Santa Terrinha
sexta-feira, dezembro 31, 2004
  Bom Ano Novo!

As Passagens de Ano são propícias a "restarts", uma espécie de "primeiro dia do resto das nossas vidas". Deixemos portanto 2004 para trás e recebamos 2005 com esperança, acima de tudo.

Mais do que um Novo Ano sem dificuldades - uma utopia, como sabemos - desejo que, caso elas apareçam, não Vos falte Força, Vontade e Saúde para as ultrapassar.

Olhando em redor, neste Mundo tão grande e afinal tão pequeno ao mesmo tempo, é facil constatar como o Menos Bom é tão relativo.
O nosso Pior não passa de uma insignificância perante dramas infinitamente maiores.

Nos Posts dos Blogs escreve-se um pouco de tudo. Dedicar 2 ou 3 linhas para divulgar e pedir a Solidariedade não me parece muito.
À semelhança do que já fizeram alguns vizinhos da Blogosfera, deixo os Números de várias Contas de Solidariedade para com as vítimas da Tragédia do Sudeste Asiático:

Assistência Médica Internacional
Banco Espírito Santo: nº 015/40000/0006
Tranferência bancária para o BES: NIB 000700150040000000672
Multibanco: entidade 20909 e referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
 
UNICEF
Caixa Geral de Depósitos: NIB 003501270002824123054
 
Caritas
Caixa Geral de Depósitos: NIB 003506970063091793082

 
Cruz Vermelha

Banco Português de Investimento: NIB 001000001372227000970

Um Bom Ano de 2005!

 
quinta-feira, dezembro 30, 2004
  Crónicas da Cidade Grande, volume VI

A Solidão


De todos os males das cidades grandes - o stress, a agitação constante, a criminalidade omnipresente... - nenhum é tão assustador como a Solidão, principalmente quando falamos da população mais idosa.

A minha madrugada de hoje foi particularmente agitada. Acordei ao som dos pedidos de ajuda do meu vizinho do andar de baixo, um velhote dos seus 80 anos, que nunca antes tinha visto, apesar de morarmos no mesmo prédio há cerca de 3 anos.

Bati à porta do 2º Andar e rapidamente percebi a causa dos lamentos: o senhor, que vivia sozinho e se deslocava com dificuldade, desequilibrou-se e, ao cair, tinha partido uma perna.

À ambulância do INEM, que entretanto chamei, juntou-se um Grupo de Sapadores, com meios capazes de arrombar a Porta do velhote.
Perante o aparato facilmente imaginável, decorrente do cenário, estranhei o silêncio dos outros vizinhos.
"Eventualmente estarão de férias", comentei com um Polícia.

Chegados finalmente ao idoso, que imóvel aguardava por assistência, perguntamos se tinha família.
Que sim, que tinha uma filha. E netos.
E os números de telefone deles?
"Não tenho", respondeu.
Levaram o homem, sozinho, para o Hospital de S. José.


Quando, uma hora mais tarde, por volta das 7, saí de casa para mais um dia de trabalho, as luzes acesas, os passos apressados nas escadas e o sobe e desce do elevador mostraram que afinal havia vida no meu prédio.
Pela Caixas de Correio, contabilizei 12 apartamentos.
Para além de eu próprio, mais ninguém tinha acorrido ao chamamento angustiado do velhote.

Tristes os dias em que vivemos.

 
quarta-feira, dezembro 29, 2004
  "Pink Moon"- Nick Drake

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Existem pérolas que permanecem escondidas, anos a fio, até que um qualquer acaso lhes dá a visibilidade necessária para serem descobertas.

O álbum "Pink Moon" - e por arrastamento toda a discografia de Nick Drake - editado em 1972, foi um desses casos, quando a música que lhe dá título foi ressuscitada, em 2000, num anúncio da Volkswagen.

"Pink Moon" foi o último álbum de originais de Drake, falecido em 1974, com 26 anos.
Gravado em apenas 2 dias, "Pink Moon" é um disco belo e simples, registando, ao contrário da riqueza instrumental dos seus antecessores, unicamente a Voz de Drake subtilmente acompanhada pela guitarra.

Para quem (ainda) não conhece, a música de Drake só é comparável a gente como Cohen, Buckley ou Oldham.
Façam favor de o (re)descobrir.

 
terça-feira, dezembro 28, 2004
  Mais um Catrazana!

Cada vez que dou de caras com um novo Blog Murtoseiro fico duplamente feliz.
Primeiro porque mais blogs trazem mais vozes, mais opiniões, ao fim ao cabo mais massa crítica. É frequente os Blogs citarem outros Blogs, complementando Posts e dando novas perspectivas às Opiniões de uns e outros.

Em segundo lugar porque longe vão os tempos em que a Blogosfera Murtoseira era um território de meia dúzia de iluminados: os 2 ou 3 que "Postavam" e os outros tantos amigos que liam os "Posts".
O número de Bloggers Marinhões tem vindo a crescer a olhos vistos e, pergunto-me, quantos andarão ainda incógnitos.

A quantidade não é, claro, sinónimo imediato de qualidade. A chamada Selecção Natural também se aplica aos Blogs, mais tarde ou mais cedo.
Mas, como diz o meu amigo Pedro Noite,  a coexistência de um número considerável de Blogs - uma espécie de saudável concorrência - potencia um nivelamento por cima em termos de qualidade.
Uns "puxam" os outros.

Há tempos, como dedicatória ao primeiro aniversário do Blog da minha amiga Carolina, afirmava que, no que aos Blogs dizia respeito, como em muita coisa na Vida, não era criar um que custava.
O verdadeiro desafio era mantê-lo, com inteligência e interesse.

