Santa Terrinha
terça-feira, março 30, 2004
  A Descompilação
Trabalhava eu na rádio da minha terra, quando apareceram os primeiros gravadores de CD.
Pela primeira vez, tornou-se possível a criação de compilações pessoais, num formato mais amigável (e durável) que as velhinhas cassetes audio.

Foi o admirável Mundo Novo!
Ainda por cima alí, na Estação de Rádio, cheia como um ovo de discos de toda a espécie.

Ainda me lembro da minha primeira compilação. Misturava Peter Murphy, Pedro Abrunhosa, Anger e, imaginem, um senhor chamado Paulo Gonzo (?!). No fundo, reflectia os gostos - alguns duvidosos - pessoais de então.
A Selecção era tão heterogénea que um dos meus colegas da Telefonia me disse em tom jocoso:
- Isto não é uma compilação! É uma descompilação!
E o termo ficou.

A partir daí, todas as minhas selecções passaram a chamar-se "Descompilação" - Descompilação Vol1, Descompilação Nacional, Descompilação Rock, ... e por aí fora.

Ando agora a pensar numa Descompilação de Primavera. Já tenho umas ideias para o alinhamento:

- "Golden Brown" dos Stranglers
- "Lost Weekend" de Lloyd Cole
- "The Boy with the Thorn in is Side" dos Smiths
- "Left of the Side" da Suzanne Vega
- "Sleepwalker" dos Wallflowers
- "I can hear your heartbeat" do Chris Rea
- "Shinny Happy People" dos REM
- "Island in the Sun" dos Weezer
- "Oliver's Army" de Elvis Costello

Há por aí mais sugestões?
 
sábado, março 27, 2004
  Entre-os-Rios
Há dias, no seguimento do caso Entre-os-Rios, o comentador da SIC para as questões de justiça, falava dessa sensação de desresponsabilização e de impunidade que atravessava a sociedade portuguesa.

Terminou com uma frase, tão verdadeira quanto perturbadora: O regime democrático instaurado no 25 de Abril tem perdido, progressivamente, a moralidade que o colocava acima do regime anterior.

Deviamos pensar nisto.
 
quinta-feira, março 25, 2004
  Um murtoseiro
Descobri hoje o excelente blog do Manuel Arcêncio, intitulado "um murtoseiro", um autêntico repositório da alma marinhôa. O link está aqui mesmo ao lado.
Os textos são pertinentes e com um fino recorte literário.

Tomei a liberdade - o Manuel Arcêncio não se vai importar com certeza - de reproduzir um dos textos do blog. Chama-se "Uma Murtosa antiga" e é, provavelmente, a mais bela descrição que já li dessa coisa que é o sentir murtoseiro.



Uma Murtosa antiga

Parece-me coisa de magos esta terra de gente marinhoa que nasce aos gritos e morre em silêncio ouvindo o rugido do mar ao longe.
Nascemos nas bateiras e nas proas e saltamos para terra sempre com saudades da água salgada que nos abraça. Olhos abertos de esperança e mãos prontas para a acção. Nunca recusamos ajuda a quem a pede nem medimos esforço para ajudar um amigo em necessidade.
Dividimo-nos por freguesias várias e sentimos essa divisão pesar nas nossas vidas sem que, no entanto, essa separação signifique indiferença. Mesmo orgulhosos do nosso lugar, acorremos a qualquer um no momento da chamada.
Terras deixadas pelo mar, umas húmidas outras úberes, juntas parecem uma filigrana saída de mão de primoroso artista. Vivemos inquietos neste retalho de mundo incerto. Olhamos à nossa volta em busca de resposta. Aceitamos em silêncio todos os golpes baixos da vida e, em fúria, partimos para outras terras em busca de outras vidas sonhadas.
Descobrimo-nos nessa diáspora acomodada à circunstância do provisório. Assumimo-nos como passageiros de um tempo rápido demais para a fixação. Os olhos, esses, continuaram em busca da água marinhoa.
Abraçámos alegremente todas as cruzadas que nos ofereceram, mesmo que a cruz fosse de duvidoso cristo. O tostão falava mais alto que a razão.
Construímos as terras que sentíamos dos outros e em cada centímetro de obra dos outros sonhavamos as nossas arquitecturas mais íntimas.
Regressámos ao chão sagrado onde deixámos fundas pégadas. Reaprendemos a trilhar os caminhos dos simples e apegámo-nos ao fumo da memória que sonhámos lá longe.
A realidade cegou-nos a vista cansada. Virámo-nos para o vento e aspirámos o suave perfume da maresia dando as costas ao futuro.
Em silêncio esperamos o amanhã construído pelos outros.
Não nos importa.
Somos peregrinos a prazo num mundo provisório e mágico.

