiosa, factor correctamente interpretado pela Junta de Freguesia que, ao que julgo saber, tem já preparado um projecto de requalificação da área envolvente.

A intervenção e o interesse da Junta de Freguesia do Monte, entidade civil, ao assumir os custos da intervenção no Templo, deve servir de exemplo às autoridades religiosas locais, a quem, pelos vistos, o estado de degradação que a Capela apresentava passava algo despercebido.

Este aparente desinteresse é tanto mais injusto quando, à importância histórica e afectiva do imóvel, acresce o facto deste proporcionar alguns rendimentos à Paróquia local, inerentes à sua utilização como Espaço de Velório.

Parabéns à Junta de Freguesia. Ficou bonita a nossa Capela.

 
terça-feira, janeiro 18, 2005
  Ocean's Twelve

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Lembram-se de alguma sequela que seja notoriamente melhor que o original?
Eu, assim de repente, não.

"Ocean's Twelve" traz de volta o Gang de Clooney, Pitt e afins, três anos depois do "Eleven", e a regra é mais uma vez confirmada.

Ao novo filme de Steven Soderbergh (Erin Brockovich; Traffic) falta o ritmo, a novidade e sobretudo aquele toque "cool" que caracterizava  "Ocean's Eleven".

Mau, mau não é, mas certamente também não é uma obra prima.
A ver.

 
  Encontro de Bloggers Aveirenses

A proposta - irresistível e irrecusável, digo eu - é da Maria do Rosário, do "Divas & Contrabaixos": reunir, no próximo dia 18 de Fevereiro, pelas 21.30h, os Bloggers da Região Aveirense, e não só, na livraria "O Navio de Espelhos", em Aveiro.

O Encontro é o pretexto ideal para, num ambiente informal, beber um copo e dar dois dedos de conversa, partilhando ideias e experiências bloguistas.

O regime de itinerância entre a Terra Marinhoa e a Capital do Império não me permite, desde já, confirmar a minha presença. Espero, muito sinceramente, poder estar presente.

Para quem não sabe, a Livraria "O Navio de Espelhos" fica no número 10 da Rua 31 de Janeiro, mesmo junto ao Teatro Aveirense.

Fica o desafio à Ala Blogosférica destas Bandas. Confirmem a vossa presença e divulguem o evento nos vossos blogs.


 
segunda-feira, janeiro 17, 2005
  Torga

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Quanto mais longe vou, mais perto fico
De ti, berço infeliz onde nasci.
Tudo o que tenho, o tenho aqui
Plantado.
O coração e os pés, e as horas que vivi,
Ainda não sei se livre ou condenado.
 
domingo, janeiro 16, 2005
  a par d'ilhós

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O Salão Nobre da Câmara Municipal da Murtosa vai receber, no próximo sábado, dia 22, pelas 21:30h, um Sarau Musical com o Agrupamento de Música Popular Portuguesa "A par d'ilhós".

O Grupo, de reconhecida qualidade, está sediado na vizinha Freguesia de Pardilhó e dedica-se, há mais de duas décadas, à recolha e divulgação da música de cariz tradicional.

Uma excelente iniciativa da Coordenação Cultural da Câmara Municipal da Murtosa.

 
sábado, janeiro 15, 2005
  Tertúlia "As Associações e Colectividades da Murtosa"

Ontem tive a oportunidade de participar na Tertúlia sobre as Associações e Colectividades da Murtosa, promovida pelo Projecto Leme, na Junta da Freguesia do Bunheiro.

Quem se deslocou ao Bunheiro teve a oportunidade - rara e quiçá inédita, pelo menos com este nível de abrangência - de conhecer os Rostos por detrás das Associações, que falaram sobre a Génese, as Actividades e as Dificuldades de cada uma das Agremiações.

Muito terá ficado por dizer, é certo, mas convém não esquecer que estivemos perante um Encontro que reuniu 15 das cerca de 24 Associações Murtoseiras - com alguns ausentes de peso, como a ACDM e o Marítimo - com áreas distintas de Intervenção, da Acção Social e Humanitária ao Desporto, passando pela Cultura e pela Comunicação Social.