Dito isto, saúdo o aparecimento do novíssimo "Monte-Murtosa", um blog irreverente, pleno de vitalidade, feito nitidamente por gente jovem e, ainda por cima, meus conterrâneos.
Orgulhosamente Catrazanas, como eu, pois claro!

Sejam muito bem vindos!


 
  A Crueza dos Números

Acabo de ler no "Diário Digital" que o número de pessoas dadas como mortas, na sequência do sismo e maremotos ocorridos no Sudeste Asiático, ascende já a 36.000.

Dificilmente temos a noção de quão astronómicos são os números da Tragédia.
Aliás, classificar os acontecimentos como "Tragédia" ou "Catástrofe", face à dimensão desmesurada do Caos, parece pouco.
Muito pouco.

36.000 mil pessoas é sensivelmente a população actual da Murtosa multiplicada por 4. Talvez esta simples comparação nos sirva para concebermos minimamente o grau de devastação que assolou aquelas paragens.

 
segunda-feira, dezembro 27, 2004
  O Exemplo da Câmara da Feira

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Na sequência da temática, abordada novamente pelo João Cruz, da fraca aderência dos orgãos autárquicos murtoseiros às novas Tecnologias, nomeadamente à Internet, como forma de dialogar com os Munícipes, vem a propósito um artigo que li hoje no "Público" que prova como a Murtosa se está a afastar cada vez mais do pelotão da frente cibernético.

Segundo aquele diário, "a partir de Fevereiro do próximo ano, Santa Maria da Feira será o primeiro município português a tramitar, gerir e disponibilizar todos os processos de obras e loteamentos em formato digital. O que significa que a população feirense poderá visualizar no computador os pareceres técnicos e os despachos do vereador sem sair de casa."

 Nas palavras do vereador responsável pelo pelouro do Planeamento e Urbanismo na Câmara da Feira, José Manuel Oliveira, citado pelo "Público",  "a câmara quer, cada vez mais, trabalhar na base da transparência e quer que os cidadãos saibam o que se passa cá dentro".
"Este sistema permite também que os técnicos possam ser responsabilizados se alguma coisa correr mal: "Poupa-se tempo, aumenta-se a eficiência e qualificam-se as respostas"."

 
domingo, dezembro 26, 2004
  Os Clássicos, a Pop e o Plágio

Há dias, o meu amigo Joaquim constatava, no seu "Jornal da Rua", o facto curioso do Hit "Love of my Life", incluído no álbum "Supernatural" de Carlos Santana, ser descaradamente semelhante a uma peça de Brahms.

Esta apropriação da Música dita Erudita por parte do Universo Pop não é caso único.
Um simples exercício de comparação permite descobrir outros exemplos.

Os clássicos "All by Myself" - recuperado recentemente por (arghhhh...) Celine Dion - e "Never Fall in Love Again", ambos de Eric Carmen, são baseados, respectivamente, na melodia do "2º Andamento do Concerto para Piano e Orquestra nº2 em Dó" e no " 3º Andamento da Sinfonia nº2" de Serguei Rachmaninov.

E digam lá se a parte instrumental de "Whiter Shade of Pale", dos Procol Harum, que derreteu corações no final da década de 60, não é uma cópia da "Ária da Suite para Orquestra nº3" de Bach, uma das peças mais conhecidas do Universo Clássico.

Menos óbvio, mas igualmente de inspiração erudita, é o tema dos "Farm", "All Together Now", que fez furor nos meus tempos de Liceu.
Surpreendidos?
Oiçam lá o "Canon" de Pachelbel e tirem todas as dúvidas. 

 
sábado, dezembro 25, 2004
  Feliz Natal

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Para os Amigos que por cá passam diariamente,
para os Leitores que vêm cá de quando em vez
e para Aqueles a quem o acaso - ou o Google... - trouxe até este Blog,
deixo os Votos muito sinceros de um Santo Natal, com Saúde e Tranquilidade, extensivos às vossas Famílias.

Um Abraço para Todos,
Januário

 
sexta-feira, dezembro 24, 2004
  Infância

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Ò meu porquinho de loiça
Tu desculpa que te diga
Mas dá para cá as moedas
que guardaste na barriga

O Natal não tarda ai
As prendas custam dinheiro
Estás pesado meu porquinho
Foste um rico mealheiro

Há dias, numa reunião de amigos, falávamos de Poesia. Alguém lançou o desafio de nos lembrarmos do primeiro poema que ouvimos na vida.
Não sei se foi o primeiro que ouvi, mas pelo menos é o primeiro de que tenho memória. Estava no meu Livro da 2ª Classe.


 
quinta-feira, dezembro 23, 2004
  Dimas Macedo

O Conjunto Escultórico, parcialmente edificado, que irá embelezar a Rotunda da Varela, permitirá à esmagadora maioria dos Murtoseiros, e não só, um primeiro contacto com uma Obra do Escultor Dimas Macedo, nascido na Murtosa em 1928 e há muito radicado em França.


O "Jornal da Ria" desta semana dá destaque à Escultura da Varela e traça o Perfil Biográfico de Dimas Macedo. Dada a notoriedade do Artista Conterrâneo, de quem podemos encontrar Obras em Portugal e numa série de Países Estrangeiros, é de saudar a Edificação de um Conjunto Escultórico de sua autoria na Terra que o viu nascer.
Por tudo isso, e como já havia aqui referido na Santa Terrinha, o Monumento de Dimas Macedo era, com certeza, merecedor de melhor localização.