Manuel Arcêncio

 
quarta-feira, março 24, 2004
  Comichão Mental
Recentemente, li um artigo interessantissimo onde se explica, finalmente, aquele vício cíclico que nos assalta de, sem mais nem menos, desatarmos a cantarolar, até à exaustão, uma determinada música.

A explicação não podia ser mais simples: existem músicas que, por terem determinadas caracteristicas - melódicas, essencialmente - nos provocam uma espécie de "comichão" mental.
Ora, à semelhaça de outras comichões, a mental também nos obriga a coçar.
Como?
Cantando a tal melodia até a "comichão" desaparecer!
Ora, isto é feito de uma forma quase inconsciente.

No meu caso, as últimas "coceiras" foram o "Seven Nation Army" dos White Stripes, o "Babylon" do Zeca Baleiro e, imaginem, o velhinho "Golden Brown" dos Stranglers.

Fiquem, por isso, mais descansados todos aqueles que, de um momento para o outro, ficam com uma vontade irresístivel de trautear uma outra música da Ágata, do Toni Carreira ou do Quim Barreiros...

Não é um acesso de piroseira crónica. É apenas "comichão".

 
terça-feira, março 23, 2004
  Inspector Max
Hoje, num desses "muppies" de Estação de Metro, dei de caras com um anúncio da "novissima" série da TVI: O Inspector Max.

Mesmo sem saber a sinopse da dita série, a foto do cartaz promocional não me deixou grandes dúvidas: O Inspector Max é nada mais nada menos que um simpático Pastor Alemão que, como o epíteto "Inspector" deixa adivinhar, tem essa habilidade canina de resolver casos policiais.

É certo que, como alguém disse, a originalidade já não é o que era, mas esta do Max tem contornos de autêntico descaramento.
Já não bastava o bicho dar-se por um nome com apenas três caracteres, também tinha de ser um pastor alemão - pelos vistos a única raça habilitada para a profissão de detective.

Se, depois disto, ainda persistissem algumas dúvidas quanto à originalidade da ideia, o epiteto hierárquico-canino-policial encarrega-se de as desfazer: o nosso - o Max - é Inspector; O outro - o Rex - é "Kommissar"...

Pena os produtores de TVI não se terem lembrado de fazer um Remake do "Mr. Ed", o cavalo que falava.
Esse, ao menos, soaria a novidade, principalmente para a geração com menos de 25 anos.
Com uma nuance ou duas: O nome poderia muito bem ser um portuguesissimo Sr. Tó e o bicho falante, ao invés de cavalo, passaria a burro. Afinal, uma evolução muito comum na televisão que hoje temos.
 
segunda-feira, março 22, 2004
  O dilema
Que fazer quando aquelas duas equipas com que mais simpatizamos jogam entre si?
Torcemos por qual?

Esta dúvida existencial assaltou-me ontem durante o Beira-Mar - Benfica.
É verdade que a minha simpatia pelo Benfica remonta à minha mais tenra infância quando, talvez influenciado pela corrente familiar, tomei como eleito o clube da águia.

Há momentos, no entanto, em que o factor proximidade exalta a minha condição de Cagaréu de adopção.
Sou sócio do Beira e pronto. É uma questão de principio. Quando, uma vez, me incitaram a fazer-me sócio do Benfica, respondi que não era associado de nenhum clube e, se alguma vez fosse, seria do Beira-Mar.
E assim foi.

Curiosamente, um olhar atento às imagens televisivas revelou que esta dupla condição de torcedor ( e sofredor) não é da minha exclusividade. Muitos foram os que se deslocaram ao novo Mário Duarte com uma camisola do Benfica e com um cachecol do Beira.

Ontem, pela primeira vez, não festejei o golo do Benfica. Também não sei se festejaria um do Beira-Mar.
Venha a próxima jornada.

 
domingo, março 21, 2004
  A Lírica Mínima do Amor
O poema que se segue é da autoria de João de Mancelos e aparece no seu livro "A Oeste deste Céu", um dos mais belos títulos que já vi serem dados a um livro.