Do Debate, onde por imposição - feliz, digo eu - do moderador, não se falou de dinheiro, retive alguns pontos que me pareceram importantes.
Desde logo, o grau de Bairrismo que motivou a criação, no mesmo Concelho mas em Freguesias distintas, de Associações com identidades e áreas de acção muito similares.

Aliás, um dos presentes lançou um dado curioso: a Murtosa, com a sua pequena dimensão, é dos Concelhos da Região Centro-Norte com mais Colectividades.
Lançado o repto, nenhuma das Associações presentes pareceu disposta a dissolver-se numa Associação maior, capaz de congregar os esforços de várias Colectividades.

Uma outra questão importante foi a capacidade atracção de novos associados, tendo ficado clara a dificuldade que Associações têm em conseguir a adesão de "Sangue Novo".
Aqui há que contar com a evolução social, dominada cada vez mais pela cultura do individualismo, onde o "eu" se sobrepõe ao "nós", onde o ideal do "Bem Comum" e o conceito de "Colectivo" são cada vez mais raros.

Por outro lado, como referia num Post anterior, as solicitações e as actividades passíveis de atrair as novas gerações são mais que muitas. A solução passará por reformular a oferta das Associações, encontrando actividades - desportivas, culturais - com as quais os Jovens se identifiquem.

De qualquer modo, e em suma, penso que ficou bem patente no Debate a importância que as Associações Murtoseiras têm no Meio onde se inserem. Faça-se portanto justiça às pessoas - muitas delas presentes no Encontro - que, teimosamente, vão oferecendo o seu tempo e as suas capacidades em prol das Associações que representam.

Por último, uma Palavra para a Organização, irrepreensível, do Evento. Pena que não tenhamos sido mais a participar.
Apesar de tudo, e tendo sido este o 2º Evento do Género, percebi que o número de aderentes cresceu em relação à última Tertúlia.
Estou certo que quem teve o previlégio de estar presente neste Evento por certo não faltará ao próximo.

 
sexta-feira, janeiro 14, 2005
  Sinalização e Bom Senso

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Ele há a Sinalização de Informação, de Proibição, de Obrigação...e a chamada "Sinalização Oculta".

No cruzamento da Avenida do Monte com a Rua Jornal Concelho da Murtosa, o sinal que proíbe os condutores de virar à esquerda esconde-se sorrateiramente, cerca de 50cm atrás do sinal que nos informa da proximidade de uma passadeira.

Espanta-me a ausência dessa virtude chamada "Espírito Crítico", da parte de quem colocou e de quem mandou colocar, perante o absurdo do cenário.

Havendo necessidade de existirem dois sinais tão próximos um do outro, penso que a solução mais lógica passaria, eventualmente, pela colocação de ambos no mesmo mastro.
A rever, urgentemente.


 
quinta-feira, janeiro 13, 2005
  Fumar ou Não Fumar

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Longe de mim a ideia de dissertar aqui longamente sobre as questões dos Direitos dos Fumadores/Não Fumadores. Não tendo eu hábitos de Fumo, não será difícil adivinhar as minhas posições sobre o assunto.

A discussão sobre o tabaco - como sobre outros assuntos que se caracterizem por uma dicotomia Contra/A Favor muito bem vincada - só vale a pena se existir um ponto inicial de entendimento, a partir do qual se desenvolve toda a conversa.
No caso do Tabaco, esse ponto de entendimento é a assunção de que o acto de fumar é prejudicial, não só para o fumador mas também para quem o rodeia, sendo por isso violador do Direito ao Não Fumo. Ponto Final.
Não existindo acordo neste ponto, a discussão será estéril e inútil.

Obviamente que o "timing" deste Post está intimamente ligado com as notícias acerca da nova Lei do Tabaco, a tal que afinal não vai ser tão radicalmente restritiva como estava anunciado.
A Montanha pariu um Rato, como é custume. E nem o exemplo - corajoso, diga-se - de países como a Itália e a Noruega nos serviu.

Das declarações do Ministro da Saúde, reproduzidas no "Público On-Line", retive estes dois parágrafos, muito curiosos, especialmente o segundo:

«"Vamos ser intransigentes [com o consumo do tabaco] nos locais em que as pessoas não escolhem ir", afirmou o governante, referindo-se às escolas, instituições de saúde e locais de trabalho.
Já nos locais onde "as pessoas sabem o que as espera", a proibição de fumar não deve ser imposta, defendeu o ministro da Saúde, referindo-se aos bares, restaurantes e discotecas."»

