Santa Terrinha
segunda-feira, novembro 08, 2004
  Transportes Públicos


Hoje, na Coluna "Vox Populi", do Jornal Público, era colocada a questão da concordância ou não com o "portajamento" da entrada de automóveis nos centros das Grandes Cidades, anunciada recentemente pelo Governo.

Um dos entrevistados concordava inteiramente com a ideia, dois estavam em desacordo mas, curiosamente, consideravam que a medida seria útil para promover o uso do transporte público e, por fim, um quarto inquirido discordava igualmente dos planos do Governo, alegando que as Cidades não possuiam ainda uma Rede de Transportes capaz de concorrer com o Transporte Individual.
A amostra de opiniões é curta, mas permite verificar que maioria dos inquiridos não vê com bons olhos a ideia de se pagar para entrar nos Centros das Cidades.

Não vou dissertar sobre a Relação dos Portugueses com o Transportes Públicos - as questões do Nacional Comodismo, que não prescinde do transporte individual mesmo que este seja menos rápido, mais caro e mais poluente, ou do preconceito de alguns círculos, para quem o Transporte Público é coisa de estudantes, velhinhas e pobres, ficarão para outro dia.
O Focus destas linhas é mesmo o Princípio de se pagar para levar o automóvel para determinadas zonas - mais centrais e, por isso, mais congestionadas - das nossas Urbes.

Devo dizer que concordo com a medida.
Aliás, o principio não é novo e é já aplicado - com algum sucesso, ao que parece - em algumas cidades europeias. É bom que, de vez em quando, o Seguidismo que caracteriza as opções nacionais, seja feito pela positiva, como me parece ser o caso.
No entanto, antes de por a ideia em prática, convém reflectir sobre a capacidade de resposta dos transportes públicos, ao dispor nas Grandes Cidades.

O conceito de Grande Cidade, em Portugal, passível de ver implementado o pagamento pela circulação, abarcará, penso, apenas Lisboa e Porto, de longe as cidades com maiores problemas de congestionamentos de trânsito e poluição daí decorrente.
Considerando o caso que melhor conheço, a cidade de Lisboa, é notório que a oferta de Transporte Colectivo, embora significativa e superior, por razões óbvias, ao resto do Pais, ainda não representa, em muitas áreas da Cidade, uma real alternativa ao Transporte Individual.

Sendo um dado adquirido que, no caso dos transportes rodoviários, à superficie, pouco se pode fazer para aumentar a sua celeridade, a aposta terá de passar pelo Comboio e pelo Metropolitano, os únicos que possuem canais de circulação não coincidentes com o tráfego automóvel.

Quando se fala de mobilidade, o Metro bate a concorrência aos pontos, em comodidade, rapidez e tempo de espera, sendo que o único senão é a cobertura actual da Rede - muito fraca e insuficiente.Falta-lhe o Conceito de Malha, comum nos Metropolitanos de outras cidades, por essa Europa fora.

A título de exemplo, um passageiro que se desloque da Olaias para Sete Rios, terá de usar 3 linhas de metro, isto porque as chamadas Estações de Correspondência, onde se cruzam linhas distintas, ainda se resumem à Alameda (linhas Vermelha/Verde), ao Campo Grande (Verde/Amarela), ao Marquês (Amarela/Azul) e à Baixa-Chiado (Azul/Verde).

O primeiro passo para a aplicação do Conceito de Malha à rede do Metro acontecerá quando ficar concluido o prolongamento da Linha Vermelha, desde a Alameda (Linha Verde) até S. Sebastião (Linha Azul), passando pelo Saldanha (Linha Amarela).
Mas há mais: falta a Ligação ao Aeroporto da Portela - é incompreensível como é que, passados todos estes anos, ela ainda não é uma realidade - e o prolongamento da Linha Azul até à Estação de Santa Apolónia, com a problemática Estação do Terreiro do Paço pelo meio.

Falo apenas da Rede de Transportes no interior da Cidade. O Cenário é ainda menos optimista se tivermos em linha de conta as insuficiências na oferta de Transportes, das Áreas Periféricas para o Centro de Lisboa.

Perante a evidência do muito que há a fazer em termos de Transportes Públicos, resta-me concluir que, se eventualmente tivesse sido um dos entrevistados do Jornal, teria respondido qualquer coisa como um "sim, mas não para já".
A ver vamos.


 
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