É raro, o Amor,
como pirilampos ou chuvas
em tectos de Verão.
É a secura última
no gosto das amoras,
é um tremente olhar
à sombra de outro olhar.

E mais insustentável
será,
um lago que se agita nas mãos,
e sabe a lume de criança.
E o Amor és tu. E tu és breve.

E há quem rumo à noite
de ti se baste e sonhe,
até à fundura da solidão.

É raro, o Amor. É
apenas esse nome teu
que em meus lábios treme
e floresce.

João de Mancelos in "A Oeste deste Céu"
 
sexta-feira, março 19, 2004
  Primavera
Dei por mim a escutar o fantástico "Lost Weekend" de Lloyd Cole com os Commotions.
O paradigma da canção pop perfeita...digo eu.

Porque a nossa predisposição para ouvir esta ou aquela música também depende da estação do ano, acho que, sem sombra de dúvida, a primavera está aí.
 
  Orfandade Radiofónica
Já ouviram falar em Orfandade Radiofónica?
Pois bem, trocando por miúdos, é o sentimento que nos atravessa quando aquela rádio que, para nós, era farol do bom gosto e do profissionalismo, pura e simplesmente desaparece...ou quase.

Outros exemplos se podem encontrar no passado recente - A XFM, lembram-se? - mas a razão de ser destas linhas é a TSF.

É certo que as mudanças ocorreram algures em 2003 mas, nessa altura, ainda não existia este autêntico "muro das lamentações" cibernético e pessoal que é o Santa Terrinha. Daí este desabafo mais ou menos tardio.

Hoje nada destingue - musicalmente falando, claro - a programação da TSF, de uma RFM, Comercial ou qualquer outra, especialmente formatadas para a audiência fácil e para o comercial orelhudo. É constrangedor ver profissionais que, no passado, nos deram a conhecer do melhor que se fazia no mundo alternativo, a braços com playlists, repetidas até à nausea, de Celine Dions, Chers e Phill Collins (?!)

Sempre achei piada à música dita dos anos 60 e 70, afinal é lá que radica toda - sim, toda - a música que se faz actualmente. Mas ter de levar com 3 (!) horas consecutivas de "Idade da Inocência" é obra!
Com uma agravante: Nunca, mas mesmo nunca, é feita qualquer referência às músicas que estamos a ouvir. Ficamos sempre na ignorância.
Lá se vai aquela função importantissima da rádio que é formar e dar a conhecer. Uma das coisas mais belas que um programa de Rádio tem, é a possibilidade do animador partilhar, com muita gente, aquilo que conhece.

Que saudades da "Intima Fracção" - provavelmente o melhor título de um programa de Rádio jamais inventado - nas madrugadas da velha TSF. Foi lá que ouvi gente fantástica pela primeira vez: Anita Lane, Mazzy Star, Rosie Thomas, tantos outros...

Onde há agora espaço para os grandes autores nacionais, como o Sérgio Godinho, o Fausto, o Zé Mário Branco e outros?
Na quinta-dos-portugueses-que-de portugueses-só-têm-o-BI da Antena 3? Give me a break...

Numa recente entrevista, o (novo) Director da TSF demonstrava a sua satisfação pela subida das audiências da sua rádio, desde que as mudanças foram implementadas.

Ganhou novos ouvintes - e muitos, não duvido - mas perdeu os antigos. Eu incluído.



 
quarta-feira, março 17, 2004
  Danças Ocultas
Há dias fui ver um concerto fabuloso das Danças Ocultas no Teatro Aveirense.
Para quem não conhece, descrever as Danças Ocultas como um quarteto de concertinas - são efectivamente um quarteto de concertinas - é extremamente redutor. A concertina está normalmente associada a manifestações musicais mais populares que não correspondem em nada ao conceito das Danças Ocultas.
Tal como fez Piazzolla, as Danças constroem ambientes que vão desde a fugaz alegria até à mais tocante melancolia.

As Danças são de Águeda e tem já dois discos editados: "Danças Ocultas" de 1995 e "Ar" de 1998.
São de audição obrigatória para um melómano de bom gosto. Estão por aí à venda em FNACS e outras que tais e, ainda por cima, normalmente a Nice Price. :)

Uma palavra para o Aveirense. Está belissimo, muito mais funcional e confortável. Parabéns à Câmara de Aveiro.
A Cultura merece.
 
terça-feira, março 16, 2004
  Ria
O post seguinte é uma prenda para uma companheira da blogosfera que, tal como eu, gosta de citar poesia alheia. O texto não é poesia mas é prosa poética. É retirado do livro "A Terceira Rosa" de Manuel Alegre. Este excerto diz-me muito. Evoca magistralmente a minha paisagem marinhôa.