Que me espera, afinal, num Restaurante?
Em princípio boa comida e a tranquilidade suficiente para a poder degustar.
Mas não só, pelos vistos. Há que contar com o Fumo Alheio, o qual tenho que cordialmente aceitar, porque, segundo o Sr. Ministro, já vou avisado para o que me espera.

Não sou adepto de radicalismos, mas confesso que me chateiam as chamadas "Ditaduras das Minorias".
E, que eu saiba, os que rejeitam o Tabaco são - felizmente - muitos mais do que aqueles que fumam.

 
quarta-feira, janeiro 12, 2005
  A Rádio Hoje

O Blitz - um dos vícios semanais que cultivo desde os meus tempos do Secundário - traz, na sua última edição, um trabalho muito interessante sobre um tema que me é muito caro: a Rádio.

Juntando os depoimentos de dois pesos pesados da Rádio Portuguesa, Álvaro Costa e António Sérgio, o Jornal lança um olhar sobre a Rádio que hoje nos é oferecida, dominada pelas Playlists, pela Automatização, pela Massificação e pela ausência de uma Programação baseada em Projectos de Autor.

Concordo inteiramente com as posições defendidas pelos entrevistados.
Também considero que a Rádio "Juke Box" não é uma Rádio. Acredito, no entanto e infelizmente, que o Conceito vai de encontro àquilo que a maioria das pessoas espera de uma Rádio: muita música e pouca palavra.
No meu caso, quando quero ouvir música, oiço os meus discos. Na Rádio procuro companhia, novidade e inteligência, virtudes cada vez mais ausentes do Éter.

Ironicamente, a evolução tecnológica que se verificou nos últimos anos no Meio Rádio e que, à partida, facilitaria a vida dos Radialistas, facilitou-a de tal maneira que, ao fim ao cabo, os conseguiu praticamente dispensar.

Foram-se os Comunicadores, gente Informada e conhecedora do Meio Musical, capaz de oferecer a vertente da formação paralelamente à mais lúdica, e ficaram os anunciadores de músicas, aos quais nada mais se pede do que a capacidade de saber ler - correctamente, de preferência - o nome das músicas previamente programadas no Computador.

Não tenhamos ilusões: o Factor Económico dita as sua Leis e as Rádios não são excepção. Uma Estação Automatizada permite poupar em recursos humanos. A questão dos custos é particularmente crítica quando se fala de Rádios Locais, cujas receitas provêm, quase exclusivamente, da publicidade. A automatização permite a Manutenção da Emissão, 24 horas por dia, com custos muito reduzidos.

Por outro lado, a ausência de Programas de Autor não se resume a uma mera questão económica. Ao contrário do que acontecia há alguns anos atrás - e eu posso testemunhá-lo na primeira pessoa - a Rádio perdeu muito do seu poder de atracção.
Ainda no Início da Década de 90, nos meus tempos de militância radiofónica activa - eramos visitados, quase diariamente, por Gente Jovem que ansiava conhecer a Rádio e, quem sabe, produzir mesmo um Programa.

Hoje - e atente-se ao facto de estarmos a falar de uma lapso temporal de pouco mais de uma década - muito dificilmente se consegue cativar alguém para "experimentar" a Rádio, tal é a quantidade de actividades e solicitações capazes de atrair mais fortemente a atenção das camadas mais jovens.

A Rádio tem de ser atractiva. Dificilmente o é no cenário actual.

Estará a Rádio, a verdadeira Rádio, condenada a desaparecer?
Espero e acredito que não.
A Rádio, ao fim ao cabo, é feita para os Ouvintes e deve moldar-se aos seus desejos e exigências. Talvez seja isso que nos esteja a faltar: sermos exigentes em relação à Rádio que alguns que nos tentam impingir.

 
terça-feira, janeiro 11, 2005
  Em Português (com sotaque)

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Por muito que se goste da música que se faz por esse mundo fora, por muito grande que seja a familiaridade com outros idiomas - nomeadamente com o Inglês - há um supremo e inexplicável conforto associado à escuta das palavras cantadas na nossa própria língua.
Mesmo que seja com sotaque.