Para quem não conhece o Artista, deixo um exemplo de uma Obra sua, intitulada "Metrovóide", criada por Dimas Macedo para o Parque Material e Oficinas II do Metropolitano de Lisboa , nas Calvanas, perto da 2ª Circular. 

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PMO II
"Metrovóide" da autoria de Dimas Macedo.
Fotografia: José Carlos Nascimento.

 
  Mais Blogs Murtoseiros

Se, na dimensão mais "real", a Murtosa é conhecida pela sua pacatez, o mesmo já não se poderá dizer do plano ciber-virtual, cada vez mais animado.

Como prova dessa "animação" que varre a Blogosfera Murtoseira, a época natalícia trouxe consigo mais dois Blogs que, a julgar pelas declarações de intenções constantes dos primeiros Posts, vão ajudar a agitar o "Status Quo" Marinhão.

As Novidades chamam-se "Ardósia" e "Enguias de Escabeche".

A "Santa Terrinha" regista com grande satisfação estas adições ao "Clube", desejando muita inspiração ao novos bloggers.

 
quarta-feira, dezembro 22, 2004
  O Futebol Negócio

Ontem, ao escutar na TSF o relato do Jogo Benfica-Oliveirense - que por pouco não redundava em descalabro para os encarnados - fixei uma tirada certeira do grande Jorge Perestrelo.

Ao constatar a fraca afluência ao Estádio da Luz - não mais que 10.000 espectadores - mercê do dia da semana e da hora do jogo (6 da tarde), o comentador questionou-se se, de vez em quando, os Dirigentes dos Clubes não poderiam deixar de parte o Futebol Negócio e aproveitar estes Jogos para franquear as Portas do Estádio àqueles - os jovens das Escolas, por exemplo - que não têm capacidade económica para pagar o Preço proibitivo de um Bilhete de Futebol.

Teria sido, neste caso concreto, uma bela Prenda de Natal para os simpatizantes do Clube da Luz.
E, já agora, uma bela forma de promover o Futebol e o gosto pela frequência dos Estádios, cada vez mais vazios nos tempos que correm.

 
terça-feira, dezembro 21, 2004
  Projecto "Sal-Atlântico"

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A extracção do Sal foi, durante décadas, um dos pólos económicos mais importantes da Região Aveirense, pela sua dimensão e reconhecida qualidade.

A dureza do trabalho, o aumento da oferta vinda de outra paragens e o progressivo abandono das Salinas, ditaram o declinar desta actividade emblemática.

Num esforço para inverter o estado actual do Salgado, Câmara Municipal de Aveiro e a Universidade criaram o Projecto "Sal-Atlântico" que se vai desenvolver entre 2005 e 2007 e visa a revalorização do sal artesanal e a sobrevivência do património natural e cultural a ele associado.
Saibam mais
aqui.

Sem quaisquer Bairrismos, o Sal Aveirense é reconhecido internacionalmente pela sua grande qualidade.
Numa época em que a Globalização, mais do que um conceito, é uma realidade, a sobrevivência dos Produtos Portugueses, perante a concorrência feroz de outros países, tem de passar pela aposta na Qualidade e na Excelência.

Se não conseguimos oferecer mais barato, ofereçamos melhor.
O Factor Qualidade é válido para o Sal, como é para os Vinhos ou para os Texteis.

Se é verdade que a esmagadora maioria dos consumidores valoriza mais o factor preço, existirá sempre um segmento de Mercado onde a Qualidade é o elemento diferenciador.

O esforços futuros deverão ser concentrados na Promoção dos Produtos Portugueses fora de Portas, criando Marcas que facilmente sejam reconhecidas, à semelhança do que já fazem - e bem - os nossos vizinhos espanhois, por exemplo.

 
segunda-feira, dezembro 20, 2004
  + 1 Comboio

Vejo tanto olhar encafuado
Em automóveis bestiais
Casos graves de bem estar,
Por mais que tenham, nunca têm a mais.

Aleijados do conforto
Refugiados na T.V.
O pior não é estar triste,
O pior é não saber porquê.

Há o entretenimento
Há o remoto control
Há-de haver mais um comboio
Para o centro comercial

Nesta altura ninguém faz greve,
Embora muitos tentem adormecer
Alguns vão derretendo a neve
Nas colheres a ferver

Nas entradas do metro, o frio
É combatido com papel de jornal
Útil informação para os que estão na frente,
Cegos pelas luzes do Natal

letra de Jorge Palma / música de Flak
 
sábado, dezembro 18, 2004
  O Natal do Pescador

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O Natal do Pescador

Toda a vida não conhecera outro ganha-pão. Na bateira com o pai, à fisga proibida, à chincha, a armar galrichos, à pesca do sustento para a casa. Os anos e os apertos da luta dura e constante pelo pão, consumiram-no e atiraram-no para uma velhice precoce de viúvo.

Deixou um filho único a tomar conta das redes e dos remos naquelas navegações coladinhas à borda ou mais ao largo, sempre só, sem camarada. Chegada a noite, enfiava-se no casebre de madeira, vazio de tudo. Na lareira breve acendia umas fitas de eucalipto que os ventos arrancavam dos troncos da mata vizinha. Na panela de três pernas fervia a ceia minguada e enrolava-se em trapos de mantas mais velhas que ele, a esconder-se do desconforto da noite.
Ai do homem só!