Como em Agosto, na Ria, quando chegas da Barra e te lanças à água, finges de afogada, eu corro a salvar-te, trago-te ao colo e nado sem esforço, tu não pesas, somos os dois um só, uma só forma. Alquimia, conjunção astral, o que quiserem.

Sempre que vou à Barra vejo ainda a tua casa apesar de demolida, procuro-te nas águas, agora negras, no cheiro às ervas das areias, na maresia e na salsugem, procuro-te na luz, a luz branca das salinas, estás ainda na ponte de madeira que já não há, passa um barco da Capitania, quem sabe se não te leva para a Torreira ou São Jacinto, procuro-te na maré cheia e na maré baixa, nas gaivinas, nos patos reais, nos maçaricos, nas rolas que passam no fim de Agosto. Há uma gaivota que voa em direcção ao sol.

-Aquela gaivota enlouqueceu, diz Afonso Furtado, meu pai, que é tu cá tu lá com as aves da Ria.


Manuel Alegre in "A Terceira Rosa"


 
  O relato
O último Benfica-Inter apanhou-me na estrada, longe de um qualquer aparelho de televisão que me permitisse ver o jogo. Restou-me o relato na Rádio.

Dei por mim a pensar no relato em si. A descrição do jornalista, o enfâse, a emoção que este coloca nas palavras e que nos leva sistematicamente a fazer a imagem mental e virtual das jogadas.

Curioso, o relato. Tudo evoluiu. Apareceu a Televisão, o Replay, a TV interactiva e os MMS com os golos em directo.
E o relato, teimosamente, continua a fazer parte das nossas vidas e nós continuamos a acha-lo não só válido como indispensável.
Hoje, como há 50 anos atrás.
 
segunda-feira, março 15, 2004
  Romance ingénuo de duas linhas paralelas
Duas linhas paralelas
Muito paralelamente
Iam passando entre estrelas
Fazendo o que estava escrito:
Caminhando eternamente de infinito a infinito

Seguiam-se passo a passo
Exactas e sempre a par
Pois só num ponto do espaço
Que ninguém sabe onde é
Se podiam encontrar
Falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha
Uma delas certo dia
Voltou-se para a outra linha
Sorriu-lhe e disse-lhe assim:
"Deixa lá a geometria
E anda aqui para o pé de mim...!

Diz a outra: "Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
Temos de ir devagarinho
Andando sempre a direito
Cada qual no seu caminho!"

Não se dando por achada
Fica na sua a primeira
E sorrindo amalandrada
Pela calada, sem um grito
Deita a mãozinha matreira
Puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
As duas a murmurar
Olharam-se docemente
E sem fazerem perguntas
Puseram-se a namorar
Seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
Fica uma estória banal
Com linhas e entrelinhas
E uma moral convergente:
O infinito afinal
Fica aqui ao pé da gente.

José Fanha
 
  Campus
Um destes dias voltei ao Campus.
Insconscientemente ou não, cheguei cedo.
Permiti-me dar uma volta pelo belissimo complexo. Se excluir duas ou três idas esporádicas e de curta duração, foi a primeira vez, após o fim do Curso, que visitei novamente "a sério" a Universidade.

Primeira impressão: os carros tomaram conta do Campus. No meu tempo - estranha expressão esta "no meu tempo" - contavam-se pelos dedos os colegas que tinham carro. Mesmo assim, desses, poucos eram aqueles que o usavam para chegar à Universidade. Sinais dos tempos.

É uma sensação estranha - melancolia? -, aquela que nos invade quando percorremos os recantos que já foram nossos: o CUA, a Biblioteca, o Departamento...
Os sitios continuam lá.
As caras não.
Falta a Sónia, a João, a Marta, o Ricardo, o Tiago, a Cândida...