"João, Voz e Violão", de João Gilberto, prova que existem Obras Primas.

 
segunda-feira, janeiro 10, 2005
  Tertúlia "Há Hora Marcada"

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A Junta da Freguesia do Bunheiro vai acolher na próxima sexta-feira, dia 14, mais uma Tertúlia "Há Hora Marcada", desta vez subordinada à temática das Associações e Colectividades da Murtosa.
A Organização é do "Projecto Leme", ligado à Santa Casa da Misericórdia da Murtosa, e a entrada é livre.

O Ponto de Partida destas Tertúlias é inovador - no que à Murtosa diz respeito, evidentemente - e extremamente interessante, uma vez que pretende colocar os Murtoseiros a falar de si próprios, da sua Terra e das suas actividades.

Uma ideia excelente, idealizada e posta em prática por Gente Jovem, que conheço muito bem e a quem reconheço grande capacidade e inteligência.

Na sexta, lá estarei. Se puderem, não deixem de participar.

 
sábado, janeiro 08, 2005
  Banda Sonora para Viajantes, II

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"Good Dog Bad Dog" - Over the Rhine (2000)

Conheci os "Over the Rhine" quando estes fizeram a Primeira Parte do Concerto dos Cowboy Junkies, na Aula Magna, em 2001.

Neste "Good Dog Bad Dog" - que me fez companhia na viagem de hoje até à Capital - somos presenteados com uma mão cheia de belas canções Folk/Pop despretensiosas, cantadas pela voz magnífica de Karin Bergquist. 

Podem fazer o Download da música "All I Need is Everything" , aqui.
(Right Click->"Save Target As")

Bom Fim de Semana!

 
sexta-feira, janeiro 07, 2005
  Sistema Eleitoral

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Numa altura em que se fala tanto da urgência de credibilização dos Políticos e das Políticas, talvez não fosse má ideia pensar seriamente - e corajosamente - na mudança profunda do actual Sistema Eleitoral Português.

Com as Legislativas à porta, repete-se, mais uma vez, o forrobodó dos Cabeças de Lista Mediáticos e Paraquedistas, em jeito de engodo eficaz para eleitor desprevenido, seguidos da fila de Anónimos do Aparelho, eleitos a reboque dos primeiros, sem esforço nem mérito.

Onde param afinal os tão propalados "Círculos Uninominais"?
O esforço de Credibilização da Classe política deveria começar exactamente por aí, promovendo a aproximação entre os Eleitores e o Eleito, substituindo os Símbolos Abstractos, guaridas da mediocridade e do oportunismo, por Rostos Tangíveis, a quem se exige Rigor e Competência.


 
quinta-feira, janeiro 06, 2005
  Cohen, outra vez

A Internet pode ser um auxiliar precioso quando estamos na Murtosa, nos apetece ouvir Cohen e descobrimos que o disco ficou em Lisboa.

Da busca por "Famous Blue Raincoat" apareceram-me, para além do original do Mestre, duas belíssimas versões. Uma de Tori Amos, que já conhecia, e outra de Joan Baez que, confesso, nunca tinha ouvido.

Curiosamente, ou talvez não, nenhuma das versões se distancia muito do original.

 
quarta-feira, janeiro 05, 2005
  O Cartaz

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O que define, afinal, a utilidade ou a inutilidade de algo?
Fiz esta pergunta a mim próprio quando, ao dar uma volta pela Murtosa, descobri alguns destes Cartazes, plantados na beira da estrada, com uma mensagem Básica de Prevenção Rodoviária e, pelos vistos, patrocinados por uma Cadeia de Supermercados.

Vi um colocado na Intermunicipal, uma via cujo o tráfego justifica a mensagem, outro na 109-5, na zona do Esteiro, e um terceiro, este com direito a foto, plantado nada mais nada menos que na Marginal que liga a Varela à Bestida.

Não sei quais foram os Critérios para escolha do poiso dos Cartazes.
A Marginal da Bestida tem o movimento que se conhece. Se a ideia era fazer passar a mensagem ao maior número de automobilistas possível, então haveria com certeza melhor local para espetar o "mini-outdoor".