Conheceu a Rosa das Flores, amaram-se e casaram. Ele continuou na bateira, ela pegou no leme da casa. Séria, trabalhadeira, boa gerente da probreza do lar jovem, com boas palavras e delicadas maneiras tirou-lhe o cigarro maldito da boca do homem e arredou-o da taberna, onde, sem abuso, enterrava o que não tinha.

Um ano, ali por Abril, a Rosa segredou ao Filipe que estava grávida. O que nascesse ainda caberia no palheiro. Felizes esperavam pela hora da boa nova. O mundo não se desequilibrava com mais uma boca.
Quem disse que filhos são cadilhos e sarilhos? Eles, sós, ficariam mais ricos na sua penúria.

Vésperas de Natal, as coisas apertaram-se.
Como vai ser isto? Ele não tinha jeito nenhum para parteiro.
Iria pedir ajuda à vizinha Glória, mulher boa e cristã de verdade, mãe de seis filhos menores ainda.
A Glória prontificou-se para tudo.

No dia de Natal, logo pela manhã, dissera-lhe a experiência que aquilo não botava o dia fora. À noite, entrou em trabalhos. Logo na noite de Natal!

O pescador repartia os seus cuidados entre o que estava a acontecer e as Consoadas...
Que Consoadas?! Se ele nesse dia não fora pescar!
Mas a Glória saiu-se com a dela: “Há por aí um peixe de bacalhau, seis batatas, uma garrafinha de azeite, uma mancheia de castanhas que deu a Conferência e o resto, uma couve, um cherinho de alho, uma pinga à moda da gente, também se arranja. Puxa-se a mesa mais para a beira da cama, aqui junto ao borralho e consoamos todos aqui em família. Lá em casa, eles compreendem e arranjam-se sem mim e, como pobres, não se atrapalham.”
Gostaram das palavras da vizinha Glória.

Entretanto, chegara a grande hora.
Enquanto se ultimava a ceia de Natal, a Rosa deu à luz um rapaz esmerado. Depressa se formou na choupana do Filipe e da Rosa um presépio verdadeiro, real, a que anjos invisíveis cantavam a glória nas alturas...

“Há-de chamar-se, propôs o Filipe, Natalino de Jesus, como se chamava o meu avô que não conheci.”

E, aconchegando o menino recém-nascido bem juntinho à mãe, entre risos de felicidade, consoaram todos na alegria e na paz do Senhor.

Natal 1996

Jaime Vilar


 
  Nota Introdutória

Numa recente incursão pelo meu arquivo pessoal, reencontrei uma preciosidade literária que resolvi trazer aos leitores da Santa Terrinha, dando-lhe assim uma visibilidade que, na altura da primeira publicação, não teve. Falo-vos de um Conto de Natal, saído da pena do Professor Jaime Vilar, que surgiu numa edição de natalícia do jornal “O Catrazana”.

“O Catrazana” - cujo nome reproduzia a alcunha que os nascidos na freguesia do Monte se orgulham de ostentar – foi, entre 1995 e 1997, o resultado das experimentações jornalísticas do então chamado Grupo de Jovens do Monte, nesse tempo, não muito longínquo, em que os Grupos de Jovens eram uma realidade.

Tive o privilégio de conviver com o Professor Jaime Vilar, já a sua saúde declinava. O seu espírito, porém, conservava ainda a frescura e a tenacidade de sempre.

Conheci-o numa visita de pesquisa que fiz, com outros elementos do Grupo, à Biblioteca Municipal, desconhecendo que o verdadeiro conhecimento afinal estava ali, vivo, no seu modesto gabinete, à entrada da Biblioteca. Conversamos, falei-lhe das nossas incursões jornalísticas, ouviu-nos atentamente e partilhou connosco o entusiasmo do projecto.
À saída, algumas horas depois – as conversas com o professor não se compadeciam de limitações de tempo - ofereceu-nos vários exemplares de livros seus. De graça. “Tomem lá”, disse, “porque os livros só valem alguma coisa se forem tirados das prateleiras e lidos”.
Ficamos amigos.

As visitas da redacção do “Catrazana” à Biblioteca Municipal passaram a ser frequentes. Das conversas, sempre longas, retenho os relatos apaixonados do Professor, com aquele sotaque “murtoseiro”, sua verdadeira imagem de marca. Nós, ávidos de aprender, bebíamos cada palavra, cada incursão pelo passado. Para nós histórias, para o Professor, vivências que afloravam da memória.

Passamos, pouco tempo depois, a contar com a colaboração do Professor na nossa modesta publicação. Creio que o entusiasmo era recíproco: nosso, por termos tão ilustre colaborador; dele, pela oportunidade de trabalhar connosco, a juventude que tanto admirava. Da sua experiência de dezenas de anos de ensino, conservava o prazer de trabalhar com jovens e – o mais importante – lançar sementes de Cultura. Essa mesma Cultura que o Professor sentia ausente da Murtosa. Demonstrou-o, numa frase desencantada, acerca da estagnação que varria a sua terra: “Murtosa devia-se escrever com O – Mortosa – fogo morto, terra morta, gente morta!”

Era assim Jaime Vilar. Acutilante, crítico e incisivo nas palavras mas, acima de tudo, coerente.


O Conto que a seguir se publica - afinal a razão principal desta introdução – simplesmente chamado de “Natal do Pescador”, resultou de um desafio feito ao professor, por alturas do Natal de 1996. “Escreva-nos uma história”, pedimos. Passados poucos dias, entregou-nos, dactilografada, a página A4 com o original do conto.