Vem-me à memória o "Boys of Summer" do Don Henley...
Faz-me lembrar um velho hábito dos meus tempos de adolescente quando, montado na minha BMX, rumava à rua da minha paixão de então. O simples passar pela casa dela, mesmo sabendo que ela não estava lá, aplacava-me as saudades.


 
domingo, março 14, 2004
  O Mar
O mar

Antes que o sonho (ou o terror) tecesse
Mitologias e cosmogonias
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, o sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é aquele violento
E antigo ser que roi os pilares
Da terra e é um e muitos mares
E abismo e esplendor e acaso e vento?
Quem para ele olha vê-o pela primeira vez,
Sempre. Com o assombro que as coisas
Elementares deixam, as belas
Tardes, a lua, o fogo de uma fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sabê-lo-ei no dia
Que se segue à agonia.

Jorge Luis Borges
 
  O sentimento de pertença
Coisa estranha, isso a que chamamos sentimento de pertença. A um clube, a alguém ou a uma terra.
Acho que é uma necessidade intrínseca de qualquer pessoa. Precisamos de pertencer a alguma coisa. De fazer parte de.

Este sentimento tem a sua expressão máxima naquilo que alguns chamam o bairrismo. Talvez seja esse "bairrismo" - aqui apresentado na sua conotação positiva, claro - que distingue o espaço rural do espaço urbano.

Numa vila do interior, se formos forasteiros à procura de uma determinada rua ou edifício, bastar-nos-à interpelar um qualquer habitante. Com um nadinha de sorte, para além da informação pretendida, o nosso interlocutor ainda nos dará mais algumas dicas. Falo-á de bom grado e com aquele orgunho que nos aflora quando falamos das coisas de que gostamos. É deste bairrismo que falo.

Numa cidade, a dificuldade será encontrar quem nos dê uma simples indicação. Dou 2 exemplos:
Numa das minhas primeiras incursões pela Capital, em plena Praça Duque de Saldanha, questionei uma série de pessoas acerca da localização da Avenida Defensores de Chaves. Ninguém soube, ou quis, dar-me a informação. Descobri, depois, que a dita ficava mesmo ali ao lado; Mais recentemente, na Amadora, tive necessidade de visitar o Centro de Emprego na Rua X. Mais uma vez as interpelações tiveram o mesmo resultado: "Não sei", "Não faço a mínima ideia".
Valeu-me, tanto num caso como no outro, o agente da polícia, pelos vistos o único conhecedor da intrincada rede toponímica urbana e, talvez apenas pela obrigação que a sua função implica, o único disposto a dar-me a informação pretendida. Poderemos ser cidadãos numa cidade que não conhecemos?

Por estas e por outras é que a minha primeira compra em Lisboa foi um mapa da cidade. Nos dias seguintes passei por todos os recantos da capital. Para me ambientar. Para conhecer. Para passar a fazer parte.
 
  O Meu Primeiro Post
Pois, pois...
Mas um tipo convertido aos blogs...
Este é o meu primeiro Post, por isso tenham lá paciência!
Por aqui vou deixar algumas reflexões, inflexões e provocações.
A urbanidade rural vs a ruralidade urbana (seja lá o que isso for...).
Té breve
:)
 
Blog de um urbano-convertido e rural-enraizado. Pensamentos, reflexões, inflexões, citações, frases feitas e outras nem por isso.
Por Januário Cunha

Este blog é publicado, em simultâneo e com permissão de comentários, no Sapo:
santaterrinha.blogs.sapo.pt

A minha foto
Nome:
Localização: Murtosa (às vezes) Lisboa (quase sempre)
Baú
Março 2004 / Abril 2004 / Maio 2004 / Setembro 2004 / Outubro 2004 / Novembro 2004 / Dezembro 2004 / Janeiro 2005 / Fevereiro 2005 / Março 2005 / Abril 2005 / Maio 2005 / Junho 2005 / Julho 2005 / Agosto 2005 / Setembro 2005 /

Outras Ligações

Blogues da Murtosa
(Por ordem de chegada à Blogosfera)


r.i.p.

Com costela Murtoseira...
(mais ou menos)

E a Ria aqui tão perto...

Blogues de Bandas Nacionais

Blogosfera

Blogues de Blogues

Links Murtoseiros

Páginas das Escolas

Oferta Turística Murtoseira

Links da Região

Comunicação Social Regional


Portais

Generalistas

Jornais On-Line

Música
Economia
Desporto

Rádios

Úteis

Digam coisas

Links Organizações

Amnesty International
logami.jpg
logosos.gif

Powered by Blogger