Desta forma, e atendendo à natureza do local, muito pouco movimentado, mesmo à beira da fabulosa paisagem ribeirinha, o colorido Cartaz com tão pertinente - quanto inconsequente, digo eu - mensagem, não passa de poluição visual inútil.

E, já agora, a que propósito foram o Cartazes colocados?
Será  uma Campanha da DGV, da Prevenção Rodoviária, da Câmara Municipal?
É que, para além do nome da Cadeia de Supermercados, não consta qualquer outra referência.

 
  Famous Blue Raincoat

It's four in the morning, the end of December
I'm writing you now just to see if you're better
New York is cold, but I like where I'm living
There's music on Clinton Street all through the evening.
I hear that you're building your little house deep in the desert
You're living for nothing now, I hope you're keeping some kind of record.

Yes, and Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?

Ah, the last time we saw you you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
You'd been to the station to meet every train
And you came home without Lili Marlene

And you treated my woman to a flake of your life
And when she came back she was nobody's wife.

Well I see you there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see Jane's awake --

She sends her regards.

And what can I tell you my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you, I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way.

If you ever come by here, for Jane or for me
Your enemy is sleeping, and his woman is free.

Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.

And Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear --

Sincerely, L. Cohen

 
terça-feira, janeiro 04, 2005
  Filarmonia das Beiras

orquestra_01.jpg

Na próxima quinta-feira, dia 6, pelas 21:30h, acontece o tradicional Concerto de Ano Novo, pela Orquestra Filarmonia das Beiras, no Teatro Aveirense.

Ao que julgo saber, este é o primeiro concerto da Filarmonia desde que, em Outubro último, foi anunciada a sua extinção.

Será este Concerto um sinal de que, afinal, a Orquestra Filarmonia das Beiras tem futuro? Oxalá.

 
segunda-feira, janeiro 03, 2005
  Movimentações Blogosféricas

belogues_s.jpg

Por este andar, um destes dias, para além da Caldeirada de Enguias, da Praia da Torreira e do Barco Moliceiro, a Murtosa vai passar a ser conhecida pela "Terra dos Blogs"!

Uma vista de olhos pelos links de alguns vizinhos, complementada por algumas buscas na Net, permitiram-me descobrir novos Web Logs aqui destas bandas.
Alguns até já têm alguns meses de vida, mas só agora chegaram ao meu conhecimento.

Assim sendo, no campo institucional, saúdo os "Amigos da Ria", o blog dos Escutas Murtoseiros - "190 da Murtosa" e o "Estaleiro Solidário" (este com uma mãozinha do Manuel Arcêncio, digo eu). 

A nível das abordagens blogosféricas mais pessoais, uma palavra para o "Direito e Razão" e para o "mytymyky", um blog sobre fotografia.
Ao meu e-mail chegou, pela mão do autor, a notícia do nascimento dos "
Caldos Knorr". Ainda tive a oportunidade de ler os Posts - bem interessantes por sinal - mas, desde ontem, os "Caldos" desapareceram da Net.
Espero que seja uma ausência temporária.

Os Links destes e dos outros ilustres membros da Comunidade Blogosférica Marinhoa estão aqui mesmo ao lado, por ordem de entrada em cena.
Um abraço para todos.

 
domingo, janeiro 02, 2005
  "A Pomba" - Patrick Suskind

pomba1.jpg

Sugestão para a primeira leitura do ano: A novela "A Pomba", do alemão Patrick Suskind ("O Perfume", "O Contrabaixo").

Uma estória deliciosamente simples, contada magistralmente, num pequeno livro que se devora numa sessão de leitura.

A segunda obra de Suskind conta a história de Jonathan, um recatado e solitário porteiro, que, de um momento para o outro, vê a sua vida banal transformar-se radicalmente.

"A Pomba" é um exercicio literário notável sobre a (des)ordem natural das coisas, aqueles pequenos nadas que sustentam a nossa existência e lhe dão sentido.

Obrigado à Maria do Rosário pela dica.

 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

Este blog é publicado, em simultâneo e com permissão de comentários, no Sapo:
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