Da “estória”, de uma simplicidade desarmante, quase ingénua, salta à vista o tremendo talento de “jogar com as palavras” do Professor e o Amor imenso que tinha às Coisas e às Gentes Marinhoas. Colocou, como não poderia deixar de ser, o Pescador no centro da narrativa.

Aqui fica, portanto, “O Natal do Pescador”, em jeito de prenda de Natal aos leitores deste Blog e, se tal me é permitido, como singela homenagem pessoal ao Professor Jaime Vilar.

 
sexta-feira, dezembro 17, 2004
  Grupo Musical Bunheirense

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À semelhança do que já fizeram os meus conterrâneos e bloggers João Cruz e Celine, também me apraz deixar uma nota sobre o Concerto de Natal, organizado pelo Grupo Musical Bunheirense, com a presença da Orquestra Ligeira do Exército, que vai acontecer no próximo domingo, dia 19, pelas 17 horas, no Salão da Junta da Freguesia do Bunheiro.

Para além do ênfase no Espectáculo em si, revelador de um espírito de iniciativa raro e louvável, numa terra, como diz e bem o João Cruz, onde pouco ou nada acontece culturalmente, parece-me também importante destacar a abertura ao Meio que o Grupo Musical Bunheirense tem vindo a demonstrar.

Há tempos, aqui na Santa Terrinha, falava do chamado "Factor Divulgação" e, no essencial, concluia que a organização de bons eventos culturais, só por si, não bastava. Se os acontecimentos não fossem devidamente divulgados, não passariam de festas privadas, fechadas em si mesmas e apenas valorizadas pela meia dúzia que delas tinha conhecimento.

Como referia na conclusão do Post, a Exposição Mediática comporta "riscos". A crítica e a comparação com o que se faz noutros lugares, por exemplo.
São "riscos" saudáveis, penso eu. A crítica, no sentido positivo, impele-nos a rever o que está menos bem e a fazer melhor no futuro.

O Grupo Musical Bunheirense parece-me apostado em correr esses "riscos", mostrando publicamente o seu trabalho.
A Actuação no Programa "Praça da Alegria" da RTP, em Setembro último, ou o bem construido - um exemplo para outras Instituições - Site na Internet, são dois bons exemplos. Esta audácia é merecedora do devido destaque e deve servir de exemplo para outros.

O meu amigo Quim Guilherme, Bunheirão dos Sete Costados, dizia-me, certa vez, que a sua Terra era uma Freguesia grande mas com o defeito de se encontrar espartilhada em pequenos grupos, quase microcosmos, por norma muito fechados.
A abertura demostrada pelo GMB é o saudável contraponto a esse egocentrismo que caracteriza algumas Instituições Murtoseiras - não só no Bunheiro - e prova que algo está a mudar. Para melhor.

Com muita pena minha, os meus compromissos profissionais não me permitirão estar presente Concerto de Natal promovido pelo Grupo.
Deixo, no entanto, o repto aos leitores deste Blog, Murtoseiros e não só, para comparecerem, no próximo domingo, no Salão da Junta de Freguesia do Bunheiro. É que, ainda por cima, o Concerto é à borla.

Votos de Muito Sucesso para o Grupo Musical Bunheirense.
No que me diz respeito, como Murtoseiro, foi continuar orgulhosamente atento à evolução do grupo.
Aposto que, no Futuro, vamos ouvir falar muito deles.


 
quinta-feira, dezembro 16, 2004
  O Perfume

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Devo ser, com toda a certeza, uma das poucas almas que ainda não leram "O Perfume" de Patrick Suskind, obra que em Portugal vai já na 26ª Edição.

Confesso que há muito tinha curiosidade em descobrir as razões do sucesso do "Best Seller" de Suskind.
É verdade que a qualidade de uma obra não se mede unicamente pelo número de leitores que atrai - exemplos desta não proporcionalidade existem às dezenas no panorama editorial português - mas, neste caso, creio que o entuasiasmo despertado pelo livro é perfeitamente justificado.
Vou tratar de o confirmar.

 
quarta-feira, dezembro 15, 2004
  Prioridades

O evento foi sendo anunciado massivamente durante os últimos dias: a RTP iria transmitir, em directo do Santiago Barnabéu, o Jogo Contra a Pobreza, organizado pelo Ronaldo, Zidane e amigos.
Como o desafio se iniciava às 20:30h, o Canal Público achou por bem antecipar o Telejornal para as 19h.
Dito e feito.

Para azar da TV de Cabo Ruivo, os famigerados amigos da coligação que, por enquanto, ainda nos vai governando, resolveram desfazer o tabu do "coligas-te antes ou coligas-te depois", em conferência de imprensa, exactamente à mesma hora do desafio futebolístico.

Como prioridades são prioridades, a RTP mandou os Amigos dos Pobres às urtigas e resolveu mostrar, em directo, o anúncio daquilo que toda a gente já sabia: amigos, amigos, votações à parte.
Quanto à jogatana de caridade, foi transmitida, em diferido, depois das 9 da noite.

Na minha opinião, a prioridade deveria ter sido invertida.
É que até um desenxabido - embora com nobres propósitos - jogo de futebol, de nível equivalente uma disputa "solteiros contra casados", é mais interessante que o registo, em directo, de um Acordo "Pós-Eleitoral", selado com uma inusitada sessão de assinaturas, como se de um importante Tratado se tratasse.

Valha-me a "Quinta das Celebridades".

 
terça-feira, dezembro 14, 2004
  A Costa dos Murmúrios

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"A Costa dos Murmúrios", o excelente filme de Margarida Cardoso, baseado no romance homónimo da escritora Lídia Jorge, aflora a temática - incómoda, sensível e às vezes forçadamente esquecida - do passado recente Português e da Guerra do Ultramar.
A acção encontra Moçambique do final da década de 60, no conturbado declinar do tempo colonial.

Destaque, mais uma vez, para a excelente Beatriz Batarda, uma actriz mais ou menos desconhecida do grande público, por norma pouco frequentador das Salas onde passa Cinema Português.
Sim, porque Beatriz Batarda é essencialmente uma actriz de cinema.

Ainda há dias, a propósito de outro filme notável - Noite Escura - onde Batarda também é protagonista, falava da actriz na minha roda de amigos.
Nunca tinham ouvido falar dela.
Triste realidade de um País onde o estrelato está condicionado ao aparecimento nas Telenovelas da TV.

 
segunda-feira, dezembro 13, 2004
  O Navio de Espelhos


O navio de espelhos
não navega, cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo



Mário Cesariny de Vasconcelos

 
domingo, dezembro 12, 2004
  Todos nós temos o António na Voz

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No panorama musical Português do sec. XX, os dedos de uma só mão sobram para enumerar os artistas que assumiram uma importância capital: Amália, Carlos Paredes, José Afonso e António Variações.

Aos primeiros três, a longevidade artística - mais no caso de Amália - permitiu-lhes o reconhecimento público ainda em Vida, embora tardiamente no caso de José Afonso.

Para António Variações, o tempo foi escasso.
Passou meteoricamente por entre o nacional cinzentismo do seu tempo - e de agora? - trazendo novidade e abalando fronteiras musicais teimosamente rígidas, com a sua música "algures entre Braga e Nova Iorque".
Deixou um Single - "Povo que Lavas no Rio"/ "Estou Além" (1982) - e dois Álbuns - "Anjo da Guarda" (1983) e "Dar e Receber" (1984) - mais uma série de maquetas e gravações, embrião daquilo que seria porventura o rumo musical futuro.

Para os nascidos depois do início da década de 80, Variações pouco dirá.
Para os outros, contemporâneos do cantor, a memória foi-se esbatendo, volvidos 20 anos sobre o seu desaparecimento.
Impunha-se, por isso, aflorar à memória colectiva o Legado de António Variações.

O Projecto "Humanos", no qual Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca emprestam a voz a uma série de excelentes inéditos, tem o mérito de trazer a música de António Variações novamente para a ribalta.
Os arranjos de Nuno Rafael, Hélder Gonçalves, Sérgio Nascimento e João Cardoso transformaram "Humanos" na melhor aproximação àquilo que seria o 3º Álbum do cantor.

O Resultado é francamente bom, seguramente um dos melhores discos de música portuguesa dos últimos anos.
Escute-se "Maria Albertina" e "Adeus que me vou embora", por exemplo, e veja-se como Variações vive na voz de Camané. Ou como "Muda de Vida" assenta que nem uma luva no timbre de Manuela Azevedo.
A prova de que, afinal, "todos nós temos o António na Voz".

 
sábado, dezembro 11, 2004
  O País em "Stand By"

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Ficamos a saber que Portugal vai a votos a 20 de Fevereiro, daqui por 2 meses e meio, mais ou menos.
Considerando ainda o tempo que medeia entre as Eleições e a Tomada de Posse do Governo que delas emergir, ficamos com um lapso temporal de cerca de 3 meses, período em que Portugal, mercê das limitações legislativas do actual governo, ficará literalmente em "Stand By".

Ainda ontem o jornalista Miguel Sousa Tavares se referia a este facto no seu artigo de opinião das sextas, no jornal "Público".
Para mim, como cidadão, é também incompreensível a necessidade de decorrerem um mínimo de 55 dias entre a dissolução da Assembleia e a Convocação de Eleições.

Os Partidos, ditos de Governo - o PSD e o PS - têm a obrigação, que lhes advém do nível de maturidade do actual sistema democrático português, de estarem preparados para Governar, sempre que a isso sejam chamados.
Para que servem então os 55 dias?

Portugal perde-se em timings desproporcionados e burocracias bacocas.
Enquanto isso, ao nosso lado, o "Mundo pula e avança".
E nós vamos ficando a ver navios.

 
sexta-feira, dezembro 10, 2004
  "A Campanha do Argus"

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No Museu Marítimo de Ílhavo está patente, até Março de 2005, uma Exposição de Fotografias de Alan Villiers, intititulada "A Campanha do Argus".

Villiers, um oficial da Armada Australiana, embarcou, em 1950, com pescadores Portugueses a bordo do "Argus", um Lugre da Pesca do Bacalhau na Terra Nova.
As fotografias, mais do que o testemunho notável da Viagem, representam um documento da Pesca do Bacalhau com dóris de um só homem, no raiar da segunda metade do Século XX.

Uma Exposição belíssima que merece uma visita atenta, ainda mais numa Região onde a temática da Faina do Bacalhau tem raízes tão profundas.

Paralelamente à Mostra, o MMI editou um Documentário em DVD, filmado pelo próprio Alan Villiers a bordo do Argus, onde são retratadas as diversas fases da Faina, desde o embarque - é curioso ver Lisboa, em 1950, sem o horizonte sulcado de Torres - até à preparação do Pescado.

Está de Parabéns o Museu Marítimo de Ílhavo pelas excelentes iniciativas.

 
quinta-feira, dezembro 09, 2004
  Paradigmas de Qualidade de Vida, parte II

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Gosto muito da tranquilidade da Torreira nesta época do ano. Longe da confusão do Verão, da praia apinhada de gente, das filas de trânsito...

Quando chegam os dias frios, a Torreira regressa à sua pacatez, entregue aos seus habitantes e aos visitantes ocasionais.

Nada se compara à visão introspectiva da imensidão do areal deserto, apenas entrecortado aqui e ali pela silhueta em Meia-Lua dos Barcos Xávega.

 
quarta-feira, dezembro 08, 2004
  Vox Populi

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Ora aí está mais uma adição à já respeitável blogosfera Murtoseira.
O "
Vox Populi" já cá anda desde Novembro mas só agora é que dei por ele.

Apesar da autora não o referir no texto de apresentação, uma leitura atenta dos Posts - bem interessantes, por sinal - permite concluir que o Blog é feito a partir de Terras Murtoseiras.

A Santa Terrinha dá as boas vindas à mais recente "Blogger" Marinhoa, fazendo votos que o seu "Vox Populi" cumpra a função implícita na sua designação: um espaço de debate e de ideias centrado, não só mas também, na nossa Terra.

Parabéns!

 
terça-feira, dezembro 07, 2004
  A Cidade de Estarreja

Afinal - como aponta, e bem, a minha conterrânea Anokitas, num comentário ao Post Anterior - e ao contrário do inicialmente noticiado, a discussão e votação da Elevação de Estarreja a Cidade e de Salreu e Pardilhó a Vilas, está marcada para o próximo dia 9, quinta-feira.

O agendamento decorreu da decisão de antecipar algumas Discussões e Votações na Assembleia da República, que iriam ficar suspensas, na sequência da dissolução daquele Orgão, anunciada pelo Presidente da República.

Assim sendo, Estarreja poderá passar a Cidade ainda antes do fim do ano.

 
  A (quase) Cidade de Estarreja

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Ainda não é desta que a Vila de Estarreja poderá ostentar o título de Cidade no seu Brasão, uma aspiração antiga dos Estarrejenses.

A Dissolução da Assembleia da República, anunciada pelo Presidente Jorge Sampaio, fez adiar a Discussão e Votação do Projecto de Elevação de Estarreja à categoria de Cidade - e de Pardilhó e Salreu a Vila - inicialmente agendadas para o dia 17 de Dezembro.

A Santa Terrinha, contrariando aquela imagem de distanciamento e rivalidade ancestral entre Murtoseiros e Estarrejenses, faz votos para que a Elevação a Cidade da Vila de Estarreja se concretize a breve trecho.

Ao olhar para muitas localidades que, por esse Portugal fora, ostentam o título de cidade - algumas no distrito de Aveiro - sem que se vislumbre muito bem quais foram os critérios que suportaram a decisão, percebe-se melhor quão legítimo é o desejo dos Estarrejenses em ver a sua terra elevada a categoria superior.

 
segunda-feira, dezembro 06, 2004
  Desaparecidos em Combate

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O lado menos interessante de andarmos a emprestar a nossa discografia a toda gente prende-se com o facto de, ciclicamente, perdermos o rasto de um ou outro disco.

Normalmente trata-se de mero esquecimento - já me aconteceu a mim próprio duas ou três vezes - não sendo incomum o disco aparecer meses, ou até anos depois, quando o amigo que o tem em sua posse resolve fazer mudanças ou um simples inventário lá em casa.

A verdade é que, passado o tempo julgado razoável sem que o disco dê sinais de vida, não resta outra alternativa senão colmatar a falha na discoteca pessoal, re-comprando a obra em falta.

Esta dissertação vem a propósito de ontem ter encontrado, a "Nice Price", como convém, o álbum "Deserto Azul" dos Diva.
O exemplar original do Disco, entretanto em bolandas, foi comprado - também a preço de amigo - numa dessas "Discotecas Rolantes", na Festa do S. Paio, há alguns anos atrás.

Mais do que a obra em si - hoje algo datada, é certo - foi o valor estimativo que me levou a comprar novamente o disco dos Diva.
Ainda há alguns meses atrás adquiri novamente os dois primeiros álbuns do Rodrigo Leão, também perdidos algures, esses peças indispensáveis em qualquer discoteca que se queira de bom gosto.

Por falar em Discos Desaparecidos, na minha lista de obras a comprar outra vez, estão o belíssimo "April" - uma mistura de Nick Drake com Will Oldham - do projecto portuga "Old Jerusalem", e o fantástico "Pale Sun, Crescent Moon", um disco de 1993 dos Cowboy Junkies, que, vai-se lá saber porquê, não aparece em loja alguma em Portugal. Se o descobrirem, avisem.

 
domingo, dezembro 05, 2004
  É Natal, é Natal!

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Ainda Dezembro mal começou e já há muito se respira a atmosfera natalícia. Nas ruas iluminadas, nas montras decoradas, nos apelos consumistas da publicidade.
A Internet também não escapa.

Uma vista de olhos pelos sites institucionais das Câmaras, por exemplo, permite já observar alguns "restylings" alusivos à época ou as tradicionais mensagens de Natal dos responsáveis autárquicos, prova do reconhecimento do poder da Internet como meio de comunicação com os Munícipes.

Só por curiosidade, fui dar uma vista de olhos pelo Site da Câmara Municipal da Murtosa e, para meu espanto, a receber os visitantes estava uma mensagem - bem simpática, por sinal - do Presidente da Câmara, alusiva...ao Verão.
Das duas, uma: ou a Página segue os "timings" do Mundo da Moda e, no Inverno, antecipa as tendências da Estação Quente, ou então estamos perante um caso crónico de abandono cibernético.

Agora mais a sério: como já aqui referi noutras ocasiões, a Internet deixou de ser uma mera curiosidade para meia dúzia de iluminados.
Hoje é um recurso utilizado por milhões de pessoas em todo o Mundo. Desses, muitos milhares são Murtoseiros ou descendentes de Gente Marinhoa, potenciais interessados em consultar informações e notícias da sua Terra. A estes acrescem ainda os Turistas, os Investigadores ou simples curiosos.

O Site Institucional pode ter um papel importantíssimo como elo entre a Murtosa e os Murtoseiros, virtude que não deve ser, de modo algum, descurada.
A Página da Câmara é por isso credora de mais atenção do que aquela que lhe é, notoriamente, dispensada actualmente.

 
sábado, dezembro 04, 2004
  O Norte do Jorge Palma

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O Jorge Palma tem disco novo.
Desta vez a espera entre álbuns foi bem menor, cerca de 3 anos após a edição de "Jorge Palma" - recorde-se que entre este (2001) e o aclamado "Bairro do Amor" (1989) houve um hiato de 12(!) anos.
Será este "Norte" o prenúncio de uma nova regularidade editorial por parte de Palma, longe das insconstâncias de outrora?

Devo dizer que se eu fosse um Crítico musical recusar-me-ia a comentar um disco do Palma. A razão é simples: quando gostamos muito de um determinado artista - como é o caso - a nossa avaliação é, quase sem darmos conta, sempre toldada pela falta de imparcialidade em relação ao objecto a avaliar.

Felizmente não sou Crítico e, por isso, posso dizer que gostei muito deste "Norte".
É um disco inconfundivelmente "Palma", honesto, com belas canções e com uma produção cuidada.

O novo disco do Jorge Palma não traz novidades - factor tão caro aos críticos musicais - e também não é uma obra prima. Mas é um belo disco.
E traz novos hinos - arrisco "Passeio dos Prodígios" e "Os Demitidos" - a juntar aos outros todos que já fazem parte do nosso imaginário.

Bom Fim de Semana!


 
sexta-feira, dezembro 03, 2004
  Beira, Beira!

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Não falo habitualmente de Futebol aqui na Santa, mas, quebrado que foi o enguiço, a vitória do meu Beira-Mar merece esta referência.
Beira! 

 
  Mediatismos e Apitadelas

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Este final de 2004 está a ser pródigo em acontecimentos mediáticos, de tal maneira que as TVs não sabem para que lado se hão-de virar. Cada acontecimento, por muito importante que pareça num determinado momento, é rapidamente secundarizado, mercê da impiedosa voragem noticiosa.

Veja-se o Julgamento da Casa Pia, por exemplo.
Ainda na semana passada estava o Circo montado ali para as bandas da Rua Nova do Almada, com Câmaras, Microfones, Arguidos, Polícias e "Populares". Tudo mostrado "ad nauseam" até ao mais ínfimo pormenor.
Ontem, realizou-se a 2º Sessão do Julgamento e, não fora um ou outro apontamento de rodapé, a coisa teria passado quase despercebida.
A notícia da Dissolução da Assembleia e do fim do Governo Santana & Friends eclipsou tudo o resto.

Agora, com as notícias bombásticas do Apito Dourado, em versão aumentada e com o irresistível odor a escândalo nacional, as atenções da "Caixa que Mudou o Mundo" viram-se para o Futebol outra vez.

Já lá dizia o outro, "é disto que o meu povo gosta!".

 
quinta-feira, dezembro 02, 2004
  Espírito Natalício

"Nesta quadra de Natal, vamos todos colocar os olhos no presépio - na Sagrada Família. José, Maria e o Menino, também eles, tiveram de se ausentar da sua própria terra, pois tamanhas eram as perseguições do rei Herodes"

Fátima Felgueiras, citada pelo "Público", 2004-12-02

 
  The Incredibles - Os Super-Heróis

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Divertidíssimo. É a palavra certa para definir estes "Incríveis", a mais recente animação dos Magos da "Pixar", gente que nos trouxe filmes incontornáveis como "Monstros & Companhia" ou "À procura de Nemo".

Mas atenção que estes Heróis são tudo menos convencionais. 
O "Sr. Incrível" é casado com a "Mulher Elástica", têm 3 filhos, muito traquinas e também eles com Super Poderes.
No filme é o lado mais "humano" dos nossos heróis que sobressai: as Crise da Meia-Idade - o "Sr. Incrível" de barriga proeminente e de dores nas costas...- os problemas do dia-a-dia de qualquer família e até alguma angústia existencial.
Pelo meio os nossos heróis terão de esquecer as suas "fraquezas" e livrar o Mundo do malvado "Síndroma".

O filme é hilariante, pleno de acção e no final, como convém, o bem triunfa.
Os bonecos são ultraexpressivos - essa é uma das chaves do sucesso da Pixar - e a dar-lhes voz temos os famosos Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson.

A não perder!

 
quarta-feira, dezembro 01, 2004
  Atão e os 68,98€?

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Segundo consta, em Fevereiro vamos ter novamente eleições.
Espero que, até lá, o Estado resolva pagar os cerca de 14 contos de réis que deve, desde Junho, aos cidadãos que fizeram parte das Assembleias de Voto, por ocasião das Eleições para o Parlamento Europeu.

É que já lá vão 6 meses e da massa nem sinal.
Neste caso, como noutros, o pior exemplo é aquele que vem de cima.

 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

Este blog é publicado, em simultâneo e com permissão de comentários, no Sapo:
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